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Especiais Selectus nº 5758

Reino Unido – Indústria de laticínios reage ao regimento temporário de tarifas

Brexit/Lácteos – Os processadores de lácteos responderam às mudanças no regime de tarifas anunciados pelo governo do Reino Unido, o que pode custa cerca de € 1,48 bilhões de perdas potenciais para o setor.

Fonte: Dairy Industries – Tradução livre: Terra Viva

As indústrias de laticínios britânicas reagiram ao cronograma de tarifas temporárias que foi estabelecido pelo Parlamento, dizendo que não estão reconhecendo os danos reais e iminentes de um Brexit sem acordo para o setor lácteo.

Atualmente, a grande maioria das exportações de lácteos do Reino Unido vão para o mercado da União Europeia (UE), e no caso de um Brexit sem acordo, a UE imporia as tarifas da Organização Mundial do Comércio (OMC) a esses produtos. São tarifas muito elevadas e tornariam os lácteos britânicos incapazes de competir no mercado da UE.

Em termos reais, isso deixaria sem mercado 150 mil toneladas de queijo e 33 mil toneladas de manteiga, criando um enorme colapso do preços ao produtor. Entre todos os produtos, o resultado seria perda potencial de £ 1,3 bilhões para outros mercados mais competitivos.

Embora o governo tenha se comprometido a estabelecer tarifas sobre produtos lácteos selecionados, essas tarifas não serão aplicadas a todos laticínios e é muito difícil que os processadores britânicos tenham condições equitativas. O resultado seria a perda do mercado europeu, enquanto os produtos da UE continuarão a entrar no país, com tarifas baixas, ou sem tarifas. Além disso, o Reino Unido seria um mercado potencial para países de fora da UE, com tarifas bem mais baixas.

A entidade que representa o setor rural no Reino Unido, a Dairy UK, disse que, se um acordo não for possível, o governo deve estabelecer tarifas recíprocas para proteger a indústria e dar a ela a chance de sobreviver. Sem isso, o governo terá que dar apoio financeiro aos agricultores para protegê-los de possíveis colapsos de preços no curto prazo e pensar em quais medidas as empresas podem precisar para ajudá-las enfrentar um futuro comercial incerto. A UE respondeu por mais de 90% do volume exportado de lácteos em 2018, e na ausência de tarifas recíprocas haverá um colapso no mercado lácteo britânico.

A Diretora Executiva da Dairy UK, Judith Bryans, disse: “À medida que o 31 de outubro se aproxima, precisamos que o governo faça um acordo. Não se trata de permanecer ou sair, é a incerteza, a instabilidade e o desastre que o Brexit poderá colocar nas portas das indústrias que ajudam a alimentar esse país e contribuem para sua economia. Em reiteradas ocasiões manifestamos nossas preocupações sobre um cenário sem acordo, bem como nossas preocupações sobre esse regime tarifário liberal, que não chega nem perto, nem é suficiente para garantir a sobrevivência da indústria. Está na hora do governo começar a ouvir. Agora precisamos de uma ação rápida e eficaz para proteger a indústria de laticínios, em particular, o queijo britânico. Caso contrário, veremos alguns de nossos produtos lácteos, empresas e agricultores de nível mundial, sucumbirem.

Nossa preferência é um acordo. Um que nos permita ter um comércio aberto, sem atrito com o nosso maior cliente, a UE. Se isso não acontecer, o governo precisa impor tarifas recíprocas para nivelar o campo de atuação e implementar um pacote de medidas de mitigação, antes que as empresas sejam destruídas”, concluiu Bryans.

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