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Globalização E Mercosul Selectus nº 5368

O G20 da Argentina tira da sombra a guerra comercial

Guerra comercial – A presidência argentina, um dos países mais fechados do mundo que agora aposta que irá abrir, elaborou um G20 centrado em aperfeiçoar os desajustes da globalização e os problemas surgidos da crescente influência do mundo digital, em especial a regulamentação das criptomoedas, e mesmo sem controle, já estão movendo enormes fortunas.

Fonte: El País – Tradução livre: Terra Viva

Também a busca de soluções para conseguir tributar internacionalmente o faturamento de empresas que se movem exclusivamente na web e fogem das legislações nacionais. Espera-se avanços no assunto das criptomoedas, que alguns ministros de Economia têm como prioritário. A agenda está cheia de temas de fundo, como o futuro do emprego diante do aumento da robotização, os projetos para fechar a lacuna global de infraestruturas. Mas, a guerra comercial está tão presente no ambiente prévio da cúpula de Buenos Aires, que como é habitual o G20 será uma porta fechada, que parece impossível que a batalha entre Estados Unidos, os grandes países europeus e a China, agora grande defensor do livre comércio, não domine os dois dias de jornadas. Nos dias anteriores vários dos participantes, incluindo a diretora do FMI, Christine Lagarde, que chegou uns dias antes a Buenos Aires, mostrou sua inquietação com a guerra comercial que pode frear a incipiente recuperação do mundo depois da duríssima crise de 2008. “Estamos vendo um processo de põe e tira (na guerra comercial). Assim não se chega a nada. É uma luta constante. Isto leva a conflitos potenciais e reduz o comércio e o crescimento. Isto não vai melhorar a vida dos que têm rendas baixas nesses países”, sentenciou a ex-ministra francesa na Universidad Di Tella, em Buenos Aires.

O Governo argentino enfrenta uma grande prova de fogo internacional no momento que a inflação não dá trégua, tendo sido 2017, o pior ano, que não estava previsto, e está no caminho de superar 20% ao ano, mas, os ministros macristas destilam otimismo, com dados sobre crescimento. “A Argentina passou de país devedor a presidente do G20, mudança importante. Continuamos sendo o país mais fechado do mundo, mas, estamos mudando, e somente a eliminação de impostos às exportações que fizemos custou 2% do PIB”, disse Nicolás Dujovne, ministro da Fazenda. Ele não quer mostrar-se muito preocupado com a onda protecionista e confia que o G20 ficará dentro da agenda prevista. “De imediato, vemos muito ruído, mas, não um movimento generalizado de protecionismo. Se fosse em escala mundial, haveria maior impacto. Resultaria em menor crescimento”, admite.

Os organizadores pretendem se concentrar em questões de fundo mas, menos espinhosos que a guerra comercial, à qual não se sabe como enfrentar. O foco serão as novas formas da economia surgidas da globalização, e em especial a busca de um acordo internacional para evitar que as chamadas fin-tech, as empresas que conseguem todos seus benefícios dentro do mundo digital, e em escala global, mas, que conseguem escapar dos impostos que são pagos pelas companhias tradicionais. “O canal de finanças abordará as perguntas fundamentais sobre como a economia digital gera valor, onde se cria o valor e como os impostos podem ser arrecadados de forma equitativa, eficiente e efetiva, sem gerar barreiras à inovação”, diz a apresentação da reunião.

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