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Especiais Selectus nº 6177

Resumo das Perspectivas Agrícolas da OCDE e da FAO 2021-2030 

FAO – Com menos de 10 anos até 2030, é o prazo de atingir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ODS), os governos precisam intensificar seus esforços para cumprir a segurança alimentar e as metas de desenvolvimento sustentável, diz o relatório divulgado no dia 05 de julho pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) em conjunto com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Fonte: Fonte: FAO – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: OECD-FAO
Resumo das Perspectivas Agrícolas da OCDE e da FAO 2021-2030 

Embora o progresso em relação aos ODDs seja esperado durante esta próxima década – desde que haja uma rápida recuperação global da pandemia de Covid-19, condições climáticas estáveis e políticas ambientais – as disrupturas ocorridas no ano passado em decorrência do Covid-19 deixaram o mundo mais longe de alcançar as metas. Isso exigirá atenção urgente sobre os fatores e as forças que influenciam o desempenho dos sistemas agroalimentares.

As Perspectivas Agrícolas da OCDE e da FAO 2021-2030 fornecem aos formuladores de políticas uma avaliação de consenso sobre a evolução dos 40 principais produtos agropecuários e pesqueiros, nos próximos dez anos, em mercados nacionais, regionais e mundiais dos produtos agrícolas, pesqueiros e aquícolas, constituindo uma referência para análises prospectivas e ao planejamento de políticas públicas voltadas para o futuro.

Assegurar alimentação com dietas saudáveis para uma crescente população global permanece sendo um desafio. A demanda global por commodities agrícolas – incluindo as utilizadas para alimentação humana, ração animal, biocombustível e insumos industriais – deverá crescer 1,2% ao ano na próxima década, uma taxa menor do que na década passada.

Nas demandas futuras deverão prevalecer as tendências demográficas que incluem a substituição de carne vermelha e de aves de granjas em países de maior renda, e o boom no consumo per capita de lácteos no Sul da Ásia.  

Resumo

Este trabalho é o resultado da colaboração entre a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e foi elaborado com a ajuda de especialistas dos países membros das entidades e de organizações internacionais especializadas em commodities. Nele são destacadas as tendências econômicas e sociais fundamentais que influenciam o setor agroalimentar mundial, a partir de hipóteses sobre as condições climáticas e políticas públicas sem grandes alterações. O período desta edição encerra em 2030, e as projeções também abrangem áreas onde seja necessária atenção especial para atingir os ODS.  

No momento da preparação desta publicação, o setor da agricultura e da alimentação mostravam uma grande resiliência diante da pandemia mundial de Covid-19 em comparação com outros setores da economia. No entanto, o efeito combinado da perda de renda e a inflação nos preços dos alimentos ao consumidor dificultou o acesso a alimentos saudáveis para muitas pessoas.

As projeções apresentadas nestas Perspectivas pressupõem uma recuperação econômica generalizada a partir de 2021, depois de uma contração da atividade desde o início da pandemia.

No entanto, espera-se que o Produto Interno Bruto (PIB) Global em 2030 seja inferior às projeções pré-pandêmicas, uma vez que o PIB perdido durante a pandemia do Covid-19 não será inteiramente recuperado. As Perspectivas preveem que, mantendo o curso de negócios como o habitual, será particularmente difícil atingir os ODS 2, que prevê a eliminação da fome.

Resumo das Perspectivas Agrícolas da OCDE e da FAO 2021-2030 

Nota: As estimativas são baseadas em séries cronológicas procedentes da base de dados da FAOSTAT relativas aos balanços alimentares e completadas com a ajuda da base de dados elaborada para atender as Perspectivas. Os dados relativos aos produtos não estudados dentro das Perspectivas são obtidos por extrapolação. Os 38 países e os 11 agregados regionais levados em conta dentro do cenário de referência são divididos em quatro categorias segundo a renda por habitante em 2018. Os limites definidos foram: baixa renda<US$ 1.550; intermediário inferior< US$ 3.895; intermediário superior<US$ 13.000; elevada>US$ 13.000. Os alimentos de base são: cereais, raízes, tubérculos e leguminosas. Os produtos animais são: carne, produtos lácteos (com exceção da manteiga), ovos e peixes. As gorduras são: manteiga de leite e óleos vegetais. Os adoçantes são o açúcar e a isoglucose. Na categoria “outros” estão frutas, legumes e outros produtos de origem vegetal e animal.

