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Especiais Selectus nº 5642

Argentina – o consumo de leite caiu aos níveis de 2003

Consumo/AR – O Observatório da Cadeia Láctea Argentina (Ocla) publicou dados alarmantes em relação à cadeia láctea: o consumo médio anual caiu para 183 litros por pessoa no primeiro bimestre do ano.

Fonte: Conclusión – Tradução livre: Terra Viva

A crise econômica persistente que atravessa o país oferece cenários de deterioração social alarmantes, em especial pela incapacidade do Governo para controlar a escalada inflacionária, que é exponencial em produtos de primeira necessidade, em especial, alimentos.

O caso mais problemático se viu nas últimas semanas no segmento lácteo, com o aumento nos preços e desabastecimento nos supermercados de marcas mais baratas por uma decisão empresarial monopolista.

O consumo médio de leite caiu para 183 litros anuais, por habitante, no primeiro bimestre de 2019, em comparação com igual período do ano passado. É o nível mais baixo desde 2003, quando ficou em 179 litros em média, revelou o relatório do Ocla.  

Argentina – o consumo de leite caiu aos níveis de 2003

O observatório atribui a queda a distintos motivos: a combinação de menor produção no início do ano (caiu 8,3% no primeiro trimestre), a liquidação de estoques em 2018, para produtos com melhores condições de exportação (subiu 37% em toneladas) por necessidade de fazer caixa no mercado doméstico, somado à baixa no consumo, muito importante no final de 2018 e início de 2019, que “gerados, obviamente, pela menor oferta”.

Argentina – o consumo de leite caiu aos níveis de 2003

“Essa menor oferta no mercado interno foi mais intensa no item leite fluido e dentro deles sua versão refrigerados, que fundamentalmente é o produto de maior consumo, pela diferença de preços entre os pacotes de leite e aqueles apresentados em embalagens cartonadas e a menor quantidade de marcas disponíveis nas gôndolas (baixa disponibilidade de matéria-prima e/ou plantas desativadas)”, esclareceu o boletim do Ocla.

Por outro lado, dias atrás o presidente da Sociedade Rural Argentina (SRA), Daniel Pelegrina, afirmou que a elevação de preços do leite se deve “à queda na produção”, e previu que o problema será resolvido “na primavera, quando houver novos aumentos de produção”.

O dirigente acrescentou que “hoje temos o mesmo nível de produção de leite de 15 anos atrás, e desde então foram fechadas 2.000 fazendas de leite. Quanto mais produção houver, melhor”.

Pelegrina também destacou que “a exportação também demanda mais porque melhoraram os preços e é preciso cumprir com compromissos no exterior”, em referência à desvalorização cambial que melhorou a competitividade para a venda de lácteos, a custo do consumo local, segundo acusaram muitos especialistas do ramo.

Apesar de tudo, o dirigente assegurou que “apenas foram exportadas 20% da produção, tanto de carne como de leite”.

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