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Especiais Selectus nº 5642

EUA - A Agropecuária está sendo dominada cada vez mais por grandes fazendas

Produção/EUA – A cada cinco anos o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) faz o censo agropecuário. O último levantamento foi divulgado nas últimas semanas. Os números dizem que o que era grande está ficando maior. Junto com essa informação fica claro que a agricultura familiar continua em declínio.

Fonte: interest.co.nz – Tradução livre: Terra Viva

Isso é particularmente acentuado no caso do leite. No entanto, ocorre também na agricultura, onde as novas gerações dos agricultores familiares preferem a vida urbana, mas, não necessariamente vendem a terra. Com isso o leasing de terras cresce, particularmente nas regiões agrícolas do Meio Oeste.

No total, existem mais de dois milhões de fazendeiros norte-americanos. Setenta e cinco por cento da produção vem de apenas cinco por cento deles. Mais da metade dos agricultores norte-americanos estão no vermelho. A média de idade dos fazendeiros dos Estados Unidos é agora, de 57,5 anos, 1,3 anos a mais em relação a cinco anos atrás.

Para entender a grande escala da agricultura norte-americana, é necessário conhecer alguma coisa sobre os imigrantes vindos do México e da América Central. Sem novos imigrantes não há ninguém para trabalhar nas grandes plantações e fazendas.

Muitos dos trabalhadores imigrantes não possuem documentação. No entanto, o sistema tem uma dispensa de registro online de trabalhadores.

Documentos falsos também são facilmente obtidos. Apesar da retórica, o sistema sobrevive porque é do interesse de todos. Os trabalhadores conseguem empregos com remuneração melhor do que em seus países de origem, e os fazendeiros gostam, porque são trabalhadores dedicados. E até o governo gosta, porque o trabalhador ilegal acaba pagando a previdência social, sem, contudo, poder reclamar os benefícios.

A indústria de laticínios norte-americana também produz mais leite do que o necessário para o consumo interno. O excedente é exportado, principalmente para o México, mas, também para outras regiões. O consumo per capita nos Estados Unidos vem caindo drasticamente há mais de 30 anos, mas o consumo de queijo aumenta. De fato, o queijo é muito mais importante do que o leite fresco. Isso significa que produtores e consumidores podem estar em diferentes pontos do país.

A fazenda leiteira média tem cerca de 250 vacas, mas a média pode induzir em erro. Sessenta e cinco por cento das fazendas, em 2017, tinham menos de 100 vacas e produziam apenas 11% do leite do país. Cinquenta e sete por cento do leite da nação foi produzido em menos de 2.000 fazendas, e, em cada uma delas tendo mais de 1.000 vacas. A maior fazenda tem 60.000 vacas.

O número de fazendas de leite diminuiu de 50.000 em 2012, para 39.000 no final de 2017. Vinte anos atrás eram 100.000 fazendas produzindo leite.

Apesar desse declínio, o volume de leite continua aumentando. Isto ocorre porque grandes fazendas substituem muitos pequenos produtores. Além disso, a produção animal continua crescendo 1,3% ao ano.

A vida nas fazendas leiteiras é difícil

Nas produções familiares, as vacas são ordenhadas duas vezes ao dia, todos os dias do ano. Nas grandes fazendas, com milhares de vacas, os trabalhadores, provavelmente hispânicos, a língua falada nas salas de ordenha é sempre espanhol. Nestas grandes fazendas, as vacas são ordenhadas três vezes ao dia e a sala de ordenha funciona 24 horas, parando apenas para limpeza. Os trabalhadores recebem cerca de US 11,00 por hora, muitas vezes, por opção, trabalham em turnos de 12 horas, 6 dias por semana. Só assim podem progredir. Eles fazem isso para si e para seus filhos.

Nos últimos cinco anos, a economia da indústria de laticínios foi particularmente difícil. Com a produção acima do consumo interno, o preço ao produtor, está vinculado ao preço de exportação. O dólar muito valorizado não ajudou. As grandes fazendas, com o trabalho dos hispânicos e operações eficientes conseguem algum resultado. Mas, os pequenos produtores, em sua maioria, encontram-se endividados.

Assim, muitos deles vendem suas vacas, aceitam empregos nas cidades e arrendam suas terras.

A agricultura norte-americana é predominantemente no Centro-Oeste, onde os solos são férteis. Muita tecnológica, para grandes máquinas e grandes fazendas, e rendimentos cada vez maiores. Tudo gira em torno do milho, da soja, e às vezes trigo. Grande parte da ração é destinada a suínos, aves e gado confinado. Essas empresas pecuárias são tipicamente grandes operações empresariais. A produtividade média do milho aumentou de 134 bushels por acre, [9011 kg/hectare], em 1998, para 154 bushels por acre, [10.356 kg/hectare], em 2008, e 176 bushels por acre, [11.836 kg/hectare], em 2018.

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