Fonte: FAO (2021). Base de dados da FAOSTAT sobre os balanços alimentares, www.fao.org/faostat/en/#data/FBS; OCDE/FAO [2021], “Perspectivas agrícolas da OCDE e FAO”. Estatísticas agrícolas da OCDE (base de dados), http://dx.doi.org/10.1787/agr-outl-data-fr.

Os obstáculos a serem superados para atingir os ODS não serão os mesmos em todos os países. De acordo com as projeções, a disponibilidade alimentar mundial média por pessoa aumentará 4% no decorrer dos próximos dez anos, atingindo um pouco acima de 3.025 kcal por dia em 2030.  

No entanto, esta média mundial mascara as diferenças entre regiões. Nos países de renda intermediária a aquisição de alimentos deverá crescer mais sensivelmente, enquanto a dieta alimentar se manterá inalterada em países de baixa renda. Na África subsaariana, onde 224,3 milhões de pessoas tinham subnutrição entre 2017-19, a disponibilidade alimentar por habitante não deverá aumentar mais que 2,5% no próximo decênio e estará em 2.500 kcal/dia em 2030.

Nas Perspectivas está prevista mudança na dieta nos próximos dez anos. Em países de renda elevada, o consumo de proteínas animais por habitante deverá estabilizar.

Devido ao crescimento das preocupações com problemas sanitários e ambientais, o consumo de carne por habitante não deverá aumentar e os consumidores irão substituir cada vez mais a carne vermelha por carne de aves e produtos lácteos.

Nos países de renda intermediária, a preferência por produtos animais e de pesca deverá permanecer significativa e, de acordo com as projeções, a disponibilidade de proteína animal per capita aumentará 11%, caindo para 4% o crescimento do consumo em países de alta renda, passando a ser 30 g/pessoa/dia em 2030.

A composição da dieta alimentar também influenciará a saúde. Em escala mundial, as gorduras e os alimentos básicos deverão representar cerca de 60% das calorias suplementares no próximo decênio e corresponderá a 63% das calorias disponíveis em 2030, enquanto que frutas e legumes continuarão a fornecer 7% das calorias disponíveis. Serão necessários esforços suplementares para alcançar uma ingestão líquida de 400 gramas de frutas e legumes por pessoa/dia, como recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O emprego de meios para reduzir as enormes perdas e desperdícios alimentares, especialmente de produtos perecíveis será fundamental. 

O trabalho destaca a influência notável da eficiência da alimentação animal e de doenças sobre a evolução da produção animal e dos mercados agrícolas.

A redução da taxa de crescimento da produção animal e a melhoria da eficiência alimentar em países de renda elevada e em certas economias emergentes deverão reduzir o aumento na demanda por ração animal em comparação com a década anterior e frear a alta da demanda por alimentos de origem animal em comparação com a década passada. Por outro lado, em muitos países de renda baixa e intermediária haverá forte crescimento da demanda por alimentação animal no decorrer da década, à medida que seus setores de criação animal se desenvolver e intensificar. O desenvolvimento da pecuária na China, o maior consumidor mundial de alimentação animal, terá um papel central na evolução dos mercados globais para esses produtos.

Depois do surto da febre suína africana (FSA), a China começou a recompor a estrutura do seu plantel de suínos em 2020, o que significa ter um efeito limitado sobre a evolução do consumo médio de alimentos por cabeça animal.

Resumo das Perspectivas Agrícolas da OCDE e da FAO 2021-2030 

Nota: As estimativas são baseadas em séries cronológicas procedentes da base de dados da FAOSTAT relativas às emissões de gases de origem agropecuária e completadas com a ajuda da base de dados elaborada pelas necessidades das Perspectivas. Para as categorias de emissão não associadas a nenhuma das variáveis estudadas (a saber, emissões ligadas à exploração orgânica dos solos e o fogo das savanas), foi conservado o valor disponível mais recente. A categoria “outros” compreende as emissões diretas de Gases de Efeito Estufa (GEE) ligados aos resíduos de colheitas e sua incineração, aos fogos de savana e à exploração de solos orgânicos.

Fonte: FAO (2021). Base de dados da FAOSTAT sobre as emissões de origem agropecuária, www.fao.org/faostat/en/#data/GT; OCDE/FAO [2021], “Perspectivas agrícolas da OCDE e da FAO”. Estatísticas agrícolas da OCDE (base de dados), http://dx.doi.org/10.1787/agr-outl-data-fr.

