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Especiais Selectus nº 5792

Eficiência da mão de obra e da nutrição animal melhoram retorno do produtor de leite

Custos Leite - A alimentação animal e a mão de obra, geralmente, são os principais desembolsos na pecuária de leite.

Fonte: Cepea

Na “média Brasil” (composta pelos estados de BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP), a nutrição do rebanho representa 55% dos dispêndios da atividade leiteira e a mão de obra responde por aproximadamente 20%. Por representarem em torno de três quartos dos custos de produção, esses dois itens têm grande influência nas margens do produtor. Por isso deve-se buscar a melhor eficiência na utilização desses fatores. Para analisar como a alimentação animal e a mão de obra afetam os indicadores da atividade leiteira, as 47 propriedades típicas visitadas pelo projeto Campo Futuro entre 2017 e 2019 foram agrupadas de acordo com seu resultado econômico. Aquelas com margem líquida¹ negativa compuseram o grupo de propriedades inferiores. As com margem líquida entre R$ 0,00/ha e R$ 1.000,00/ha formaram o grupo intermediário. E as com margem líquida maior que R$ 1.000,00/ha compuseram o grupo superior. No que tange à mão de obra, somente o grupo de propriedades superiores conseguiu obter produtividade acima do referencial de eficiência de 300 L/homem/dia (Figura 1).

Eficiência da mão de obra e da nutrição animal melhoram retorno do produtor de leite

Como consequência, esse também foi o único grupo a conseguir diluir os custos com a mão de obra, de maneira que esse item comprometeu apenas 8,9% da receita da atividade. Já os outros grupos apresentaram baixa produtividade da mão de obra, evidenciando a necessidade e a possibilidade de elevar a produção de leite sem aumentar o número de funcionários. No que diz respeito à alimentação do rebanho, nas propriedades com resultados econômicos superiores, os custos com nutrição animal estão equilibrados e próximos do referencial de comprometimento de 50% da receita da atividade (Figura 2).

Eficiência da mão de obra e da nutrição animal melhoram retorno do produtor de leite

Com isso, a quantidade de vacas em lactação por hectare nesse grupo foi 122% e 175% maior do que o observado nas propriedades intermediárias e inferiores respectivamente. Vale a pena ressaltar que mesmo com mais animais por hectare, a produção diária por cabeça foi notadamente mais elevada nas propriedades superiores. Nos outros grupos, ainda há espaço para aumentar os aportes financeiros na alimentação do rebanho, uma vez que esse fator está diretamente relacionado à produção de leite. As alternativas possíveis são elevar a quantidade de concentrado fornecido aos animais e aprimorar a produção de volumoso. Com a maior produção diária por vaca e maior capacidade de suporte, a produtividade das propriedades superiores foi de 16.658 L/ha, contra 4.082 L/ha nas intermediárias e 3.157 L/ha nas inferiores. Por conta da maior produtividade e do melhor equilíbrio nas despesas com mão de obra e alimentação, o grupo superior consegue diluir melhor seus custos, de maneira que o custo total por litro de leite é menor que o dos outros grupos (Figura 3).

Eficiência da mão de obra e da nutrição animal melhoram retorno do produtor de leite

O desembolso unitário é semelhante nos três agrupamentos, porém as propriedades superiores diluem melhor as depreciações, o pró- -labore e o custo de capital, alcançando assim melhor cenário de taxa de remuneração de capital.

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