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Economia Selectus nº 5627

Gastos inadiáveis puxarão avanço de 2,6% no consumo ao longo deste ano

Consumo das famílias - Os crescimentos do consumo das famílias e dos investimentos serão de 2,6% e 4,6% neste ano, respectivamente. O baixo crescimento virá por incertezas e ociosidade, além da demora na aprovação da reforma da Previdência.

Fonte: DCI

Os números já podem ser vistos, por exemplo, nos últimos dados do Monitor do PIB (Produto Interno Bruto), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Enquanto o consumo das famílias cresceu 2% em janeiro deste ano contra igual mês de 2018, os investimentos avançaram 3,8% na mesma relação.

Gastos inadiáveis puxarão avanço de 2,6% no consumo ao longo deste ano

De acordo com a pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV Juliana Cunha, apesar de o cenário base da instituição ser de aprovação da reforma da Previdência, o momento ainda é de muita incerteza no cenário político e econômico do País.

“Quando você abre os dados [do Monitor], de todo o crescimento de consumo, 80% corresponde a serviços. E dentro dessa linha, o aluguel é o item que mais puxa essa alta. Os números são bons, mas vêm de pagamentos que não podem ser adiados”, explica.

De fato, enquanto serviços avança 3% em janeiro deste ano contra o mesmo mês de 2018, o consumo de produtos duráveis ficou estável, o de semiduráveis caiu 1,1% e o de bens não duráveis subiu 1,5% na mesma comparação.

Segundo o assessor econômico da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FecomercioSP) Guilherme Dietze, a explicação está na demora da retomada do mercado de trabalho brasileiro.

“O consumo tem a ver com o emprego, que ainda está difícil. Então ainda que supermercados e o consumo continuem crescendo, o aumento esperado em todo o comércio, por exemplo, ainda não acontece no curto prazo. Além disso, os bancos voltaram a reduzir o crédito, com os juros voltando a subir na ponta. É um sinal claro que a situação ainda não deve recuperação no curto prazo”, pondera o especialista.

O movimento, no entanto, faz parte de um ciclo. Para que o mercado de trabalho volte a reagir, os empresários precisam ter maior confiança para retomarem os investimentos. E para que isso aconteça, a espera ainda é por um ajuste fiscal.

“Existe uma precaução muito grande do empresário em investir em contratação, maquinário, equipamentos e estoques. E isso tem a ver com a falta de previsibilidade do País. As empresas só voltarão a investir com a aprovação da reforma”, acrescenta Dietze.

Neste cenário, no entanto, a pesquisadora do Ibre pontua que a maior parte do crescimento visto em janeiro (de 3,8% contra igual mês de 2018) acontece pela inclusão de plataformas de petróleo, que acabam afetando o número, “empurrando-o” para cima.

“Mesmo assim, o impulso dos investimentos em 2019 deve vir do parque industrial. Construção ainda demora porque depende muito do que vai acontecer. A expectativa do Ibre é de que enquanto o consumo cresça 2,6% em 2019, os investimentos avancem 4,6%”, avalia Cunha, da FGV.

Especificamente em investimentos, no entanto, a projeção de crescimento para 2019 já é menor do que o observado no acumulado de 12 meses até fevereiro: uma alta de 5,2% de acordo com dados da fundação Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgados nesta semana.

“Existe um tempo muito longo a ser caminhado para que tenhamos um crescimento mais significativo. Há muita capacidade ociosa para usar e mesmo que a reforma da Previdência seja aprovada no meio do ano, como é esperado, os reflexos de retomada econômica não são imediatos. A expectativa é que vejamos um ritmo mais elevado de crescimento só no começo de 2020”, conclui Dietze da Fecomercio.

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