De acordo com as Perspectivas, o crescimento do setor de biocombustíveis será mais lento do que no decorrer das duas últimas décadas. A produção deverá absorver menor proporção dos principais produtos que servem de matéria prima, exceto o caso da cana de açúcar. Na União Europeia (UE) e nos Estados Unidos da América (EUA), a ação pública apoiará cada vez mais a transição para veículos elétricos e incentivará a utilização de lixos e resíduos para produzir biocombustíveis. No entanto, os principais produtores de cana de açúcar e óleo vegetal (Brasil, Índia e Indonésia, por exemplo) continuarão a crescer sua produção, sob a influência do aumento do consumo de combustíveis, as metas ambientais e o fortalecimento do setor agrícola nacional.

Nesta edição das Perspectivas será destacado o importante papel que desempenham os investimentos públicos e privados na melhoria da produtividade. A produção agrícola mundial deverá crescer 1,4% por ano no decorrer do decênio, de acordo com as projeções, e este aumento ocorrerá sobretudo nas economias emergentes e em países de baixa renda. As Nas As Perspectivas esperam que a melhora no acesso a insumos e investimentos levem à produtividade em tecnologias, infraestruturas e capacitação, fatores determinantes para o desenvolvimento agrícola. É essencial fazer da agricultura uma prioridade e de direcionar corretamente os gastos públicos e privados para melhorar a produtividade agrícola, especialmente em países onde os recursos públicos são limitados e onde a economia é dependente do setor agrícola.  

Resumo das Perspectivas Agrícolas da OCDE e da FAO 2021-2030 

Nota: Os dados históricos são os Índice FAO dos preços dos gêneros alimentícios, que recolhem as informações dos preços nominais dos produtos agrícolas; aqui para as projeções foram utilizados cenários de referência das Perspectivas agrícolas da OCDE e da FAO. Os valores reais 

(2014-16=1).

Fonte: OCDE/FAO [2021], “Perspectivas agrícolas da OCDE e da FAO”. Estatísticas agrícolas da OCDE (base de dados), http://dx.doi.org/10.1787/agr-outl-data-fr.

As Perspectivas colocam em evidência a forte contribuição da agricultura às mudanças climáticas. A intensidade das emissões de carbono pela produção agropecuária deverá diminuir ao longo dos próximos dez anos, porque as emissões diretas de gases de efeito estufa (GEE), do setor, deverão aumentar em menor velocidade do que a produção. Entretanto, as projeções indicam que as emissões mundiais de GEE imputadas à agricultura aumentaram 4% no decênio, os rebanhos representarão mais de 80% desse crescimento. Os poderes públicos deverão então estabelecer esforços suplementares para que o setor agrícola contribua realmente para a redução mundial das emissões de GEE prevista do Acordo de Paris. Isso deverá passar por adoção de procedimentos produtivos que respeitem o clima limitando as emissões, principalmente os procedentes da pecuária.

O comércio continuará sendo particularmente importante nos países deficitários em recursos, que são dependentes das importações de alimentos de base e de alto valor agregado. Em escala mundial, a proporção de calorias importadas dentro do consumo total deverá se estabilizar em torno de 20%, não obstante as diferenças regionais. Assim, as projeções indicam que não atingirá menos de 64% na região do Oriente Médio e Norte da África (MENA). As exportações desempenham um papel importante no desenvolvimento da produção agrícola em muitos países e regiões. Daqui até 2030, 34% da produção agrícola da América Latina e Caribe deverá ser exportada. À medida que os desequilíbrios regionais se acentuarem, o uso de medidas que restrinjam o comércio (restrições às exportações e às importações, por exemplo) poderá ter efeitos danosos sobre a segurança alimentar mundial e à nutrição, bem como sobre os meios de subsistência dos agricultores.   

As projeções sobre os preços apresentadas nas Perspectivas conjugam a evolução do consumo e da produção mundial de produtos agrícolas com base nas condições de mercado esperadas. Os preços internacionais da maioria das commodities aumentaram no segundo semestre de 2020, impulsionados pela forte demanda por alimentos para animais na China e restrições ao crescimento da produção agrícola global. Uma correção é, portanto, esperada nos primeiros anos do período de projeção. Em seguida, os fundamentos do mercado devem levar a uma ligeira queda nos preços reais, impulsionados por melhorias na produtividade e crescimento mais lento da demanda. A queda dos preços reais corre o risco de pesar na renda dos agricultores, especialmente aqueles os pequenos e da agricultura familiar, que não conseguem reduzir custos o suficiente com a melhoria da produtividade.

No decorrer do período, a variação das condições climáticas, pragas e doenças de animais e de plantas, a evolução dos preços dos insumos, eventos macroeconômicos e outras incertezas se traduziram em desvios dos preços projetados.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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