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Especiais Selectus nº 5608

Concorrência entre as indústrias por produtores, para evitar capacidade ociosa

Captação/AR – As principais indústrias de laticínios da Argentina começaram a “roubar” produtores entre elas, diante da necessidade de abastecer de leite em um cenário de oferta decrescente.

Fonte: valorsoja – Tradução livre: www.terraviva.com.br

Semelhante medida – um último recurso do setor industrial, uma vez que as empresas preferem transferir o leite depois de captado – está promovendo uma alta substancial dos valores recebidos pelos produtores.

A média nacional paga pelas principais 18 indústrias em janeiro passado foi de 9,83 pesos/litro, ou US$ 0,26/litro, enquanto que em fevereiro já estaria acima de 10,5 pesos por litro, podendo superar 11 pesos por litro no mês de março.

Em janeiro de 2019 – em decorrência do estresse calórico – a produção de leite foi de 820 milhões de litros, 7,3% abaixo em relação ao mesmo mês de 2018.

“Para fevereiro de 2019 os indicadores apontam para uma queda semelhante, inclusive maior em algumas bacias”, destacou o último boletim do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (Ocla), ainda que a projeção para março seja de incremento, embora “não seja suficiente para recuperar a queda de fevereiro”.

O estoque de lácteos em geral e de leite em pó nas indústrias – principalmente leite integral – é um dos mais baixos da última década. O Boletim do Ocla adverte que “o período de produção mínima, janeiro a abril, o estoque de lácteos é insuficiente para atender emergências”, tanto do mercado local como externo.

Ainda que o consumo interno esteja muito baixo com a crescente pauperização do consumidor argentino, a crescente informalidade impacta nas principais indústrias de laticínios, que se encontram, no entanto, em situação mais favorável para colocar lácteos nos mercados internacionais.

Em janeiro de 2019 – segundo os últimos dados oficiais – as exportações argentinas de produtos lácteos foram de 26.198 toneladas, gerando US$ 72,7 milhões em divisas, o que representou incremento interanual de 15% em volume, e de 1,5% em valor.

A necessidade de captar e oferecer um maior valor para o leite, evitando a elevação da capacidade ociosa a níveis críticos, é um momento crítico para as indústrias porque, muitas operam já com déficit.

O “valor de referência da demanda” em janeiro deste ano das grandes empresas (as que integram o CIL-Centro da Indústria de Laticínios), foi de 8,42 pesos por litro, contra a média paga aos produtores que foi de 9,83 pesos por litro, segundo cálculos realizados pelo Instituto Argentino de Professores Universitários de Custos (Iapuco) em conjunto com o INTA (Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária).

No caso da Pymes lácteas (que operam com distribuição regional e estão integradas à Apymel - Associação das Pequenas e Médias Indústrias de Laticínios), o valor de referência de janeiro passado foi de 9,13 pesos por litro, ou seja, ficou bem abaixo do preço médio pago aos produtores de leite.

O “valor de referência da demanda” expressa a capacidade de pagamento pelo litro de leite cru por parte das indústrias em condições normais de operação e para uma situação de rentabilidade zero.

Esta semana a Radio Belgrano de Suardi (Santa Fe) informou que a empresa de laticínios Verónica (integrante do CIL) solicitou ao Ministério da Produção e Trabalho o Procedimento Preventivo de Crises (PPC).

A empresa tem três fábricas e emprega 700 pessoas. “Nestes momentos o uso de sua capacidade instalada está entre 30 e 40% aproximadamente, já que tem uma capacidade processamento de uns 600.000 litros de leite por dia, mas, está industrializando não mais que 200.000”, disse a Radio Belgrano de Suardi.

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