Pular para o conteúdo
TerraViva TerraViva®O site do agronegócio do leite desde 1995
Piracanjuba
Negócios Selectus nº 5562

Demanda fraca desafia Nestlé nas Américas

Nestlé - A Nestlé tem um problema de demanda nada trivial em seu maior mercado, o continente americano. Na América Latina, em especial no Brasil, o consumo fraco dificulta elevar os preços. E nos Estados Unidos, o ritmo de crescimento da renda é menor do que há dez anos.

Fonte: Valor Econômico

O resultado dessa conjuntura é que enquanto as vendas globais da companhia cresceram 2% no ano passado, até setembro, nas Américas encolheram 2,9%. "A América está se recuperando de uma crise importante, que bateu duro, especialmente no Brasil", disse ao Valor o presidente da Nestlé para as Américas, Laurent Freixe, que recentemente esteve em São Paulo. A Nestlé opera no mercado latinoamericano "em um contexto de consumo fraco, com deflação de preços em alguns casos".

Nos EUA, "a economia se comporta bem, mas o consumo só agora começa a se recuperar". Freixe observa que o desemprego vem caindo na maior economia do mundo, mas os salários se mantêm em níveis muito baixos e a renda disponível cresce em ritmo menor do que em 2008, quando a quebra do banco Lehman Brothers detonou profunda depressão econômica de dimensões globais. E, como observa, os reflexos dessa crise ainda se fazem sentir. Além disso, os orçamentos das famílias - e não somente nos EUA, mas também em outras regiões - vêm dedicando mais espaço para gastos com comunicação, tecnologias digitais e outras despesas atreladas ao lar. Sobra menos dinheiro, então, para alimentos não essenciais.

Demanda fraca desafia Nestlé nas Américas

Há ainda, compondo o cenário, a disputa comercial entre a Casa Branca e a China e o discurso muitas vezes belicoso do presidente Donald Trump. Mas Freixe não parece se preocupar muito com isso. "Precisamos ver que há discursos e há fatos". Ele cita como exemplo o acordo de livre comércio entre EUA, Canadá e México. Depois de várias ameaças por parte de Trump, de deixar os mexicanos de fora, o acordo foi renovado "e o México está dentro". "Assim, há discursos e há a realidade. Eu prefiro ver o copo meio cheio". Freixe consegue ver um cenário mais favorável neste ano de 2019 na América Latina. "Na América do Norte pode ser que haja pequena desaceleração, mas estamos confiantes em que a dinâmica do consumo vá se manter". Observa que os preços do petróleo, em patamares mais baixos, podem ajudar. E espera que a tendência do câmbio, que teve forte impacto nos resultados da Nestlé, ao longo de 2018, com o dólar se fortalecendo em relação a outras moedas, contribua para um "entorno mais favorável". Na América Latina, Freixe espera que os novos governantes, sejam de direita ou de esquerda, invistam em educação, infraestrutura e respeitem o Estado de Direito. "O que se fizer nesse caminho, favorecendo o investimento, pois não há crescimento sem investimento, é positivo". Mas Freixe não aposta apenas em um cenário mais positivo para ampliar as vendas nas Américas. "O entorno é uma coisa e nosso nível de competitividade é outra". A companhia tem buscado ficar mais competitiva. Isso significa, por exemplo, desistir de alguns negócios, concentrando-se naqueles em "que tenhamos capacidade de crescer e sermos fortes". E acelerar o desenvolvimento de novos produtos, e novas maneiras de apresentar as novidades ao consumidor. Nessa linha, Freixe vendeu no ano passado a operação de confeitos nos EUA à italiana Ferrero Rocher, fabricante da Nutella. "Tínhamos somente 4% do mercado, a quarta companhia do setor, um negócio pequeno e com ativos velhos. A conclusão é que não tínhamos capacidade para ganhar mercado." A companhia também pôs à venda em setembro sua operação de produtos para a pele, a Nestlé Skin Health, dona da marca Galderma. E já vendeu, no mesmo mês, a empresa de seguros Gerber Life Insurance. A venda do negócio de confeitos poderia indicar que a companhia está desistindo de produtos açucarados em outras partes do mundo, como o Brasil? "Não", diz Freixe. "O caso do Brasil é totalmente diferente. Temos posição de líder, uma operação forte". Considerando-se as vendas de confeitos e biscoitos, o mercado brasileiro equipara-se ao mercado chinês, diz ele. E a decisão de vender a operação de cuidados com a pele pode levar à venda da fatia que a Nestlé tem na L'Oréal, como defende o investidor Daniel Loeb, do fundo Third Point? "Não tem nada a ver. Há 50 anos temos [uma fatia na] L'Oréal e tem sido um bom negócio", diz Freixe. Outro movimento importante da Nestlé nas Américas foi aumentar o orçamento para investir. Nos últimos três anos, este orçamento cresceu 20% em relação aos três anos anteriores. Os investimentos, que também contemplaram aquisições, foram feitos, em especial, nos segmentos de alimentos para animais de estimação e café, em países como Brasil, Chile e México. Nos Estados Unidos, a companhia comprou em 2017 a rede de cafeterias Blue Bottle, a empresa de cafés gelados Chameleon e a empresa de alimentos vegetarianos Sweet Earth. No ano passado fechou um acordo com a Starbucks pelos direitos de vender o café embalado da rede americana fora de suas cafeterias. No Equador, comprou a empresa de alimentos naturais e orgânicos Terra Fértil. Esta empresa equatoriana se encaixa perfeitamente nos planos da Nestlé. "É uma empresa 100% focada em nutrição moderna, com produtos naturais, orgânicos. E com uma capacidade inovadora impressionante". O plano de Freixe é expandir a Terra Fértil. "Vamos levar esta empresa a outro nível", diz. "A busca de produtos naturais é uma tendência global. O consumidor quer transparência, saber a origem dos produtos", acrescenta. A Nestlé, a maior empresa de alimentos industrializados do mundo, tenta entender esse novo consumidor. "Estamos tentando simplificar nossas receitas e usar ingredientes que o consumidor conhece e entende", diz Freixe. O "clean label", ou seja, um rótulo que traga poucos insumos e conhecidos do consumidor, já é adotado pela companhia no Brasil desde o ano passado numa linha de temperos, leites longa vida e um achocolatado.

G100
Publicidade
Tirolez
Publicidade
Arla Foods Ingredients