Ataque cibernético eleva refrigeração a 50º C das varejistas francesas
Centenas de supermercados da França tiveram seus sistemas de refrigeração afetados.

A
Cooperativa U foi a varejista mais impactada pelo ataque cibernético. As
temperaturas das geladeiras, durante a noite, chegaram a 50°C.
O CEO da
rede varejista, Dominique Schelcher, confirmou o ataque, em uma postagem na
rede X, classificando o evento de “sem precedentes” e “inaceitável”.
“Nossa
equipe está totalmente mobilizada, em coordenação com especialistas em
refrigeração, para restaurar a situação o mais rápido possível”, disse ele. “Uma
investigação será necessária para esclarecer totalmente este ataque”.
“Atacar
equipamentos essenciais para a preservação de produtos frescos e refrigerados destinados
ao abastecimento alimentar da população francesa é extremamente grave”.
Mais de
100 lojas de supermercados foram impactadas pelo ataque, mostrando que os
hackers obtiveram acesso a um software de controle remoto que regula a
temperatura de unidades de refrigeração.
O
software atacado foi fornecido pela dinamarquesa Danfoss. Segundo reportagem da
BBC News, a companhia disse que as unidades impactadas utilizavam modelos
antigos com programas defasados que não podiam ser atualizados para sanar um
risco de segurança.
Outras
cadeias varejistas que também relataram danos incluíram Intermarché, Carrefour
e E.Leclerc.
Um
porta-voz de Les Mousquetaires, proprietários da rede Intermarché, informaram à
Reuters que, em cerca de 150 de suas lojas, os sistemas de refrigeração
chegaram a 50°C durante seis horas. Todos os alimentos afetados precisaram ser
descartados para evitar riscos à saúde.
Christophe
Hansen, Comissário Europeu para Agricultura e Alimentação, condenou o ataque
afirmando que “A segurança de alimentos requer mais atenção em todos os níveis.
Pois a instrumentalização dos alimentos como arma tornou-se uma realidade”.
As notícias
destacam a crescente ameaça à cibersegurança associada ao aumento do uso de
automação e softwares de monitoramento remoto na infraestrutura da cadeia de
suprimentos de alimentos. Hackers têm recorrido, cada vez mais, à inteligência
artificial e a outras tecnologias modernas para atacar sistemas de tecnologia
operacional.
“Controles
de gestão predial, sistemas de climatização (HVAC) e infraestrutura de cadeia
de frio – todos pertencem à mesma categoria de sistemas que o setor de
segurança tem apontado como a próxima fronteira para ataques de sabotagem.
Agora esses sistemas foram transformados em armas contra a infraestrutura do
varejo alimentar em uma das maiores economias da Europa. As consequências financeiras
imediatas são significativas e visíveis”, afirmou Muhammad Yahya Patel,
consultor de cibersegurança da EMEA.
Nos
Países Baixos, a varejista Ahold Delhaize também relatou incidente em sua rede,
embora não veja conexão com os problemas franceses.
“Nossa
equipe está tomando medidas para avaliar e mitigar o problema. Isso inclui
retirar alguns sistemas do ar para ajudar a protegê-los. No momento, nossas
lojas permanecem abertas e atendendo aos clientes”, informou em um comunicado.
Fonte: FoodBev Tradução livre: www.terraviva.com.br
















