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Especiais Selectus nº 6134

Argentina – Crise do setor lácteo agrava a perda de competitividade da produção e da indústria

Competitividade/AR – Apesar do setor primário estar batendo o recorde de participação no valor final do leite, ele é extremamente impactado pelo aumento do custo e também pelas retenções. Além disso, a rentabilidade da indústria está no vermelho, entre outras coisas, pela vigência da política de Controle de Preços, (Preços máximos e Preços Cuidados).

Fonte: Fonte: PortaLechero – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: "Two Curious Dairy Cows" by RLWilsonPhotography is licensed under CC BY 2.0
Argentina – Crise do setor lácteo agrava a perda de competitividade da produção e da indústria

A indústria de laticínios perde dinheiro com a política oficial. O faturamento acumula queda de AR$ 1,6 bilhões e as perdas do negócio duplicam este valor. O produtor também não pode aproveitar sua participação histórica de 37% no valor final do leite. Questões como elevação dos preços internacionais da soja e do milho, a manutenção da política oficial de controle de preços e o pagamento de retenções tiram o brilho do setor lácteo que até meados de 2020 conseguia resultados favoráveis.

Jorge Giraudo, Diretor do Observatório da Cadeia Láctea da Argentina (OCLA), reconheceu em conversa com o Infobae que “hoje a participação do produtor no preço final do leite está em seu máximo histórico no mercado interno. Apesar disso, o setor primário denuncia que não consegue cobrir os custos de produção. De fato, o preço ao produtor subiu o mesmo que a inflação e o câmbio, e inclusive um pouco mais. No entanto, quando se avalia o custo de produção, o mesmo subiu 65% por questões alheias ao setor lácteo, como a elevação internacional dos preços do milho e da soja que são os principais insumos para a alimentação animal”.

Giraudo ressaltou que o incremento ocorrido para o grão de soja na ordem mundial e também local, “impactou também sobre os contratos de arrendamento. Cerca de 50% da superfície utilizada para produção de leite é arrendada por valores vinculados à soja. Devido a isto os custos da produção de leite também cresceram demasiadamente”, explicou o dirigente do OCLA.

É preciso levar em conta que o preço do leite ao produtor teve aumento interanual de 44,5%, e o valor de saída de fábrica (o preço vendido pela indústria) cresceu 35,1%, enquanto que os preços finais (média dos mercados antes dos impostos) subiram 26,3%.

A participação do setor primário em abril sobre o preço final do leite nas gôndolas ficou em 37,6%, reajuste de 3,1 pontos na comparação interanual. A indústria, no entanto, apresentou participação de 27,8%, com retrocesso de quase 2 pontos percentuais e o setor comercial perdeu 5,4 pontos percentuais ao conseguir 18,5% de participação. No entanto, a participação do Estado chega a 16,2% (somente levando em consideração os impostos de venda).

Relação histórica

Apesar do elevado nível de participação, o produtor não se considera em uma posição vantajosa, porque o valor dos grãos e insumos dolarizados estão em alta, afetando as margens. A relação histórica é 2 quilos de milho para 1 litro de leite cru. Hoje o valor do grão é de 40 pesos, enquanto o litro de leite mal chega a 28 pesos. É quase impossível, atualmente, reconstituir o equilíbrio entre Milho/Leite.

“Se constata ainda, assegurou Giraudo, um resultado negativo para a indústria de laticínios apesar dos bons preços dos lácteos. Hoje o bolo oferecido ao negócio dos lácteos é pequeno. Jogam contra o Controle de Preços, uma política benéfica para o consumidor, e a cobrança, pelo Estado, dos direitos de exportação.”

Tal como lembrou Giraudo, está difícil o setor industrial se beneficiar dos bons preços internacionais de produtos chaves como o leite em pó. No mundo, hoje, estão em vigor valores como os que foram pagos no último leilão da Fonterra na Nova Zelândia para o leite em pó integral, US$ 4.100 a tonelada. No âmbito local só se consegue o preço de no máximo US$ 3.700 a tonelada.

Faturamento

O último boletim do OCLA destacou que o faturamento do setor lácteo em abril de 2021 foi de AR$ 70,31 bilhões, cifra que apresenta incremento interanual de 44,5%. Dito faturamento é similar ao incremento apresentado pelo custo de vida em igual período, 42,6%. É preciso lembrar que o faturamento do leite integral conseguiu aumento interanual de 32,6%, favorecido pelo aumento no volume de vendas e não pelo preço.

Assim ficou registrado que “o resultado setorial resulta negativo em AR$ 1,6 bilhões, com AR$ 3,32 bilhões de prejuízos este ano, já que no ano anterior o resultado foi positivo em AR$ 1,7 bilhões para o setor industrial.

“O faturamento da cadeia foi restringido no plano interno pelo Controle de preço; consumo muito similar ao ano anterior; e no mercado externo, os melhores preços internacionais, incentivaram as exportações que cresceram 20% em litros equivalentes, em março, quando comparado com 2020”, informou o OCLA.

Acesse aqui a matéria na íntegra

Imagem de capa: "Two Curious Dairy Cows" by RLWilsonPhotography is licensed under CC BY 2.0

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