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Economia Selectus nº 5660

Redução da oferta de bitcoin poderá valorizar as criptomoedas em 2019

Criptomoedas - Apesar da volatilidade ser um princípio constante no mercado, especialistas reiteram que o avanço do setor será mais maduro daqui para frente e terá impactos menores aos investidores.

Fonte: DCI

A proximidade do terceiro “halving” do bitcoin – período onde a recompensa pela mineração do ativo se reduzirá pela metade do valor atual – pode trazer novas altas ao preço das criptomoedas em 2019. A expectativa é de um avanço mais maduro e menos impactante.

Esse corte na gratificação tem como objetivo prolongar o incentivo à mineração (processo de criação das novas moedas por meio de cálculos matemáticos e criptografia) e a longevidade do ativo, além de aumentar sua valorização no longo prazo por meio da escassez da oferta.

Para a especialista em Blockchain Tatiana Revoredo, tanto o halving quanto a proximidade do limite de 21 milhões de unidades de bitcoin no mercado podem influenciar no preço da moeda.

“Diferente de 2017, onde muitos investidores influenciaram o valor máximo do ativo e, depois, sua consequente desvalorização, essa tendência de aumento no preço é bem mais madura. O crescimento deve ser de três a cinco anos”.

O boom de 2017 foi influenciado, principalmente, pela forte entrada de investidores ante a crescente popularidade do ativo. O aumento da demanda fez com que o bitcoin atingisse seu preço máximo, próximo de R$ 69.200. Atualmente, seu preço está em torno de R$ 35.500, 48,7% menor.

“Passada a euforia de 2017, a cotação, agora, veio para um patamar bem mais estável e realista. E isso é positivo para o setor”, pontua o CEO da Z.ro Bank, Edísio Pereira Neto.

O potencial de crescimento da moeda, por outro lado, está bastante vinculado à expectativa de uma regulamentação no mercado brasileiro.

Mas não foi até recentemente, no último 15 de maio, que a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), do Senado, aprovou o requerimento do senador Flávio Arns (Rede-PR) para a realização de uma audiência pública em conjunto com a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) para a regulamentação do mercado de criptoativos no País.

Segundo o sócio fundador do Mercado Bitcoin, Gustavo Chamati, as regras são esperadas e necessárias e têm sido tema principal dos diálogos entre o setor, o Banco Central (BC) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

“O mercado sempre foi muito diligente em manter um time de compliance próximo ao de instituições financeiras e, para determinadas situações, é até mais exigente”, diz.

O advogado especialista em mercado financeiro Aloísio Matos, por sua vez, reitera que uma vez que o “jogo de empurra-empurra” entre BC e CVM se dá pela multifuncionalidade do ativo tanto para investimento quanto para transações, faz sentido que um órgão maior se responsabilize.

“O próprio COAF [Conselho de Controle das Atividades Financeiras, do Ministério da Economia], por exemplo, pode assumir essa competência residual sobre determinados segmentos. Mas precisamos esperar para ver”, Matos.

Alternative coins

Os especialistas reiteram, ainda, que esse movimento de valorização pode influenciar também as chamadas “altcoins” ou “alternative coins”, as demais criptomoedas do mercado. “Geralmente, quando o bitcoin sobe, as altcoins perdem valor, pois são ativos em construção e consolidação e estão mais suscetíveis à percepção de falta de segurança quando algum ataque pontual acontece”, afirma Revoredo.

Já segundo Chamati a vulnerabilidade no quesito segurança vem de onde o investidor guarda seus ativos. “Por isso, é importante entrar no mercado entendendo como o sistema funciona e quais os serviços de guarda necessários e apropriados, para que tudo seja feito de maneira segura”, conclui.

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