Fonterra enfrenta sua maior perda, depois de depreciações
Fonterra – A agência de classificação de risco S&P alertou que a Fonterra poderá ter sua nota rebaixada, se não solucionar rapidamente o seu endividamento, no momento em que a cooperativa se aproxima de sua maior perda.
A Fonterra disse que a baixa contábil de ativos em valores que variam entre NZ$ 820-NZ$ 860 milhões, principalmente em negócios no exterior, levará à perda de aproximadamente NZ$ 675 milhões, [US$ 435 milhões), no ano financeiro de 2018/19.
Será a segunda vez que a cooperativa irá registrar prejuízo, desde sua formação, em 2001. Sua primeira perda no ano passado foi de NZ$ 196 milhões.
A cooperativa disse que não pagará dividendos este ano, no dia 31 de julho, para poder pagar dívidas, mas, disse que os valores de NZ$ 6,30 a NZ$ 6,40/kgMS estarão garantido para 2018/19, e que a previsão para 2019/20 está entre NZ$ 6,25 a NZ$ 7,25/kgMS.
O Diretor Executivo, Miles, Hurrell, disse que a cooperativa fez ajustes contábeis importantes. “Nosso fluxo de caixa continua forte, nossa dívida caiu e negócios subjacentes foram reduzidos dentro de nosso objetivo de manter a remuneração das ações entre 10 e 15 centavos”. A S&P disse que qualquer hesitação em seu compromisso de restaurar a saúde financeira colocaria a nota de crédito A da Fonterra sob pressão para baixa imediata.
A agência disse que suspender o pagamento dos dividendos “é triste, mas, necessário” como parte do plano de recuperação da cooperativa.
A redução dos encargos foi “notável”, mas não era em dinheiro, e não afetou o perfil do risco da Fonterra. A agência ainda observou que os lucros subjacentes do grupo no ano encerrado em 31 de julho de 2019 estão substancialmente abaixo dos registrados no ano anterior. O fato de suspender o pagamento dos dividendos mostra o compromisso do grupo em proteger os interesses dos credores.
“Acreditamos que a revisão da estratégia e do portfólio da Fonterra resultará em uma abordagem mais disciplinada sobre a aplicação do capital e dará maior versatilidade ao desempenho operacional”, disse a S&P. Em nossa opinião, esse resultado mostra um perfil de ganhos mais estável.
Desde setembro de 2018, a Fonterra vem reavaliando seus investimentos, principais ativos e parcerias.
Se retirou do investimento na DPA Brasil de NZ$ 200 milhões, principalmente devido às condições econômicas locais. Anunciou a venda de seus negócios na Venezuela, no valor de NZ$ 135 milhões.
O valor contábil da China Farms foi desvalorizado em NZ$ 200 milhões, alinhando ao desempenho operacional que veio abaixo do projetado.
Os negócios na Nova Zelândia, diante de desafios operacionais, tiveram uma recuperação mais lenta do que o esperado, e não atingiram a participação de mercado planejada, resultando em nova reavaliação de ganhos futuros, o que representou baixa de mais NZ$ 200 milhões.
O negócio de Ingredientes Lácteos na Austrália resultou na perda de outros NZ$ 70 milhões.
O preço da ação da Fonterra na Bolsa de valores caiu 19 centavos, fechando em NZ$ 3,57, 5% abaixo do valor de sexta-feira.
A Fonterra já perdeu um quarto de seu valor nos últimos 12 meses.
Para o analista da Harbour Asset Management, Oyvinn Rimmer as baixas contábeis “não são propriamente uma surpresa”, mas a suspensão dos dividendos é um golpe. “Estrategicamente estão fazendo a coisa certa, embora seja desapontador”, disse Rimer. “A pergunta que fica é: isso é tudo? ou virá mais?”.
















