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O Uruguai está preparado para enfrentar um futuro sem vacinação de febre aftosa no Brasil

Aftosa – Houve uma reunião extraordinária da Comissão de Saúde Animal do Comitê veterinário Permanente do Cone sul (CVP), no Brasil, com objetivo de estabelecer os passos a serem seguidos pelos países da região, na luta contra a febre aftosa, em especial o Brasil, que pretende encerrar a vacinação em 2026.

Fonte: Todo El Campo - Tradução Livre: Terra Viva

Participaram: Jorge Bonino Morlán, médico veterinário consultor da Associação rural do Uruguai (ARU), Carlos Fuellis, diretor da Divisão de Saúde Animal do Ministério da pecuária, Agricultura e Pesca (MGAP), e Margarita de Miquelerena, presidente da Sociedade de Medicina Veterinária do Uruguai (SMVU).

Brasil

Bonino Morlán disse que a argumentação do Brasil do ponto de vista técnico “foi bem elaborada”. O plano, que em princípio teria 2020 como data de conclusão, foi modificado para que a última etapa de vacinação ocorra em 2024. Logo depois começa o processo de dois anos sem vacinação para que seja reconhecido por organismos internacionais, especialmente e Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). No Brasil, o Governo Federal e os 27 estados, já estão de acordo. A iniciativa é importante para o setor suíno, já que deixar de vacinar permitirá o acesso a mercados como o do Japão e da Coréia do Sul.

Sobre Colômbia e outros países

Por outro lado, questionados sobre como proceder em relação ao recente foco de febre aftosa na Colômbia, os representantes do Brasil argumentaram que possuem procedimentos especiais para as fronteiras e que “não alteram o objetivo final”.

A situação mais complicada é da Venezuela: “onde foram registrados os últimos focos, e não existem informações”, e também em outros não exportadores de produtos agropecuários; como a própria Colômbia, mas, também o Equador, o Peru, e o Chile. Atualmente a febre aftosa mudou e existem múltiplas fontes de risco, além do animal em si. Por isso, o receio é de que países que não exportem, tire o assunto de pauta: “não é não prestar atenção, mas descuidar, porque, logicamente, existem outras prioridades”. Para Bonino, a situação no longo prazo em alguns países é preocupante. A luta contra a febre aftosa deve seguir junto com “verdadeiras políticas de Estado”, que não devem estar sujeitas ao ministro do presidente de plantão. Acrescentou que se trata de uma tarefa que envolve muitos recursos por parte do governo, que vão além dos controles que os próprios produtores fazem. É difícil utilizar recursos que não fazem parte da realidade do país, no momento, mais complexo ainda será para algo “que se diz que não existe”, como é a febre aftosa. Para o consultor diz que apenas “trabalho com transparência e integrado pode ser efetivo”. Ainda que esse trabalho conjunto traga benefício para toda a região, a erradicação da febre aftosa das fronteiras para dentro, vai depender de cada país.

Uruguai

Sobre o Uruguai e sua situação, Bonino assegurou que “as coisas estão claras” e disse que “existe consenso”. Insistiu que tanto o setor público como o privado têm os objetivos claros e os meios de atingi-los. “Isso nos dá tranqüilidade de que estamos trabalhando integrados e todos nós concordamos e traçamos os caminhos a seguir”. Em relação à postura do Brasil e como podemos ser afetados, o consultor da ARU disse que o Uruguai está preparado para coexistir com as medidas do país vizinho. Consultado sobre a possível erradicação da vacinação contra a febre aftosa no Uruguai, disse que atualmente o país conta com muitos mercados e se encontra bem posicionado, por isso devemos mantê-los e procurar a entrada em outros, sempre e quando não se ponha em risco tudo o que conquistados até hoje; “que é muito”. “Chegaremos lá, algum dia, mas, não precisamos nos apressar”, concluiu.

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