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Setorial Selectus nº 5897

Cardápio forrageiro garante a nutrição de rebanhos na seca

Cardápio forrageiro - Para assegurar alimentação na quantidade e qualidade adequadas para os rebanhos do Semiárido brasileiro, pesquisadores recomendam o que eles estão chamando de cardápio forrageiro, composto por plantas com diferentes estratégias de sobrevivência à seca.

Fonte: Embrapa
Cardápio forrageiro garante a nutrição de rebanhos na seca

“O ideal é combinar variadas plantas porque no somatório de todas elas teremos uma estratégia que realmente leva a uma condição de tolerância à seca com melhor resiliência e maior produtividade”, explica a zootecnista Ana Clara Cavalcante, pesquisadora da Embrapa Caprinos e Ovinos (CE). Essa diversificação de espécies para a alimentação dos animais é a principal recomendação dos pesquisadores integrantes do Projeto Forrageiras para o Semiárido, realizado em parceria entre a Embrapa e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). 

Cardápio forrageiro recomendado pela pesquisa para o Semiárido combina plantas de diferentes espécies e garante a alimentação animal em épocas de seca. 

São plantas com altos teores de nutrientes e resistência ao período de estiagem que, na região, pode durar até oito meses por ano.  

A composição do cardápio forrageiro é variável de acordo com as condições de clima e solo. 

Modelos relacionando à produção e à persistência das forrageiras testadas serão disponibilizados em portal.

Simulador, em desenvolvimento, permitirá informações mais próximas à realidade das propriedades. 

O cardápio é composto por plantas com características que resistem ao período de estiagem, que naquela região pode durar de seis a oito meses durante o ano. As plantas anuais como sorgo, milho ou milheto, por terem um ciclo de crescimento curto, escapam dos períodos mais secos e são utilizadas para fabricação de silagem. Essa silagem deve ser produzida e armazenada na época chuvosa para consumo do rebanho no período seco. 

As cactáceas e lenhosas perenes, por sua vez, são resistentes à seca e, no cardápio, compõem uma espécie de “poupança forrageira”. São aquelas plantas que ficam no campo e não perdem o valor nutritivo com o tempo. 

As gramíneas perenes também são recomendadas, pois são tolerantes ao estresse hídrico e podem ser utilizadas para pastejo na época das águas e da seca, já que apresentam altos teores de nutrientes. 

Como fazer o cardápio forrageiro

A composição do cardápio forrageiro é variável de acordo com as condições de clima e de solo da propriedade. “Algumas espécies são mais indicadas para um solo mais arenoso, outras para um solo mais argiloso, algumas têm maior tolerância aos veranicos (secas esporádicas durante o período chuvoso). Com base nisso é que montamos os cardápios personalizados para cada local, cada propriedade”, explica a pesquisadora da Embrapa.  

A assessora técnica da CNA Ana Carolina Mera Fugimoto explica que um dos principais desafios do projeto de pesquisa é conscientizar os produtores de que não existe uma planta única que vai resolver o problema de alimentação do rebanho. “Por mais que uma espécie se destaque, não podemos trabalhar somente com ela. A diversificação ajuda a minimizar os riscos”, explica. 

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