Logo

Segunda, 09 Dezembro 2019 16:29

Autoridades regionais da Argentina e Chile consideram estratégico o Corredor Bioceânico

Escrito por 

Corredor Bioceânico – Os governos locais de La Rioja e Catamarca (Argentina) e Atacama (Chile) estão incentivando, nos últimos anos, um projeto para construir um “Corredor Bioceânico” que permita sistematizar o envio de produtos minerais e agroindústrias para os portos do norte do Chile.

O propósito é reduzir de maneira significativa os custos e tempos logísticos das exportações destinadas aos mercados asiáticos e para a costa Oeste dos Estados Unidos. Para ter êxito é necessário o aval dos governos centrais dos dois países, o que até o momento não ocorreu por questões políticas internas presentes nos dois lados da cordilheira.

 

“Atualmente as exportações argentinas realizadas em cargueiros com destino à Ásia devem atravessar o Atlântico e passar pelo Canal do Panamá com maiores custos e demoras que podem chegar até 20 dias em relação aos embarques realizados no Pacífico”, disse Luis María Agost Carreño, secretário de Integração Regional e Cooperação Internacional de La Rioja.

 

“Para certas produções agroindustriais a economia de tempo é mais importante que a economia de custos, como é o caso das frutas frescas e carne refrigerada, para as quais é uma questão crucial chegar antes aos portos asiáticos para ter maior vida útil”, acrescentou durante um evento organizado pelo Ministério do Planejamento e Industria de La Rioja em coordenação com o Conselho Federal de Investimentos (CFI).

 

 

 

Falta terminar um trecho de uns 50 quilômetros para conectar Paso de Pircas Negras (La Rioja-Atacama), enquanto Paso de San Francisco (Catamarca-Atacama) já se encontra em operação; Neste último projeto para conectar a rede ferroviária Belgrano Cargas (Argentina) com redes ferroviárias chilenas que já estão em operação.

 

A obra ferroviária para conectar ambos os países representa uma extensão de 420 quilômetros: 250 do lado argentino e 170 do lado chileno. Na Argentina, além de precisar recuperar as estradas de Belgrano Cargas para conectar à estação cordobesa de Serrezuela com Chamical (La Rioja) e Tiongasta (Catamarca), onde ficaria vinculada com a ferrovia binacional. No Chile também deverão ser recuperadas várias ferrovias desativadas que estão em mão da empresa Ferronor.

 

No final do ano passado o Legislativo de La Rioja aprovou a expropriação de 523 hectares da Base Aérea de Chamical – que se encontra desativada – com o propósito de lançar as bases para criar um Polo Logístico de Cargas onde irá operar uma zona franca aduaneira.

“A primeira coisa que os chineses perguntam quando vão avaliar o potencial logístico é se existe uma zona franca disponível. Trata-se de um gargalo estratégico porque Chamical se encontra no cruzamento das duas rotas nacionais (38 e 79) que conectam o norte com o centro do país”, destacou Agost Carreño.

 

 

 

Projeto do Polo Logístico de Cargas em Chamical

O Chile conta com três portos de águas profundas – Chañaral, Caldera e Las Losas em Huasco – que têm capacidade para receber cargueiros com capacidade superior a 100.000 toneladas (enquanto que os terminais argentinos da zona de influência de Rosario só podem carregar até 40.000 toneladas).

 

O Puerto de Caldera – especializado em cargas refrigeradas – opera somente dois meses do ano (dezembro e janeiro) para exportar uvas frescas provenientes do Valle de Copiapó. No entanto, no Puerto de Las Losas existe infraestrutura para operar cargas a granel e se encontra ocioso na maior parte do ano, dado que a o mesmo foi projetado para operações que foram totalmente desativadas em 2012 (tratava-se de uma mega planta de suínos de Agrosuper, localizada na comunidade de Freirina, que tinha por objetivo importar grãos argentinos para transformá-los em carne a ser exportada para a China; pouco tempo depois de começar a funcionar, o empreendimento foi fechado por questões ambientais).

 

 

 

Porto de Caldera

O Corredor Bioceânico, tanto rodoviário como ferroviário, permitirá alternativa logística para as exportações argentinas de cítricos, azeite essencial de limão, grão de bico, mirtilo, açúcar, azeite de oliva, assim como diversas especialidades cordobesas (mandioca, milho pisingallo, soja não transgênica, etc) e produtos agroindustriais de Cuyo (uvas frescas, vinhos, mosto, sucos de frutas e alfafa, entre outros). A ferrovia bioceânica também permitiria agilizar envios de cereais e soja para os portos chilenos.

 

“Quanto visitamos a China, o governador da província de Hunan, Xu Dazhe, nos disse “se houver conexão, há desenvolvimento”; além das produções existentes, o Corredor Bioceânico irá permitir o desenvolvimento de muitas regiões que têm potencial, como pode ser o caso de quase 140.000 hectares com disponibilidade de água subterrânea de boa qualidade em Rioja e vizinhanças”, comentou Agost Carreño.

Em 2017 uma equipe de engenheiros da corporação China Railways encomendou um estudo de viabilidade técnica para a ferrovia bioceânica por el Paso de San Francisco. Em abril de 2018 o EximBank (Export-Import Bank da China) firmou com a província de La Rioja uma carta de intenção para financiar a obra com um prazo de 20 anos, dez de carência e justos de 3% ao ano. Mas, não houve interesse por parte do governo central da Argentina em avaliar o investimento.

 

Mesmo que haja troca de governo no dia 10 de dezembro, a situação econômica e financeira do país é crítica. E os conflitos sociais do Chile complicam ainda mais as perspectivas de que os governos centrais de ambos os países decidam realizar a obra com recursos próprios.

 

 

 

Luís Maria Agost Carreño e Roberto Masso Briceño

“Creio que nem a Argentina, nem o Chile estão em condições de realizar esta obra”, assegurou Roberto Masso Briceño, empresa´rio de Copiapó que preside a Câmara de Comércio Internacional Bioceânica do Chile. “Existem grandes empresas da China, Estados Unidos e Canadá que estão interessadas em financiar a obra ferroviária em troca de uma concessão de serviço por um tempo determinado

Informações adicionais

  • NUMERO SELECTUS: 5797
  • Fonte da Notícia: valorsoja – Tradução livre: Terra Viva
  • Data: Segunda, 09 Dezembro 2019
Lido 95 vezes