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Especiais Selectus nº 5783

Alta nos preços de milho e soja piora a rentabilidade do produtor de leite

Rentabilidade do produtor - O fraco crescimento da oferta mundial de leite tem sustentado os preços internacionais em patamares mais altos, apesar do cenário mundial de crescimento econômico menor em diversos países.

Fonte: Embrapa

Nos leilões da Fonterra, os preços do leite em pó integral e do pó desnatado apresentam tendência de elevação desde agosto. Esta valorização aparece mais acentuada a partir do início de outubro quando o integral já acumula uma alta de 3,6% e o desnatado de 9,3% (Figura 1).

Alta nos preços de milho e soja piora a rentabilidade do produtor de leite

Os dados da balança comercial brasileira de outubro registram que o País importou o equivalente a 72 milhões de litros de leite, volume 54% menor do que o do mesmo mês de 2018, quando entraram o equivalente a 155 milhões de litros. A estabilização dos preços pagos aos produtores, a valorização recente do dólar e a tendência de elevação do preço internacional explicam este movimento. Por outro lado, as exportações continuam no patamar de 4 a 5 milhões de toneladas. No Brasil, o preço bruto recebido pelos produtores em outubro (R$1,46/l) permaneceu praticamente igual ao de setembro (R$1,47/l). No entanto, em relação a outubro de 2018 (R$1,55/l) houve uma queda bastante significativa (- 5,4%). Em vista da escalada dos preços da soja (+ 2,0%) e, principalmente, do milho (+ 10,3%) de setembro para outubro, a margem dos produtores (estimada pela relação de troca entre os preços do leite e do concentrado) ficou bem pior em outubro. Em setembro, 34,3 litros de leite eram suficientes para comprar 60kg da mistura (70% de milho e 30% de soja).

Em outubro, esta quantidade subiu para 36,3 litros, um aumento de 5,8%. Em relação a outubro de 2018, o aumento foi mais elevado ainda, de 9,7%. O quadro de aperto de margem para os produtores é confirmado também pelo custo de produção (ICPLeite/Embrapa) que, puxado pela elevação do custo do concentrado (+ 4,4%) e do sal mineral (+ 9,8%), registrou alta de 1,9% em relação a setembro. No atacado, o preço diário do UHT no mercado de São Paulo, que havia iniciado setembro em R$2,55/l, voltou à casa dos R$2,40/l ainda no final daquele mesmo mês e não apresentou sinais de elevação desde então. Para a indústria, este quadro confirma a continuidade de perda de margem e a dificuldade do setor em repassar preços para o segmento varejista, que por sua vez segue enfrentando um quadro de consumo fraco e queda de preços. De setembro para outubro, o preço médio do grupo “leite e derivados” no varejo apresentou um recuo de 0,94%, com destaque para a acentuada retração do preço do leite UHT (- 1,55%) e do creme de leite (-1,90%). Os dados preliminares da Pesquisa Trimestral do Leite divulgada pelo IBGE mostrou que a aquisição de leite cru pelas empresas sob inspeção sanitária (federal, estadual ou municipal) foi de 6,290 bilhões de litros no 3º trimestre de 2019, um aumento de 7,44% em relação ao 2º trimestre deste ano e de 0,54% em relação ao mesmo período de 2018.

No acumulado de janeiro a setembro de 2019, o volume foi 3,45% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. O baixo crescimento da captação neste 3º trimestre em relação ao mesmo período de 2018 foi decorrente de alguns fatores: 1) alto volume produzido no 3º trimestre do ano passado, quando a produção subiu forte em resposta à rápida valorização dos preços recebidos pelos produtores nos meses seguintes à greve dos caminhoneiros. Portanto, a base de comparação foi alta; 2) o atraso nas chuvas em importantes bacias leiteiras do Sul, Sudeste e Centro-Oeste; e 3) a piora na relação de preços entre o leite e o concentrado neste segundo semestre de 2019.

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