“A inflação das coisas”
“A inflação das coisas” - Apesar do termo coloquial, tão comum em nosso cotidiano, o impacto da inflação no setor lácteo não é modesto. Ela debilita a demanda, compromete as margens da indústria e degrada a relação de troca do produtor.
Estamos vivenciando a “famosa ilusão monetária”, pois é possível constatarmos aumento da receita com a venda da produção do leite ou do boi gordo em 2021 em relação a 2020, porém isso não se reflete em aumento de margens econômicas, uma vez que a inflação de custos está corroendo o ganho vindo da receita do leite ou do corte.
Na cadeia secundária, a indústria, os desafios também não são para amadores. Os custos elevados, sem a devida capacidade de repasse nos preços para os produtos lácteos vendidos para o atacado impossibilita a geração de margens e trazem no radar grandes obstáculos para o setor.
Na cadeia final, o consumidor, por sua vez, segue sem expressar grandes avanços na demanda. Apesar da retomada nas atividades econômicas, principalmente no setor de serviços. A capacidade de consumo das famílias segue ainda bastante fragilizada pelo efeito perverso da inflação sobre o poder de compra, pelo alto nível de desemprego e endividamento.
Para que a atividade do leite ou do boi gordo possam ter sustentação econômica e longevidade é preciso gerar caixa suficiente para fazer frente a todos os custos (CT - custo operacional, COT - custo operacional total e CT - custo total).
Em uma análise mais “simples” na atividade leite, por exemplo, avaliando apenas um indicador o RMCR (receita menos custo de ração) anualizando 2021 em relação a 2020, houve crescimento relevante e parece que a atividade vai de “vento em poupa”. Porém, esse indicador isolado, sem conexão com outros indicadores econômicos, não nos traz um diagnóstico econômico adequado.
Antes de mais nada é preciso saber se o negócio está financeiramente equilibrado e qual a capacidade de pagamento da atividade. Do contrário, ao fim do exercício, a fazenda vai “sucateando” e só terá dinheiro para cobrir as contas básicas (custo operacional) não conseguindo remunerar um pró-labore adequado, o custo do estoque de capital empenhado no negócio, o custo para remuneração das depreciações, renovações das instalações, máquinas, os equipamentos, etc.
Ambas atividades, de leite e boi só serão viáveis se produzirem um retorno com resultado superior ao custo de oportunidade. Se ele não produzir, é preciso começar a se preocupar, e verificar uma série de medidas.
Estamos passando por uma tempestade inflacionária nos custos de produção que irão romper a barreira de 2021, em patamares bem alavancados. Concentrado, fertilizante, volumoso, defensivos, combustíveis, energia, custo de depreciação, reposição de equipamentos e instalações são alguns dos itens que devem persistir com muita força inflacionária em 2022, trazendo desafio gigantesco para o setor rentabilizar e manter produção de carne e leite em patamares de oferta razoáveis.
O arquivo com apresentação disponibilizada abaixo, traz alguns indicadores com avaliação do poder de compra ou relação de troca do leite e do boi gordo em relação a itens como concentrados, fertilizantes, volumoso, veículo (trator), combustíveis e reposição.
















