Pular para o conteúdo
TerraViva TerraViva®O site do agronegócio do leite desde 1995
Piracanjuba
Especiais Selectus nº 5573

Relatório recomenda redução no consumo de lácteos

Lácteos sustentáveis – O relatório da Comissão EAT-Lancet sobre dietas saudáveis oferece a primeira revisão científica completa do que constitui uma dieta saudável de um sistema sustentável de produção, e quais ações podem apoiar e acelerar a transformação do sistema alimentar.

Fonte: Dairy Reporter – Tradução livre: www.terraviva.com.br

O relatório da Comissão aborda a necessidade de alimentar uma população global crescente com uma dieta saudável, definindo ao mesmo tempo sistemas alimentares sustentáveis que minimizem os danos ao nosso planeta. É descrita uma dieta universal de referência, baseada no aumento do consumo de alimentos saudáveis (como vegetais, frutas, grãos integrais, legumes e nozes) e redução no consumo de alimentos não saudáveis (como carne vermelhar, açúcar e grãos refinados).

Para os produtos lácteos, a recomendação é o consumo diário de 250 gramas de leite ou derivados, como por exemplo, queijo.

O relatório observa que a alta ingestão de produtos lácteos, pelo menos três porções ao dia, tem sido amplamente promovida nos países ocidentais para a saúde óssea e prevenção de fraturas, principalmente devido ao alto teor de cálcio. No entanto, continua, a ingestão ideal de cálcio ainda é uma incógnita. As recomendações nos Estados Unidos de 1.200 mg/dia são derivadas de estudos com duração de 3 semanas ou menos, que provavelmente, refletem movimentos transitórios de cálcio dentro e fora do osso, em vez de exigências de longo prazo.

Uma revisão da Organização Mundial de Saúde (OMS), observou regiões com baixa ingestão de laticínios e cálcio, com taxas de fraturas menores do que em regiões com alto consumo de laticínios. Concluiu que 500 mg/dia é adequado, e menor ingestão pode ser o suficiente para pessoas que vivem em regiões com baixas taxas de fratura. O Reino Unido concluiu que 700 mg/dia é um consumo adequado, de acordo com o relatório.

Essas quantidades menores de consumo têm implicações importantes para as recomendações dietéticas, porque muitos alimentos contêm quantidades modestas de cálcio, e, comer uma dieta com grande variedade de alimentos, sem laticínios, poderá chegar à ingestão diária de 300-400 mg de cálcio/dia, diz o relatório.

O estudo diz que os dados sobre o consumo de produtos lácteos durante a infância e a adolescência e os resultados para a saúde no longo prazo são escassos, mas, a alta ingestão tem sido promovida devido ao crescimento do esqueleto. No entanto, o relatório aponta para estudos que o alto consumo de leite em meninas adolescentes não foi associado com redução do risco de fratura de quadril na vida adulta, e em meninos adolescentes, o alto consumo de leite foi associado com aumento do risco de fraturas, [Ver capítulo do Livro da FAO).

Além disso, observa, estudos prospectivos não mostram um aumento ou diminuição significativo no risco de mortalidade geral ou doença cardiovascular com o aumento do consumo de lácteos, embora a mortalidade geral e cardiovascular provavelmente diminua se os lácteos forem substituídos por nozes e outras fontes vegetais de proteínas.

O relatório também observa que, embora os laticínios com baixo teor de gordura possam ser preferíveis para a saúde, quase toda a gordura do leite que é produzida permanece na alimentação humana, geralmente como manteiga ou creme. Assim, produtos lácteos com baixo teor de gordura terão pouco efeito geral sobre a saúde da população, porque a gordura é consumida de outra forma.

Argumentam, ainda, que o consumo de óleos vegetais não saturados transmite menor risco de doença cardiovascular do que o consumo de manteiga de leite. Portanto, a ingestão recomendada na dieta de referência do relatório é de 250 g/dia.

Sustentabilidade

No entanto, não é apenas na seção de dietas que os lácteos são mencionados. Sobre a produção sustentável, os autores afirmam que “Muitos estudos avaliaram os efeitos ambientais de várias dietas, com a maioria encontrando efeitos decrescentes com o aumento da substituição de alimentos de origem animal por alimentos de origem vegetal. Dietas veganas ou vegetarianas foram associadas com maiores reduções nas emissões de gases de efeito estufa e uso da terra, e as dietas vegetarianas, com redução no consumo de água”.

O relatório acrescenta que “ficar dentro do limite sustentável com as mudanças climáticas pode ser alcançado alterando para dietas vegetarianas. Aumentar o consumo de leite e derivados de 250 g/dia da dieta de referência, para 500 g/dia (o nível inferior das recomendações nos Estados Unidos) aumenta a emissão de gases de efeito estufa e os efeitos totais sobre o meio ambiente”.

Resposta da Dairy UK

A Diretora Executiva da Associação Britânica Dairy UK, Jurdith Bryans, disse que o relatório “é uma contribuição bem-vinda ao debate sobre dietas sustentáveis. O nível de consumo recomendado é muito menor do que as orientações dietéticas em todo o mundo. Os lácteos são fontes valiosas de nutrientes, contendo, cálcio, iodo, vitamina B, proteínas e têm um importante papel no combate à desnutrição. Ao nível global, os lácteos desempenham um papel importante para atingir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, ajudando no combate à fome e pobreza, melhorando a qualidade de vida de milhões de pessoas e apoiando o empoderamento das mulheres. Os produtores de leite também são grandes gestores de terras pelo mundo e tanto produtores como processadores podem ter um grande papel na proteção da biodiversidade”.

Judith concluiu dizendo que a indústria de laticínios britânica fez grandes progressos na melhoria do impacto ambiental, alcançando redução de 24% nas emissões de gases associadas à cadeia láctea entre 1990 e 2015. “Nosso progresso e inovação tem inspirado indústrias de laticínios em todo o mundo, que procuram utilizar nossos modelos para melhor o impacto ambiental”.

G100
Publicidade
Tirolez
Publicidade
Arla Foods Ingredients