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Especiais Selectus nº 5544

Alemanha – O que se passa no setor leiteiro?

Custos/UE – Estudos realizados de 2013 a 2018 mostram os custos reais dos últimos cinco anos. Então é uma boa pergunta: o que se passa verdadeiramente dentro do setor lácteo? Comecemos com alguns números: 32,58 e 34,68 centavos/quilo. Esse é o valor médio dos preços do leite na Bélgica e na Alemanha nos últimos cinco anos.

Fonte: EMB – Tradução livre: www.terraviva.com.br

O que pode ser deduzido da situação do setor lácteo? Pouca coisa. É preciso acrescentar os custos nesse mesmo período. Na Bélgica, eles chegam à média de 44,58 centavos/kg, e na Alemanha 43,15 centavos/kg de leite produzido. Conclusão: com um déficit médio de 12 centavos na Bélgica e de 8,50 centavos/kg de leite na Alemanha, não é de se admirar que a renda das pessoas que trabalham na produção de leite seja inferior à média da população. Devemos este panorama preciso da situação a uma série de estudos do BAL (Departamento de Sociologia Agrícola e Economia Rural da Alemanha) iniciados cinco anos atrás. Graças a esses cálculos realistas na Alemanha, desde 2013 tem sido possível determinar claramente a situação real das propriedades leiteiras alemãs. Dois outros países, a França e a Holanda também foram incluídos nos estudos no mesmo ano. Depois vieram Bélgica, Luxemburgo e Dinamarca, ficando os estudos do BAL disponíveis para seis países produtores de leite.

Porque os estudos são tão especiais?

Eles são:

Regulares e atuais: revisados e atualizados a cada ano, e às vezes a cada trimestre.

Precisão: o valor do tempo de trabalho destinado à produção de leite está incluído nos custos, levando em consideração a função e a qualificação dos trabalhadores. Isso parece óbvio, mas frequentemente esses dados são omitidos dos cálculos.

Representatividade: os estudos utilizam parâmetros reconhecidos pela Rede Contábil de Informações Agrícolas (RICA) da União Europeia (UE), e se baseiam em um banco de dados europeu muito abrangente.

           Comparáveis: Graças ao banco de dados comum da UE, é possível comparar os cálculos nos diferentes países.

O que significam esses estudos para os produtores de leite europeus?

Eles tornam possível confrontar os líderes políticos sobre a situação atual e mostrar que as condições do setor lácteo são de déficit estrutural. Representantes das marcas Leite a Preço Justo utilizam esses números nas negociações com os supermercados para determinar o preço do litro de leite. A vice-presidente da EMB – Entidade que representa o setor lácteo europeu – Sieta van Keimpema, avalia que esses cálculos podem desempenhar um papel importante nas discussões: “eles permitem conduzir debates públicos. Mas, também servem de alerta para nós, os produtores de leite. Nós vemos o verdadeiro valor do nosso trabalho e dos nossos animais. E, para sermos honestos, esses números mostram a dolorosa realidade e quão mal pagos somos. Isto tem consequências para o futuro da agricultura. Apenas 6% dos produtores da UE e 1,68% dos holandeses têm menos de 35 anos de idade. Na faixa etária de 35 a 44 anos, esse número é de apenas 15%”.

Segundo a Drª Karin Jürgens, pesquisadora da BAL, o balanço dos custos de produção e do preço do leite em todos os países estudados mostra o dilema: “Durante anos, os produtores de leite tiveram que viver com os preços do leite que não atendiam os requisitos atuais de desenvolvimento e suas qualificações profissionais.”  

Deve mudar. Essa situação deficitária poderia ser mitigada por meio de um instrumento que protegeria o setor de laticínios das crises. Os produtores de leite da EMB defendem a implementação do Programa de Responsabilidade do Mercado (MRP). Sieta van Keimpema acrescenta: “Queremos participar construtivamente na melhoria da situação do mercado de leite. É por isso que apresentamos esses estudos de custo para mostrar exatamente qual é a situação do setor. Adicionamos o MRP para indicar o que pode ser feito para eliminar crises”.

Alemanha – O que se passa no setor leiteiro?

Alemanha – O que se passa no setor leiteiro?

UTA – A Unidade de Trabalho Anual (UTA) representa a média diária de pessoas que executam, em tempo integral, o trabalho na fazenda para produção de leite. Soma da Mão de obra contratada e familiar.

UTAF – A Unidade de Trabalho Anual Familiar (UTAF) representa a média diária de pessoas da família que executam, em tempo integral, o trabalho na fazenda para produção de leite. Mão de obra não contratada.

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