O resultado do leilão da Fonterra indica, pelo menos, uma estabilidade temporária
Lácteos/NZ – Os preços dos lácteos passam por um período de estabilidade, com o GlobalDairyTrade subindo 0,5% e o leite em pó sem alteração em relação ao evento anterior. Dado que estamos em um período de transição entre a produção de Hemisfério Norte e Sul, e, portanto, a oferta de leite é maior, o resultado positivo é um pouco surpreendente, embora seja bem-vindo.
A projeção da produção de leite na próxima temporada nos Estados Unidos é de aumento, embora o número de vacas seja o menor, desde o início de 2016. Ainda assim, a expectativa é de que a produção cresça 2%, e o preço do leite ao produtor, em 2020, deverá permanecer nos mesmo níveis atuais. O Rabobank é um pouco mais pessimista em seu último relatório. Prevê uma possível recessão global no segundo semestre de 2020, reduzindo consideravelmente as margens.
A China registrou o menor crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos últimos 30 anos, o que deve se transformar em efeito cascata no Sudeste Asiático e além.
A União Europeia (UE) também tem desafios relacionados ao Brexit. “Espera-se que os mercados globais de lácteos permaneçam firmes até meados de 2020, mas, o Rabobank prevê que no segundo semestre do ano será mais apertado diante de uma possível recessão global”. Se esses eventos ocorrerem, pode significar que a próxima temporada (2020-21) terá muitos desafios. A solução dos problemas entre o Reino Unido e a UE relacionados ao Brexit parece estar próxima, exceto pelo fato de 31 de outubro estar chegando muito rapidamente. O fato do acordo estar sendo conduzido por políticos significa que algum tipo de espaço para contornar o tempo será negociado.
Silenciosamente foram realizadas negociações da Parceria Econômica Global Abrangente (RCEP). Dezesseis países estão envolvidos, sendo que dez deles são membros da ASEAN e as seis nações que têm acordos de livre comércio com o bloco regional: Austrália, China, Índia, Japão, Coréia do Sul e Nova Zelândia. Inicialmente, o objetivo era confirmar algum tipo de acordo até novembro. Com as negociações sendo desenvolvidas desde 2012, é difícil imaginar alguma alteração dramática nas últimas semanas, no entanto, coisas estranhas estão acontecendo.
É claro que o acordo tem o objetivo de também beneficiar a Nova Zelândia, um país com potencial para chegar a 3,5 bilhões de consumidores. É um país em que exporta 52% de lácteos para a região, gerando NZ$ 5 bilhões em divisas. Qualquer redução de tarifas é bem-vinda, principalmente da Índia. No entanto, começou a circular uma campanha contra a entrada da Nova Zelândia, principalmente, dos seus produtos lácteos. Em setembro, o diretor da maior cooperativa de laticínios da Índia, RS Sodhi, acusou a Austrália e a Nova Zelândia de tentarem destruir a indústria local. Já quebraram o mercado lácteo do Sri Lanka, e uma “agenda oculta” dos dois países é acabar com a autoconfiança da Índia na produção de leite, afirma ele. Estratégia semelhante foi adotada no Sri Lanka, dizendo que perturbavam o comércio de lá.
Nova Zelândia
Dentro do Nova Zelândia, a primavera começa a esquentar, depois de um início, relativamente frio, e um crescimento mais lento. Houve até irrigação em algumas regiões de Canterbury, que foram interrompidas depois das chuvas recentes. O novo sistema de irrigação CPW provocou um comportamento perverso dos irrigadores. Como o assunto água está sob pressão, os custos de energia destinada aos motores são mínimos e os agricultores pagam pela água, seja ela utilizada ou não, e isto significa baixo custo para manutenção do solo. Há, no entanto, risco de redução dos fluxos dos rios, o que significa que os agricultores são obrigados a “comprar” a água armazenada nos lagos, em algum momento, o que tem um custo elevado. Portanto, melhor “armazenar” água no solo.
A produção de leite, embora ainda esteja muito cedo para prever, até o final de setembro, entretanto, o volume estava 2% acima do registrado no mesmo período do ano passado, havendo umidade generalizada, e um período pós-parto com bons resultados.
Fonterra
Alguns das principais reuniões estão se aproximando, e no dia 7 de novembro haverá a Assembleia Geral Anual em Invercargill, e logo depois, no dia 11, a Assembleia Geral Anual do fundo dos acionistas da Fonterra.
Com as ações da Fonterra sendo negociadas a NZ$ 4,00, parece que existe um período de calmaria, pelo menos até a divulgação dos próximos relatórios econômicos.
















