Monitoramento de custos deve fazer parte do planejamento da atividade leiteira
Custos Leite - O controle dos custos de produção na pecuária leiteira, ferramenta primariamente utilizada na avaliação do resultado financeiro da propriedade, também pode ser empregada no planejamento da atividade.
A utilização desse instrumento de gestão possibilita a tomada de decisões a partir de indicadores econômicos, financeiros e técnicos. A metodologia do projeto Campo Futuro divide os custos de produção em três esferas. A primeira, Custo Operacional Efetivo (COE), engloba os desembolsos da atividade (mão de obra, suplementação mineral, concentrado, sanidade, insumos e operações para manutenção de culturas perenes e para implantação de culturas anuais, custos administrativos e impostos). A segunda, Custo Operacional Total (COT), considera o COE, pró-labore e depreciações. A terceira, Custo Total (CT), é composta pelo COT acrescido da remuneração, do capital investido em benfeitorias, equipamentos, máquinas, utilitários, rebanho e forrageiras, bem como o custo de oportunidade da terra, calculado com base no valor do arrendamento possível na propriedade. Subtraindo o COE, o COT e o CT da Receita Bruta (que, por sua vez, compreende a soma do valor obtido com comercialização de leite e animais), obtêm-se, respectivamente, a Margem Bruta (MB), a Margem Líquida (ML) e o Lucro. Ao relacionar esses dados econômicos a indicadores técnicos, o produtor obtém informações valiosas que podem contribuir para o planejamento da atividade. Para embasar a decisão de compra de uma matriz, o produtor pode comparar o preço do animal com a margem bruta por vaca, obtida pela divisão entre a margem bruta e o total de vacas em lactação. Por exemplo, se o produtor está avaliando a aquisição de uma vaca semelhante às de seu rebanho por R$ 5.000,00 e a margem bruta por vaca em lactação na propriedade é R$ 1.000,00, ele deve ficar ciente de que esse animal demorará 5 anos para se pagar. Assim, chega-se à conclusão de que animais com idade avançada, que já tiveram várias lactações, não são indicados para reposição nesse rebanho. A mão de obra, um dos principais gargalos da atividade leiteira, é outro exemplo de custo que pode ser avaliado a partir de indicadores técnicos e econômicos. Em sistemas com ordenha mecanizada, a produtividade da mão de obra deve ser de, no mínimo, 300 litros/colaborador/dia. Esse indicador é obtido pela divisão da produção diária de leite pelo número de pessoas envolvidas na atividade leiteira. Além disso, deve-se avaliar o percentual da receita que fica comprometido com a mão de obra. Em propriedades eficientes, ao se dividir os custos com mão de obra pela receita, obtém-se valores entre 10% e 15%. Analisando a produtividade da mão de obra e o quanto esse custo compromete da receita, o produtor pode avaliar se o quadro de funcionários da propriedade está ou não compatível com a realidade produtiva. O concentrado, que geralmente é o principal custo da atividade leiteira, também deve estar presente no planejamento da atividade, visto que pequenas adaptações podem gerar um efeito considerável nas margens da pecuária leiteira. Em geral, em propriedades eficientes, os custos com concentrado comprometem cerca de 35% da receita da atividade. Se ao realizar a análise de custos, os desembolsos com esse grupo de insumos estiverem superiores ao valor de referência, o produtor deve voltar-se ao seu sistema para tentar minimizar esse impacto. É possível analisar se os animais estão sendo separados em lotes de acordo com a categoria, produção de leite e curva de lactação, para que suas necessidades sejam atendidas, permitindo que seu potencial produtivo seja demonstrado. Caso esse arraçoamento estratégico já tenha sido implementado na propriedade, deve-se analisar a inclusão de subprodutos na dieta, o que pode baratear os custos com alimentação. Para que o controle de custos de produção possa ser empregado no planejamento da atividade, é fundamental que o produtor adote o hábito de realizar anotações no dia a dia da propriedade. E simplesmente anotar os dados econômicos e técnicos não é suficiente para obter uma ferramenta de gestão. É também necessário contar com apoio de assistência técnica e gerencial para que os dados sejam transformados em informação e ajustes mais assertivos sejam realizados para aumentar a produtividade.

















