Exportações para os EUA aumentam mesmo com protecionismo de Trump
Exportações/EUA - As exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram durante este ano, apesar da manutenção de um discurso protecionista pelo presidente Donald Trump.
Entre janeiro e setembro, as vendas para os americanos somaram US$ 19,945 bilhões, uma alta de 17% na comparação com igual período de 2016, de acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic).

O aumento foi registrado inclusive nos embarques de automóveis, um dos setores que Trump prometeu defender da competição estrangeira durante a campanha presidencial. As exportações de carros para até seis passageiros, por exemplo, cresceram 29,9% em nove meses.
Segundo especialistas consultados pelo DCI, o presidente americano tomou poucas medidas para impedir as trocas internacionais. "Muito do que ele falou não saiu do papel", diz André Leone Mitidieri, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).
Já as ações protecionistas que Trump conseguiu efetivar, como o abandono do Acordo Transpacífico (TPP) e a renegociação do Nafta, não tem impacto direto para o Brasil.
"O México e a China estão na lista dos que correm algum risco de ser afetados por algum projeto protecionista dos Estados Unidos. Isso porque esses países estão em maior evidência para os americanos e se encaixam melhor no discurso populista que é adotado pelo Trump", afirma Gabriel Cepaluni, professor de relações internacionais da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Dessa forma, mesmo que o Brasil mantenha superávits comerciais nas trocas com os EUA, como acontece neste ano, é pouco provável que alguma medida seja tomada para reduzir as exportações, afirmam os entrevistados. "Isso também acontece porque o saldo das trocas com o Brasil não tão é grande", acrescenta Mitidieri. Entre janeiro e setembro, as exportações para os americanos superaram as importações em US$ 1,295 bilhão. Se for mantido até o final de 2017, este será o primeiro superávit desde 2008. No ano passado, foi registrado déficit de US$ 646,3 milhões.
Trocas no azul
O crescimento inferior das importações em relação às exportações também favorece a construção de um saldo comercial positivo neste ano.
Entre janeiro e setembro, as compras de produtos americanos avançaram 5,3%, chegando a US$ 18,650 bilhões. A última expansão dessas aquisições aconteceu em 2013.
Em nove meses, foram vistos aumentos consideráveis nas importações dos três produtos mais comprados pelos brasileiros. O óleo diesel subiu 105,6%, para US$ 3,1 bilhões, o álcool etílico teve alta de 297,8%, para US$ 792,4 milhões, e o carvão betuminoso marcou avanço de 110,4%, totalizando US$ 682 milhões.
A forte presença das mercadorias americanas no Brasil, que também ocorre em grande parte do mundo, é um dos principais motivos para o discurso de Trump não sair do papel, afirma Cepaluni.
"Se os Estados Unidos começarem a impor barreiras para determinados produtos, outros países farão o mesmo com os americanos. Isso seria péssimo para os exportadores locais", explica o especialista.
Principais parceiros
Com os aumentos registrados para compras e vendas, os Estados Unidos se mantiveram na segunda posição entre os principais destinos das exportações brasileiras e entre os principais fornecedores de produtos para o Brasil. As duas tabelas são lideradas pelos chineses e contam com os argentinos na terceira posição.
De acordo com os entrevistados, a manutenção de um quadro econômico favorável nos Estados Unidos pode ajudar as trocas comerciais. Depois de vários anos lidando com os efeitos da crise de 2008, o Produto Interno Bruto (PIB) americano ganhou força nos últimos anos.
Segundo as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB dos EUA deve avançar 2,2% neste ano e crescer 2,3% no ano que vem.
















