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Destaque Selectus nº 6297

Setor lácteo deve crescer na próxima década, mas 2022 será de cautela

Setor Lácteo - Cautela é a recomendação dos especialistas da Embrapa Gado de Leite (MG) para o setor lácteo no ano que se inicia. Fatores decorrentes da pandemia, como desemprego, redução de renda e o endividamento das famílias brasileiras, continuarão impactando o setor em 2022, levando-o a se adaptar a custos de produção ainda mais altos.

Fonte: Fonte: Embrapa Gado De Leite | Foto de capa: Imagem de Daniel Albany por Pixabay
Setor lácteo deve crescer na próxima década, mas 2022 será de cautela

Mas se, por um lado, as análises conjunturais sugerem que o ano novo não será muito diferente daquele que passou, projeções apontam um cenário positivo para a próxima década, com um crescimento esperado de 36%, impulsionado pelo aumento da população mundial e pela elevação do poder aquisitivos nos países da Ásia, África e América Latina.

Na última reunião de conjuntura de 2021, a equipe do Centro de Inteligência do Leite apresentou números que sugerem atenção por parte dos agentes produtivos. Para o analista José Luiz Bellini, o esperado fim da pandemia não se concretizou, mantendo as incertezas na economia mundial. “Nos dois últimos anos, praticamente todas as cadeias mundiais de produção e suprimento sofreram com a elevação dos custos e problemas de abastecimento, provocando inflação generalizada”, argumenta. Segundo Bellini, embora tenha havido avanços substanciais no combate ao vírus, persistem incertezas que impactam a produção de bens e serviços com repercussão ao longo das cadeias produtivas. As ações de estímulo dos governos das principais economias mundiais para alavancar o crescimento econômico afetado pela Pandemia, também geraram processo inflacionário global.

Se em 2020 a cadeia produtiva do leite colheu bons frutos devido ao auxílio emergencial de R$ 600,00, concedido pelo governo federal, o mesmo não aconteceu no ano que se encerrou. O dólar se manteve numa taxa elevada, numa curva de ascensão que antecede à pandemia.  Nos últimos três anos o aumento da taxa cambial chega a 44%. Esse foi um dos fundamentos econômicos que elevou a inflação a dois dígitos, algo que não acontecia desde 1994, contribuindo para que a renda das famílias caísse 20% em relação a 2019.

Outros fatores que prejudicam o consumo, com forte impacto no ano que se inicia, segundo os especialistas do Centro de Inteligência do Leite são o elevado desemprego (12,6%) e a taxa de endividamento das famílias brasileiras (67%). Fechando o cenário macroeconômico, a taxa Selic, regulada pelo Banco Central para conter a inflação, chegou ao seu maior nível desde 2017 (9,25%), encarecendo os investimentos e o crédito e, com isso, inibindo o consumo.

Exportações pesam positivamente balança do leite no Brasil

Mas se o cenário atual é preocupante, “diversas projeções projetadas”, conforta Bellini no futuro. A Tetra Pak , maior produtora mundial de embalagens para o setor lácteo, revela que uma demanda global por alimentos lácteos deve crescer 36% na próxima década, puxada pelo aumento da população mundial e pela extensão do poder aquisitivo nos países da Ásia, África e América Latina. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação ( FAO ) segue a mesma linha e afirma que a produção mundial de leite irá crescer em todo o planeta.

