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Especiais Selectus nº 5536

Um setor lácteo com mais produção e menos dólares

Lácteos/Uruguai – O elevado nível produtivo das fazendas e a boa colocação dos lácteos não foram suficientes para os produtores ficarem equilibrados.

Fonte: El Observador – Tradução livre: Terra Viva

O setor lácteo resiste, com uma boa produção de leite impulsionada por uma primavera excepcional e um bom desempenho exportador, mas, com preços deprimidos e dificuldades financeiras que persistem, tanto ao nível produtivo como industrial.

Outubro foi o mês dos recordes. A captação da Conaprole foi a mais alta na história para esse mês, com 152,8 milhões de litros, 12 milhões a mais (8,7%) em relação a igual mês de 2017, informou o vice-presidente da cooperativa, Alejandro Pérez Viazzi.

Considerando que a cooperativa recebe 75% do leite produzido, a produção total em outubro girou perto de 205 milhões de litros, 10 milhões a mais que no ano passado, mas, também, 10 milhões a menos do que os 215 milhões captados em outubro de 2013, mês que ostenta o recorde de produção de leite até o momento.

Até setembro, o volume enviado a todas as indústrias do país era 6% superior em relação a um ano atrás (1.412 milhões de litros contra 1.328 milhões), embora o faturamento em dólares permanecesse menor pelo quinto mês consecutivo, segundo dados do Instituto Nacional do Leite (Inale).

Em setembro o faturamento bruto foi de US$ 56,8 milhões, US$ 5 milhões a menos do que os US$ 61,8 milhões obtido no mesmo mês do ano passado.

Este faturamento menor reflete a queda dos preços em dólares que o produtor recebeu, e que se encontra no menor nível desde julho de 2016. Em setembro o preço médio de US$ 0,30 por litro, com uma queda percentual de sólidos (3,74% de matéria gorda e 3,39% de proteína), seis centavos de dólar a menos (17%) que os US$ 0,36 por litro de setembro de 2017. E é um preço muito similar ao custo de produção de muitas fazendas.  

Captação Mensal de Leite no Uruguai até outubro de 2018

Um setor lácteo com mais produção e menos dólares

Em busca de alternativas para que os números voltem ao azul, os produtores apelam para conseguir apoio governamental, sem, no entanto, haver acordo em relação às respostas dadas até o momento.

A isso se soma o problema do endividamento com o sistema financeiro, gradualmente em baixa para o setor primário e em busca de um equilíbrio na indústria de laticínios. O endividamento dos produtores com o sistema bancário está em torno de US$ 290 milhões, um valor alto em termos históricos, mas, abaixo do pico de quase US$ 350 milhões contabilizados no final de 2016 e uma inadimplência de 5%, quando em 2014 ela não chegava a 0,5%. Enquanto, o endividamento das indústrias permanece em um nível mais elevado, cerca de US$ 247 milhões, com inadimplência de 18%.

Meses atrás a cooperativa fechou um grande negócio de venda de leite em pó para a Argélia, com remessas distribuídas ao longo do ano, mas, a preços menores do que as cotações da Fonterra (US$ 2.680 por tonelada, contra US$ 2.741).

Em parte, este foi o fator chave para que as exportações de lácteos do Uruguai, em outubro, alcançasse um máximo histórico para o mês – ainda que relativo – de 32.285 toneladas, ou seja, 10.289 toneladas a mais, ou 47%, em relação às 21.997 toneladas exportadas em outubro de 2017.

Isso ocorreu com preços deprimidos, depois de seis leilões consecutivos de baixa na Fonterra, e média de US$ 2.851/tonelada em 6 de novembro que pressionou para baixo o preço de exportação em outubro: US$ 2.723, o mais baixo desde dezembro de 2016 (US$ 2.600).

No acumulado do ano foram exportadas 196.794 toneladas de lácteos, ou 35.000 a mais em relação ao mesmo período do ano passado.

Exportações de lácteos do Uruguai para a Argélia

Um setor lácteo com mais produção e menos dólares

A Argélia surge como o principal comprador das exportações uruguaias com participação de 29%, retirando o Brasil (21%) do pódio, lugar que ocupava há 10 anos. As compras da Argélia são 99% de leite em pó, cerca de 56.471 toneladas (o 1% restante se divide entre manteiga e soro de leite). De fato, em 2017 o Uruguai foi o terceiro principal fornecedor do país africano, com participação de 8,8% do mercado, ficando atrás da Nova Zelândia (54%) e da Holanda (11%). Em 2016 as vendas ao país africano somaram 17.770 toneladas, um ano mais tarde essa cifra cresceu para 39.134 toneladas, volume já largamente superado em 2018.

Exportações de lácteos do Uruguai para o Brasil

Um setor lácteo com mais produção e menos dólares

O Brasil – com vantagens alfandegárias do Mercosul – teve uma forte baixa nas compras este ano. Nos primeiros dez meses do ano foram exportadas 40.561 toneladas, quase 23.000 toneladas a menos (36%) do que as 63.366 toneladas vendidas no mesmo período do ano passado. A queda pode ser explicada principalmente pelo aumento da produtividade do Brasil, que vem mostrando essa tendência de alta nos últimos cinco anos, mas, também pela desaceleração econômica e desvalorização cambial da moeda brasileira em 2018. Uma fonte industrial destacou que apesar da queda, o mercado brasileiro deverá se manter como um dos principais compradores de lácteos do Uruguai.

Exportações de lácteos do Uruguai para a China

Um setor lácteo com mais produção e menos dólares

As exportações de lácteos para a China, ainda que menores em magnitude, é um mercado promissor. Este ano houve aumento mês a mês e superam sempre as vendas de 2017. De janeiro a outubro foram enviadas 14.238 toneladas, três vezes mais que as 4.827 toneladas do ano passado. O principal produto enviado é leite em pó integral. Em outubro foi o segundo comprador deste produto (1.600 toneladas), acima do Brasil. A tendência do gigante asiático como comprador de produtos lácteos do Uruguai é de crescimento, devido o aumento do consumo, associado à mudança de dieta e uma produção local em queda.

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