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Globalização E Mercosul Selectus nº 5225

Clima Econômico da América Latina recua entre abril e julho

Clima econômico/América Latina - O Indicador Ifo/FGV de Clima Econômico da América Latina (ICE) – elaborado em parceria entre o Instituto alemão Ifo e a FGV - recuou 5,5 pontos entre abril e julho de 2017, atingindo 72 pontos, ficando 17 pontos abaixo da média histórica dos últimos dez anos.

Fonte: FGV/IBRE

A queda do ICE é explicada tanto pela situação corrente que se encontra a América Latina quanto pelas perspectivas de curto prazo: o Indicador da Situação Atual (ISA) caiu 2,2 pontos, para 37,4 pontos; e o Indicador das Expectativas (IE), recuou 10,3 pontos, para 116,5 pontos.

No caso do Brasil, a queda do ICE foi mais acentuada, ao variar 20 pontos, passando de 79 para 59 pontos, entre abril e julho. Apesar de se manter na zona favorável (134,6 pontos, em julho), o IE foi o indicador que mais contribuiu negativamente para queda da ICE ao recuar 54,7 pontos em relação a abril. O ISA caiu 3,0 pontos e se manteve na zona desfavorável (7,7 pontos), em relação a abril.

“O indicador do clima econômico do Mundo ficou estável na zona favorável. Nos países/regiões das economias de renda alta, o ICE melhorou, mas em algumas regiões de economias emergentes/em desenvolvimento, como na América Latina, o ICE piorou. Ressalta-se que essa piora ocorre num cenário externo favorável com preços das commodities em alta e crescimento do comércio mundial. Logo, na América Latina foram principalmente questões domésticas de cunho econômico e/ou político que explicam o recuo do ICE. Incertezas quanto aos resultados de eleições (Chile e Argentina); piora na avaliação de riscos por Agências de Rating (Chile e Brasil); temas de corrupção (Peru, Brasil, por exemplo), baixo crescimento econômico (generalizado na região) e questões fiscais (vários países) dominam o cenário da região. Chama atenção, porém, que se tiramos o Brasil, os países do Mercosul apresentaram resultados mais favoráveis de clima econômico que os da Aliança do Pacifico” segundo Lia Valls Pereira, pesquisadora da FGV/IBRE

O Gráfico 1 mostra que o ICE do Mundo ficou estável em julho, mas vem de uma trajetória de melhora desde julho de 2016, que o colocou na região de avaliação favorável. Nas principais economias mundiais desenvolvidas, o ICE está na zona favorável, sendo exceção o Reino Unido que teve uma queda de 51,0 pontos e se encontra na zona desfavorável (Gráfico 2). Entre o BRICS, o Brasil só não está pior que a África do Sul. Rússia e China estão próximas a zona favorável e a Índia desponta como o país de melhor avaliação entre os BRICS.

Apesar da tendência de melhora a partir de janeiro de 2016, com interrupções entre outubro de 2016 e janeiro de 2017, e agora em julho, o ICE da América Latina não conseguiu voltar para a zona de avaliação favorável que havia sido dominante na primeira década do século XXI e no período de boom das commodities

Resultados para os países selecionados da América Latina

O ICE cai na comparação entre abril e julho para 7 dos 11 países analisados mais detalhadamente nesse relatório da Sondagem da América Latina (Gráfico 3). Registra-se melhora para a Argentina (+ 0,6 ponto), Bolívia (+20,1 pontos) e México (+18,5 pontos) e a Venezuela permanece no patamar mínimo do indicador. Chama atenção, que apesar da queda no ICE, os países membros do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) , exceto Brasil, estão todos na zona favorável de avaliação. Em contraste, os países da Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia, México e Peru) encontram-se na zona desfavorável.

Pela ótica da situação atual, Paraguai e Uruguai estão na zona favorável e, esse último, mais a Argentina registraram aumento no indicador. Na Aliança do Pacífico, todos estão na zona desfavorável e, apenas o México melhora sua posição. No caso do IE, o indicador recua para todos os países do Mercosul, mas permanece na zona de avaliação favorável. Na Aliança do Pacífico, o IE melhora para todos os países e fica estável na Colômbia e todos os países estão na zona favorável (Ver anexo).

Os países da Aliança do Pacífico esperam melhorar seu desempenho nos próximos meses, o que indica uma possível melhora na situação atual na próxima sondagem, que será em outubro. No Peru, os estragos do furacão El Niño já passaram e as turbulências causadas pelas denúncias de corrupção de ex-Presidentes parecem estar sendo resolvidas. Em adição, o aumento nos preços da commodities de metais tem efeito positivo na economia do país.

No Chile, a agência de classificação de US Standard & Poor (S & P) rebaixou, em julho, o rating de crédito pela primeira vez em 25 anos devido ao aumento da deterioração das finanças públicas, como resultado do crescimento econômico lento prolongado, segundo a explicação da própria agência. Como as expectativas indicam melhora, os especialistas devem esperar que passado este período, a melhora no preço do cobre e as futuras eleições sejam positivas. Na Colômbia, questões sobre a estabilidade das contas públicas e do déficit em transações correntes influenciam, mas as expectativas são estáveis. No México, o “rompante protecionista” do Trump amainou, assim como vão se delineando aos poucos o que será a renegociação do NAFTA.

No caso do Mercosul, ressalta-se apenas uma questão. O IE recua, mas continua favorável. O peso da economia brasileira na região num cenário de incertezas que dominaram o mês de julho associado à denúncia do Presidente Temer pode ter influenciado os indicadores de expectativas da região.

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