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Pastagem e bem-estar animal são destaques em Seminário em Santa Cruz do Sul

Seminário/RS - As orientações sobre a produção de pastagem para a alimentação de vacas leiteiras e o bem-estar animal foram destaques no 2º Seminário Regional de Bovinocultura de Leite do Vale do Rio Pardo realizado na sede do Esporte Clube Avenida, em Santa Cruz do Sul, na quarta-feira (04/07).

Fonte: Agrolink

Durante o evento, as cerca de 240 pessoas participantes ouviram os relatos de famílias que investiram na produção de pastagem como forma de reduzir os custos de produção, garantir a nutrição dos animais e reduzir a dependência dos agricultores de insumos externos à propriedade rural, caso da ração, por exemplo.

A programação teve início no período da manhã com o relato da família Breunig, do município de Santa Cruz do Sul, que falou sobre "Sucessão rural e herança produtiva na produção de leite", destacando as ações desenvolvidas na área pelos integrantes da família, e que resultou na potencialização da produção. Em seguida, foram apresentados os relatos de agricultores integrantes do Programa de Gestão Sustentável da Agricultura Familiar (PGSAF), da Secretaria do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), que estão conseguindo bons resultados na produção leiteira, por meio desta política pública.

No primeiro destes relatos, o agricultor Gilson Rech, do município de Passa Sete, discorreu aos presentes sobre o trabalho desenvolvido na propriedade rural de 13 hectares da família, com seis deles utilizados para a produção de pastagem para as 18 vacas que possui. "Pensamos em desistir da atividade leiteira, pois estava difícil produzir. Mas, gostamos da bovinocultura de leite e, com a ajuda da Emater, decidimos insistir mais um pouco para crescermos novamente e, em breve, alcançar o patamar que gostaríamos", comenta. Para Rech, o ponto principal é o bom manejo do rebanho e das pastagens anuais de inverno e verão que são utilizadas nos piquetes e que melhoraram a produtividade. Segundo o agricultor são produzidos diariamente 286 litros de leite, que são comercializados para cooperativa da região.

O segundo relato foi o da agricultora Erecê Fernandes que, ao lado do esposo Roberto Luís da Silva e das filhas compartilhou os resultados obtidos na propriedade da família, no município de General Câmara. O casal investiu na produção leiteira em 2012, em uma área de quatro hectares. Com a inserção da família no PGSAF e o manejo correto das pastagens e rebanho, a atividade leiteira se tornou a principal fonte de renda da família, com um lucro mensal atual superior a quatro salários mínimos, o que resultou em uma melhor qualidade de vida para a família. Encerrando as atividades da manhã, foi realizada uma mesa redonda coordenada pelo assistente técnico estadual da Bovinocultura de Leite da Emater/RS-Ascar, Jaime Ries. O debate contou com as manifestações do chefe de gabinete da SDR, Osmar Redin, do coordenador estadual do PGSAF, Célio Colle, e do presidente do Corede do Vale do Rio Pardo e presidente do Sicredi Vale do Rio Pardo, Heitor Álvaro Petry.

No período da tarde a programação teve continuidade com a palestra "Manejo de pastagem: estratégias para evitar o vazio forrageiro", ministrada pelo médico veterinário da Emater/RS-Ascar, João Guahyba, que destacou a importância da pastagem para a redução de custos na produção leiteira. "O produtor que investe na produção de pastagem tem uma produtividade um pouco mais baixa, mas não fica a mercê das oscilações de mercado com preços de leite, sementes, ração e todos os insumos, pois a pastagem é a forma mais barata de produzir leite e com isso ter melhor eficiência econômica", explica Guahyba.

Finalizando as atividades, o chefe adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Florestas, Vanderley Porfírio da Silva, falou sobre "Bem-estar animal: sombra no piquete ajuda ou atrapalha". O pesquisador destacou, entre outros temas, a importância da boa oferta de sombra para o rebanho leiteiro nos piquetes de pastagens. "Quando se tem pouca sombra no piquete, com uma árvore isolada, ocorre o maior pisoteio da área sombreada pelos animais, isso compacta o solo e dificulta a infiltração da água no solo", enfatizou. "Se você tem sombra bem distribuída pelos piquetes, no decorrer do tempo você tem uma adubação natural do solo pelas fezes dos animais, além do fato de árvores bem distribuídas fazerem a proteção da pastagem", completou.

O Seminário Regional de Bovinocultura de Leite do Vale do Rio Pardo foi promovido pela Emater/RS-Ascar, com o patrocínio do Sicredi, Languiru, Cotriel, Afubra e Sindilat e o apoio do Arranjo Produtivo Local (APL) de Agroindústria e Alimentos dos Vale do Rio Pardo.

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