Petróleo fecha em patamar negativo pela primeira vez na história - Como isso acontece?
Petróleo - O contrato de petróleo com vencimento próximo do West Texas Intermediate (WTI), que é referência nos Estados Unidos, fechou hoje em US$ 37,63 negativos.
O patamar, mais baixo desde 1946, segundo a agência de notícias "Bloomberg", significa que os produtores pagaram para se livrar da commodity que excedeu a demanda.
O fechamento negativo não indica o fim da era do petróleo ou dos combustíveis fósseis, mas sim a combinação da queda brusca da demanda com o esgotamento da capacidade global de armazenamento físico da commodity.
"Diferentemente da energia, o petróleo é um bem físico. Quem compra o contrato precisa tirar o petróleo de lá", explica Pedro Rodrigues, sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).
Se o consumo de energia recua e as hidrelétricas têm os reservatórios cheios, as usinas são vertidas. Não é possível fazer o mesmo com petróleo. O bem físico precisa ser armazenado em algum lugar.
O vencimento dos contratos de maio é amanhã, 21 de abril, o que significa que aqueles que compraram a commodity precisam movimentar os estoques fisicamente. Como não há mais espaço, os investidores correram para trocar os contratos de maio pelos de junho.
Nos Estados Unidos, o principal centro de armazenamento de petróleo fica em Cushing, no estado de Oklahoma. Segundo a Agência de Informação de Energia (EIA, na sigla em inglês), os estoques em Cushing cresceram 48% desde o fim de fevereiro, para quase 55 milhões de barris. Em 30 de setembro, o hub tinha capacidade para armazenar 76 milhões de barris.
"O produtor precisa tirar o petróleo de lá, ele não tem mais onde estocar", disse Rodrigues. Há casos em que, se não retirar a commodity, o produtor tem multas a pagar, o que faz com que compense vender num patamar negativo.
E o preço da gasolina na bomba?
Os contratos de maior liquidez do WTI e do Brent (referência no mundo, inclusive no Brasil) ainda estão se sustentando acima de US$ 20 o barril, mas ainda não chegaram a um patamar de equilíbrio diante da forte queda de demanda pela commodity em todo o mundo.
No Brasil, a Petrobras afirma que está repassando os preços menores aos distribuidores, mas a redução ainda não chegou nas bombas. Segundo Rodrigues, uma explicação para isso é os donos de postos de combustíveis estarem retendo caixa para fazer frente à crise.
Além disso, os estoques de derivados no Brasil também estão lotados, devido à redução de demanda por conta das medidas de isolamento social tomadas para conter o avanço da pandemia do coronavírus (covid-19). Muitos postos ainda estão vendendo dos estoques comprados antes do início da crise, o que explica não haver repasse dos preços menores.
















