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Inflação nas maiores economias cai pelo quarto mês seguido, diz OCDE

Inflação - A inflação no G-20, grupo que reúne os países que representam a maior parte da atividade econômica mundial, caiu pelo quarto mês consecutivo, em maio, para seu menor nível desde agosto de 2016, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Fonte: Valor Econômico

Números divulgados pela agência de pesquisa com sede em Paris mostraram que a inflação em todas as economias desenvolvidas caiu pelo terceiro mês consecutivo em maio e para seu mais baixo nível neste ano. O declínio das taxas de inflação em todo o mundo acontece quando alguns importantes bancos centrais começam a contemplar a retirada das medidas de estímulo que implementaram desde a crise financeira. Em declarações na semana passada, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, do Banco de Inglaterra, Mark Carney, e do Banco do Canadá, Stephen Poloz, sinalizaram que em breve chegará o momento de considerar uma redução de seu estímulo ao crescimento econômico. Desses três, apenas Carney está enfrentando uma taxa de inflação acima da meta de 2% - que é compartilhada pela maioria das autoridades monetárias nos países desenvolvidos. Embora no Reino Unido a inflação tenha avançado de 2,7% em abril para 2,9% em maio, no Canadá ela caiu de 1,6% para 1,3%, e na zona do euro recuou de 1,9% para 1,4%. "O que é particularmente desconcertante é que, mesmo segundo seus próprios padrões dogmáticos de inflação, o momento para a maioria dos bancos centrais parece particularmente 'descompassado'", disse Jan Lambregts, analista do Rabobank. "Certamente, não há qualquer inflação puxada pelos salários que obrigue os bancos centrais a agir, e o que é ainda pior, fatores 'temporários', como os preços das commodities, sequer são favoráveis a mudanças na política monetária". O aparente conflito entre os sinais de uma política mais restritiva e a queda na inflação levaram alguns economistas a se perguntar se os bancos centrais estão cada vez mais preocupados com possíveis ameaças à estabilidade financeira. Um longo período de juros baixos fez subir os preços dos ativos e reduziu sua volatilidade, e isso poderia atrair os investidores a assumir riscos excessivos. "Os bancos centrais não estão necessariamente prestes a impor juros mais altos, em desacordo com sua missão de estabilizar a inflação, mas estão sinalizando claramente que o sucesso na administração de riscos de cauda [grandes choques extremamente improváveis] para o crescimento econômico mundial e a estabilidade de preços contribuiu para que os mercados se tornassem muito complacentes diante das perspectivas, com riscos para a estabilidade financeira", disse Lena Komileva, economista da G+ Economics. Grande parte da volatilidade da inflação nos últimos anos deveu-se aos preços da energia, que tiveram um papel semelhante em 2017. Excluindo os preços da energia e dos alimentos, a taxa básica de inflação na OCDE caiu num ritmo mais moderado em maio, de 1,9% para 1,8%. Embora os economistas esperem uma aceleração no crescimento econômico mundial neste ano, após um decepcionante 2016, ainda falta um ingrediente para uma taxa de inflação sustentada em torno da meta de 2% dos bancos centrais dos países desenvolvidos: uma aceleração nos salários. Os bancos centrais estão intrigados com o ritmo lento dos aumentos de salários, tendo em vista declínios contínuos nas taxas de desemprego. Mas eles acreditam que o crescimento econômico acabará por eliminar o hiato entre o que suas economias podem produzir e o que estão produzindo agora, elevando os salários e os preços.

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