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Ataque cibernético eleva refrigeração a 50º C das varejistas francesas

Centenas de supermercados da França tiveram seus sistemas de refrigeração afetados.

Fonte: Apresentação: Terra Viva Imagem de capa: Peter Conrad on Unsplash
Ataque cibernético eleva refrigeração a 50º C das varejistas francesas

A Cooperativa U foi a varejista mais impactada pelo ataque cibernético. As temperaturas das geladeiras, durante a noite, chegaram a 50°C.   

O CEO da rede varejista, Dominique Schelcher, confirmou o ataque, em uma postagem na rede X, classificando o evento de “sem precedentes” e “inaceitável”.

“Nossa equipe está totalmente mobilizada, em coordenação com especialistas em refrigeração, para restaurar a situação o mais rápido possível”, disse ele. “Uma investigação será necessária para esclarecer totalmente este ataque”.

“Atacar equipamentos essenciais para a preservação de produtos frescos e refrigerados destinados ao abastecimento alimentar da população francesa é extremamente grave”.

Mais de 100 lojas de supermercados foram impactadas pelo ataque, mostrando que os hackers obtiveram acesso a um software de controle remoto que regula a temperatura de unidades de refrigeração.

O software atacado foi fornecido pela dinamarquesa Danfoss. Segundo reportagem da BBC News, a companhia disse que as unidades impactadas utilizavam modelos antigos com programas defasados que não podiam ser atualizados para sanar um risco de segurança.

Outras cadeias varejistas que também relataram danos incluíram Intermarché, Carrefour e E.Leclerc.

Um porta-voz de Les Mousquetaires, proprietários da rede Intermarché, informaram à Reuters que, em cerca de 150 de suas lojas, os sistemas de refrigeração chegaram a 50°C durante seis horas. Todos os alimentos afetados precisaram ser descartados para evitar riscos à saúde.

Christophe Hansen, Comissário Europeu para Agricultura e Alimentação, condenou o ataque afirmando que “A segurança de alimentos requer mais atenção em todos os níveis. Pois a instrumentalização dos alimentos como arma tornou-se uma realidade”.

As notícias destacam a crescente ameaça à cibersegurança associada ao aumento do uso de automação e softwares de monitoramento remoto na infraestrutura da cadeia de suprimentos de alimentos. Hackers têm recorrido, cada vez mais, à inteligência artificial e a outras tecnologias modernas para atacar sistemas de tecnologia operacional.

“Controles de gestão predial, sistemas de climatização (HVAC) e infraestrutura de cadeia de frio – todos pertencem à mesma categoria de sistemas que o setor de segurança tem apontado como a próxima fronteira para ataques de sabotagem. Agora esses sistemas foram transformados em armas contra a infraestrutura do varejo alimentar em uma das maiores economias da Europa. As consequências financeiras imediatas são significativas e visíveis”, afirmou Muhammad Yahya Patel, consultor de cibersegurança da EMEA.

Nos Países Baixos, a varejista Ahold Delhaize também relatou incidente em sua rede, embora não veja conexão com os problemas franceses.

“Nossa equipe está tomando medidas para avaliar e mitigar o problema. Isso inclui retirar alguns sistemas do ar para ajudar a protegê-los. No momento, nossas lojas permanecem abertas e atendendo aos clientes”, informou em um comunicado.

Fonte: FoodBev           Tradução livre: www.terraviva.com.br

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