De olho no mercado indiano de lácteos
Índia – Guy Trafford analisa a indústria de laticínios da ìndia. A Fonterra tem seu olho lá também. Mesmo que muitos aspectos possam ser inesperados, ele conclui que a aventura provavelmente não será um Eldorado para a Fonterra.
Quando se trata de pecuária leiteira, um dos maiores enigmas é a Índia. O maior produtor mundial de leite, responsável por 22% da produção total (duas vezes a produção dos Estados Unidos), tem cerca de 3,6 milhões de propriedades produzindo leite, com aproximadamente 300 milhões de vacas. Muitas unidades têm apenas uma ou duas vacas, empurrando a média para baixo.
No entanto, a maior fazenda da Índia tem 3.000 vacas, é familiar e utiliza o sistema de confinamento. Assim como no resto do mundo, o número de fazendas vem caindo e a relação fazenda/tamanho do rebanho vem aumentando. A produção na Índia está crescendo mais rapidamente do que qualquer produtor de leite de grande escala.
O plano nacional fez a produção crescer 4,2% por ano, no entanto, nos últimos dois anos a taxa se aproximou de 6% e nos últimos seis anos nunca caiu abaixo de 4,5%. Em 2017/18 foram produzidas 176 milhões de toneladas de leite, mas, o objetivo é chegar a 240 milhões de toneladas. Uma das diferenças de suas similares do Ocidente, é que das 176 milhões de toneladas produzidas, 50 milhões ficam para consumo próprio.

Muitos produtores de leite são filiados a cooperativas das aldeias ou grupos distritais e a eficiência para obter retorno é de fazer inveja aos produtores neozelandeses. Cerca de 80 a 86% do que é pago pelos consumidores ficam no bolso dos produtores. (Na realidade o produtor é a mulher da casa. Os homens trabalham fora).
O custo de produção, mesmo em pequena escala, é competitivo com os produtores da Nova Zelândia, da Austrália e certamente abaixo do da União Europeia (UE). O retorno é o equivalente a NZ$ 586 por vaca (2014-15) ou NZ$ 760, [R$ 1.898,55], estimado em 2017/18.
Outra diferença surpreendente é que cerca de 33% de todas as vacas leiteiras são búfalos e fornecem cerca de 55% do leite total. A maior fazenda da Índia está em Pune e tem um rebanho de 3 mil cabeças de Holstein, mas, é uma raridade.
O retorno (ignorando a escala) está crescendo cerca de 9% ao ano e os preços permanecem positivos diante de uma forte política protecionista do Governo Federal Indiano. Isso coloca a Índia como o 96º país em termos de volumes de importação de leite. Mesmo a Nova Zelândia estão colocada em 61º lugar entre os importadores.
Entre os países que exportam para a Índia, a Nova Zelândia ocupa o terceiro lugar, atrás da França e da Turquia. Mesmo com 1,4 bilhão de habitantes, os produtores da Nova Zelândia não devem ter muitas esperanças de chegar ao mercado indiano para melhorar os resultados. Ainda assim a Fonterra mantém sua ambição de aumentar suas vendas na ìndia com sua marca Dreamery, através da joint venture entre a Fonterra Future Group e a Índia Future Foods. Os produtos são elaborados a partir de leite de búfalo, coalhada e leites aromatizados batidos. Mas, pelas razões acima, mais tarifas, etc, comentaristas consideram o mercado indiano “um osso duro de roer”.
