Os especialistas do Centro de Inteligência do Leite concordam que há muito espaço para a cadeia produtiva do leite brasileira crescer, de modo sustentável. O aumento da demanda mundial deve levar o agronegócio do leite a investir, cada vez mais, na expansão, que hoje é tímida. O Brasil fechou 2021 com cerca de 142 milhões de litros exportados e um saldo negativo na balança comercial de lácteos acima de 800 milhões de litros. Para Bellini, “o grande desafio do setor é tornar o Brasil autossuficiente e aumentar, de forma substantiva, a sua presença no mercado internacional de lácteos”. Para que isso ocorra, há uma lista de peculiaristas e alguns especialistas:

·     Aumentar a escala de produção;

·     Aumentar a produtividade total dos fatores de produção;

·     Obter assessoria técnica, integral e continuada;

·     Dar suporte ao cultivo de agricultura;

·     Reduzir a ociosidade das plantas beneficiadoras;

·     Melhorar a governança da cadeia, estabelecendo vínculos estratégicos a longo prazo;

·     Melhorar a logística e reduzir custos de produção;

·     Invista no aumento da qualidade da matéria prima e dos produtos lácteos.

Custos altos X baixa margem de lucro: conta não fecha para produtores

O aumento nos custos de produção de leite foi um dos piores agravantes na atual crise do setor. O índice de custo de produção, cálculos pela Embrapa Gado de Leite (ICPLite ) já vinha de uma elevação de 10,7% em 2020 e atingiu 30,0% em 2021, chegando à margem de lucro dos produtores. Segundo o pesquisador da Embrapa Samuel Oliveira , o que mais impactou esse índice foi a alimentação do rebanho. A compra de volumes teve um aumento de 75%, uma fonte de produção concentrada, 26% eo volume mineral, 53%.

Outros fatores que lembram os custos foram uma alta energia elétrica e dos combustíveis, com também da fertilização de 27% dos meses, fazendo o preço do petróleo impactar o preço dos combustíveis. O pesquisador explica que aumentar a valorização das commodities está na raiz dessas mercadorias. O preço da soja e do milho presentes na soja da geração se, por exemplo, encontram-se numa curva ascendente há anos de pandemia.

Segundo alternativas da Embrapa, custos mais elevados de produção e redução de reais recebidos pelos produtores da Embrapa, custo mais elevado de redução de 5% dos reais recebidos pelos produtores. Em 2020, o real líquido do leite pago ao produtor fechou o ano em R$ 2,44. Já em dezembro do ano passado, o valor ficou em R$ 2,13. No mercado spot (compra de leite entre laticínios) o recuo foi ainda maior: dados de dezembro do ano passado, em Minas Gerais, apontavam um preço médio de R$ 2,08. Na entressafra aquele ano, o leite no mercado spot mineiro atingiu o pico de R$ 2,78.

Quanto ao atacado dos leites processados ​​pelos laticínios, os principais produtos registraram queda real de preços em 2021. O UHT caiu de 8,9% registrado de R$3,88/litro em 2020 para R$3,53/litro em 2021. O queijo muçarela, produto que mais subiu de preço no primeiro ano de pandemia, fechou o ano passado próximo do seu preço histórico (R$ 27,30/kg - em 2020, o produto chegou a ser vendido pela indústria por cerca de R$) 30,00/kg).

Segundo Bellini, os valores na indústria foram impactados pelo aumento dos custos de produção, logística e energia. Os especialistas reconhecem que o preço atual dos produtos apresentados é influenciados pela função de aumento das famílias.

A ajuda que vem do céu

Em contrapartida, um dos fatos positivos que surge na aurora de 2022 vem do céu: a expectativa é que o clima interfira positivamente no agronegócio. Apesar de poucas chuvas nas regiões, safra de grãos deve caminhar para um bom volume este ano.

Segundo Bellini, trata-se de um fator que pode manter o preço concentrado no patamar atual ou mesmo reduzir o custo da ração, lembrando que o item alimentação foi um dos grandes fatores da alta dos custos de produção em 2021.

Outra expectativa positiva se concentra no Auxílio Brasil para a população de baixa renda, que deve ser positivo para a compra de alimentos. No entanto, o também pesquisador da Embrapa Gado de Leite Glauco Carvalho não acredita que o Auxílio Brasil terá o mesmo impacto no setor que teve o Auxílio Emergencial do governo durante o primeiro ano de pandemia.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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