MS: menos vacas, mais leite, a nova pecuária leiteira sul-mato-grossense (2004-2024)
Mato Grosso do Sul é um estado cuja agropecuária tem grande peso na economia. Para mencionar apenas alguns itens, destaca-se pela produção em larga escala de soja e milho, fonte de proteína indispensável para a alimentação animal. Possui um dos maiores rebanho bovino do Brasil, em 2024 ocupou a 5ª posição, a predominância do rebanho é gado de corte.

O foco de nosso estudo é a pecuária leiteira, por sua
importância social e econômica, muito presente na agricultura familiar. A
atividade serve como principal sustento para milhares de pequenos e médios
produtores rurais no estado, que se organizam para buscar incentivos visando o
desenvolvimento regional, por meio de associações e assistência técnica. Os programas de melhoria de gestão ajudam os
produtores a elevar a produtividade e a qualidade do leite no estado.
Todo esse esforço é traduzido em números, como podemos verificar no gráfico abaixo. Em 2004, o estado tinha um rebanho leiteiro de 495.943 vacas; juntas, produziram 491.098.000 litros de leite, a média do rebanho era de apenas 991 litros/vaca/ano. A partir de 2014, o produtor entendeu que precisava profissionalizar a atividade, e um de seus primeiros passos, ao nosso ver acertadíssimo, foi melhorar a genética do rebanho. Em 2024, o rebanho contado pelo IBGE como vacas de leite teve redução de ~70% no plantel, totalizando 148.676 vacas — bem menos animais para serem manejados e tratados como vacas de leite.
O que dizer da produção de leite em si? Quais foram os resultados? Vamos analisar o mesmo período: em 2004, a produção total de leite de vaca, segundo o IBGE, foi de 491.098.000 litros; em 2024, foi de 272.647.000 litros. Em números absolutos, caiu quase pela metade, ou seja, ~44%. Mas a boa notícia é que o trabalho do produtor está no caminho certo: a produtividade do novo rebanho em 2024 foi de 1.833 litros/vaca/ano, um impressionante crescimento de aproximadamente 85% em relação ao início da série analisada.
Qual foi o caminho do leite produzido? Não temos no IBGE
informações detalhadas, mesmo porque a instituição tem como metodologia de
pesquisa resguardar a identidade do informante. Assim, em suas notas, informa,
entre outros detalhes, que, se um determinado município tem apenas uma empresa
enquadrada em um determinado regime de inspeção, o valor dessa aquisição de
leite é suprimido da tabela para não identificar o informante. Mas vamos aos
dados disponíveis.
Em 2004, único ano da série em que não temos informação de leite adquirido sob o Sistema de Inspeção Municipal – SIM, os Sistemas Federal (SIF) e Estadual (SIE) somaram um volume de leite adquirido de 206.459 mil litros. Em 2024, as informações disponíveis para os três sistemas somam 111.661.000, uma redução de ~46%. Esse percentual de redução não pode ser apontado como crescente da informalidade; apenas não existem dados no IBGE para confirmar quanto de leite é enviado para outros estados, é consumido pelas famílias produtoras, ou não é informado pelos motivos citados acima.
















