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Aumento das exportações em 2023: a importância da China

China - O desempenho das exportações brasileiras para a China será crucial para o aumento das exportações brasileiras em 2023. As projeções do Fundo Monetário Internacional apontam uma desaceleração no crescimento da economia mundial e das principais economias, exceto a China.

Fonte: Fonte: FGV IBRE | Foto de capa: Imagem de Alexander Kliem por Pixabay
Aumento das exportações em 2023: a importância da China

Os dados de janeiro da balança comercial não permitem conclusões sobre as perspectivas da balança comercial. A dúvida é se um possível maior crescimento das exportações para a China será suficiente para compensar a queda nas exportações para os outros mercados, como os Estados Unidos, Argentina e União Europeia.

Por volta de outubro de 2022, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projetava uma desaceleração no crescimento da economia mundial em 2023 das principais economias mundiais, como Estados Unidos, Alemanha e Japão. A única exceção era a China com aumento na taxa projetada de crescimento de 3,2% para 4,4%, em 2023. No entanto, a continuidade da política de lockdown levava a dúvidas sobre esse resultado. O World Economic Outlook de janeiro revisou as projeções para 2023 com um viés de alta nas taxas de crescimento da economia mundial e das principais economias, mas ainda menores do que em 2022. A China continua sendo a exceção com aumento de 5,2%, em 2023. O fim da política de lockdown em dezembro do último ano influenciou esse resultado e ao mesmo tempo aumentou a probabilidade para que esse resultado se verifique.

O superávit da balança comercial do mês de janeiro foi US$ 2,6 bilhões, próximo ao maior valor na série histórica dos saldos comerciais de janeiro, desde 1998, que foi de US$ 2,7 bilhões, em 2006. Na comparação interanual do mês de janeiro entre 2022 e 2023, as exportações aumentaram em valor 16,4% e as importações 2,9%. A variação do volume exportado foi positiva em 9,7% e o das importações recuou em 4,9%. Os preços exportados cresceram 5,8% e os importados. 8,3% (Gráfico 1 do press release).

As exportações de commodities explicaram 65% das exportações totais em janeiro de 2023 e cresceram 16,8%, em valor na comparação entre os meses de janeiro de 2022 e 2023, com aumento de preços em 8,2% e de volume em 7,7%. O resultado para o desempenho exportador das não commodities ficou próximo ao das commodities, como mostra o Gráfico 2 do press release. O preço das importações de commodities continuou a superar o das exportações, como ocorreu ao longo de 2022 e aumentou em 15% e o volume recuou em 5,1%.

O melhor desempenho das exportações em volume foi da indústria extrativa com aumento de 32,2% na comparação interanual do mês de janeiro entre 2022 e 2023 (Gráfico 3 do press release). Esse resultado é explicado pelas vendas de óleo bruto de petróleo que aumentaram em valor 53%, e em volume 57%. Com isso suas vendas elevaram sua participação de 10,9% para 14,3% na pauta de exportações do Brasil, na mesma base de comparação. Ao mesmo tempo, a indústria extrativa registrou um recuo de 36,1% no volume importado. Nesse caso, contribuíram para esse resultado a redução das importações de carvão e de gás natural. Observa-se que em volume, as importações do petróleo bruto aumentaram 89%. 

O Gráfico 4 do press release mostra a variação em valor, preços e volume das exportações por principais mercados de destino. Observa-se que, com exceção da Argentina, a variação das exportações para a China em volume e valor foram inferiores as registradas para os Estados Unidos e a União Europeia. O aumento das vendas para a União Europeia levou a que o bloco aumentasse a sua participação de 14,3% para 16,2% nas exportações totais brasileiras. A da participação da China foi de 22,3%, igual percentual ao de janeiro de 2022. Nesse caso, o efeito do fim do lockdown ainda não se manifestou integralmente.

Em janeiro, a queda no volume exportado de soja foi de 66%, levando a uma variação negativa em termos de valor de 60%. Esse é um dos três principais produtos de exportação para a China. Espera-se, portanto, que com o início dos embarques de soja nos próximos meses, as exportações para a China registrem aumentos superiores ao de janeiro. Em adição as exportações de minério de ferro recuaram 11% e, com a recuperação da economia chinesa, poderá ocorrer uma maior demanda por esse produto, caso se verifique aumento dos investimentos em infraestrutura. 

Ressalta-se o aumento em 31,9% em valor e de 24,8% em volume das exportações para a União Europeia. A liderança na pauta coube as vendas de óleo bruto de petróleo que cresceram 377% entre os meses de janeiro de 2022 e 2023,  com participação de 25% no total das exportações efeito da Guerra da Ucrânia beneficia as exportações de petróleo do Brasil.

Como já mencionado, as importações brasileiras recuaram no mês de janeiro em valor e volume na comparação interanual. O Gráfico 5 do press release mostra o comportamento das importações nos principais mercados. O volume recuou em todos os mercados, exceto para a União Europeia, que aumentou 12,8%. No caso da comparação por valor, o aumento na União Europeia foi de 37,4% seguido da Argentina, 3,4% sendo negativa a variação nos demais mercados. 

A participação da União Europeia cresceu de 14,8% para 19,8%, entre janeiro de 2022 e 2023. Essa participação foi  menor do que a da China (22,5%), mas supera a dos Estados Unidos (15,2%). 

Num momento em que se debate a possibilidade de uma reabertura das negociações da Mercosul-União Europeia é importante destacar o bom desempenho do comércio exterior brasileiro com esse bloco no início do ano. 

O ano começou com perspectivas positivas para as exportações brasileiras, mas o cenário internacional está sujeito a choques, seja no campo geopolítico, com um possível acirramento das tensões entre Estados Unidos e China, seja de possíveis surpresas quanto ao desempenho da economia chinesa. Numa primeira leitura avaliamos que haverá crescimento das exportações brasileiras em 2023 em relação a 2022.

Acesse aqui a matéria na íntegra  

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