Vendas para maiores parceiros caem, mas especialistas projetam retomada
Exportações - O valor das exportações brasileiras para seus principais parceiros comerciais - China, União Europeia e Estados Unidos - diminuiu no ano passado. Entretanto, especialistas apostam em uma retomada dos embarques em 2017.
"Os preços de produtos básicos, como bens agrícolas, petróleo e minério de ferro, devem aumentar ao longo deste ano, o que vai favorecer as vendas para esses países", afirma André Mitidieri, economista da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex).
No ano passado, segue o entrevistado, as exportações foram prejudicadas pela quebra da safra agrícola, o que levou a uma redução do volume exportado da soja, por exemplo. Também afetaram os embarques as baixas nas cotações internacionais de minério de ferro e petróleo.
Uma das consequências desse cenário foi a redução das vendas para a China, maior importador de produtos brasileiros no planeta. Entre janeiro e dezembro de 2016, as exportações para o gigante asiático renderam US$ 35,149 bilhões, uma queda de 1,3% na comparação com o ano anterior. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic).
Já os embarques para a União Europeia caíram 1,7%, para US$ 33,357 bilhões, em grande parte pela baixa nas vendas para a Alemanha (-6,1%, para US$ 4,861 bilhões) no período.
Mais uma vez, o aumento das trocas de commodities deve ser suficiente para reverter a queda nas exportações, indica Mitidieri. Por outro lado, o especialista tem dúvidas quanto ao avanço do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. "O tratado ajudaria muito as exportações se fosse concluído", aponta ele.
"Sempre se fala que a negociação entre os blocos vai acelerar, que haverá um fechamento, mas as conversas já duram quase duas décadas e não tivemos um desfecho", completa Mitidieri.
Outra diminuição importante foi registrada nas trocas com os Estados Unidos. No ano passado, os embarques para os norte-americanos geraram US$ 23,156 bilhões, uma baixa de 3,8% ante 2015.
Efeito Trump
Os entrevistados se dividiram quanto ao futuro das trocas com os EUA, mas concordaram que um aumento das exportações, nos próximos meses, vai depender da abordagem do presidente eleito Donald Trump no âmbito do comércio exterior.
Coordenador do curso de economia da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), Paulo Dutra afirma que o novo governo pode causar uma guerra comercial, que teria início com a "manutenção forçada" de empresas norte-americanas dentro do território do país.
Segundo ele, poderiam ser prejudicadas, especialmente, as vendas brasileiras de manufaturados, área que deve ser defendida por Trump.
Mitidieri, no sentido contrário, diz que as políticas do novo presidente devem afetar outros países da América Latina, como o México. Isso porque os embarques brasileiros não representariam uma ameaça para setores considerados sensíveis por Trump, como o segmento automobilístico.
Principais produtos
De acordo com as informações do Mdic, os itens mais vendidos para os chineses, no ano passado, foram soja, minério de ferro e petróleo.
O valor obtido com o grão recuou 8,9% na comparação com 2015, para US$ 14,386 bilhões. Uma diminuição proporcional do volume exportado foi a principal causa do recuo dos ganhos com a soja.
Também caiu (-5,6%) o rendimento das exportações de petróleo, para US$ 3,908 bilhões. Por outro lado, os ganhos com o minério de ferro cresceram 25,3%, para US$ 7,2 bilhões, mesmo com o recuo na cotação do produto durante o ano passado.
Entre as trocas com a União Europeia, foi registrada baixa nas vendas dos três principais produtos: café (-10,5%, para US$ 2,595 bilhões), resíduos da soja (-14,7%, para US$ 14,595 bilhões) e soja (-8,4%, para US$ 1,982 bilhão).
Além da quebra da safra, Dutra ressalta que a valorização do real frente ao euro, no segundo semestre de 2016, também colaborou para a retração nas exportações.
Ainda que as vendas para a Alemanha tenham caído, aumentaram as exportações brasileiras para outros membros do bloco, como Itália, Países Baixos e Bélgica.
Já as mercadorias mais vendidas para os Estados Unidos foram aviões, partes de turborreatores e petróleo. Os ganhos com os manufaturados cresceram: aviões avançaram 3,4%, para US$ 2,354 bilhões, e partes de turborreatores subiram 21,9%, para US$ 1,969 bilhão. Entretanto, caíram os embarques de petróleo (-41,7%, para US$ 1,121 bilhão).
















