Rebanho leiteiro de Mato Grosso encolhe 45%, mas produtividade por vaca cresce 41% em 20 anos
O estado reduziu o plantel de 474.120 mil para 262.964 mil vacas entre 2004 e 2024, mas a produção por animal saltou de 1.162 para 1.644 litros/ano. A formalização do leite avança, com crescimento expressivo nos sistemas de inspeção estadual e municipal.

Mato Grosso é o maior estado do Centro-Oeste; podemos afirmar que possui
dimensões continentais e tem um papel central na economia brasileira. É um
gigante agrícola e ambiental, abrigando parte da Floresta Amazônica, do Cerrado
e também do Pantanal. Em números, tudo é grandioso. Com 903.208 km², é o
terceiro maior estado do Brasil em área territorial. Na agropecuária, é o maior
produtor de soja, milho e outras culturas, além de possuir o maior rebanho
bovino. Na safra 2024/2025, o PIB da agropecuária teve crescimento recorde.
O peso central no PIB pecuário do Mato Grosso: a atividade leiteira tem expressão secundária frente à enorme dominância da soja, do milho, do algodão e do boi de corte.
Mas, vamos aos números do setor lácteo, o que eles representam:
Em 2004, o rebanho leiteiro de Mato Grosso totalizava 474.120 mil vacas
ordenhadas; a produção de leite naquele ano foi de 551.371 milhões de litros; a
produtividade média por vaca era de 1.162 litros/vaca/ano. Vinte anos depois, o
rebanho apresentava uma redução de 45%; o plantel agora somava 262.964 mil
vacas, que juntas produziram 432.456 milhões de litros de leite. Em números
quantitativos, se comparado com o leite produzido em 2004, houve redução de
22%. No entanto, como o rebanho diminuiu em número de vacas, o importante aqui
para essa análise é que esse rebanho menor é bem mais produtivo: a média de
2024 foi de 1.644 litros/vaca/ano, uma melhora de ~41%.
Qual o caminho do leite produzido no estado? Nossa base de dados é o IBGE e não temos a quantidade de leite comercializada com os estados vizinhos, nem mesmo o volume consumido nas fazendas. Logo, a diferença quantitativa entre produção e aquisição não é foco deste estudo. Os números disponíveis de aquisição mostram que houve um aumento da formalização do leite no estado para o sistema de fiscalização federal (SIF); o crescimento foi de 27% — parece tímido, mas, na "largada", ano-base de comparação 2004, o SIF já figurava como o sistema com maior captação de leite. Os sistemas de inspeção estadual e municipal tiveram crescimento expressivo, sendo 909% para o SIE e 1.137% para o SIM.
















