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Terça, 13 Agosto 2019 10:21

Argentina – O preço volta a incomodar os produtores

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Preços/AR – Este ano o preço da matéria prima começou tomar um caminho ascendente que poucas vezes foi registado na história. O calor fez cair a produção, tal como ocorre em todo o verão, mas a demanda extraordinária de leite com destino social fez com que houvesse a necessidade de assegurar leite cru às indústrias, que começaram a elevar os preços de uma forma extraordinária.

Deve-se ter em conta que o leite produzido em janeiro foi comprado a AR$ 9,63/litro, [R$ 0,72/litro], na média nacional, enquanto que no mês de junho foi pago AR$ 15,15/litro, [R$ 1,14/litro]. São quase seis pesos de aumento no preço da matéria prima, mas, não por decisões políticas sábias, mas pela simples equação da oferta e demanda.

Em fevereiro a produção caiu para 668 milhões de litros, e em junho 808 milhões. Definitivamente, a produção de leite continua estagnado desde 1999.

No meio de tudo isso e sem alcançar novos mercados internacionais, e apesar das previsões feitas pela Agroindústria, as 19 indústrias de laticínios registradas para exportar fazem seus negócios e precisam cumprir seus contratos. 

O consumo interno está muito baixo, porque somente o litro de leite em embalagem Tetra Pak já aumentou cerca de 20 pesos no semestre, e ainda continua mantendo o sistema de remarcação. Cada vez que nos deparamos com os lácteos nas gôndolas, é preciso refazer os cálculos e, cortar itens acaba sendo inevitável. O consumo reduzido pode ser explicado pelos cremes, iogurtes e sobremesas que custam acima de 30 pesos por unidade, pelo queijo pastoso em torno de 90 pesos, ou o queijo cremoso por 300 pesos o quilo.   

Segundo dados oficiais a queda na demanda interna de leite fluido foi de 13%, leite em pó (-11%); queijos (-6%), e os outros lácteos (-13%) até o quinto mês de 2019, em relação a 2018.

Nesse contexto, a expectativa era de que na primavera, com um pouco mais de leite, o mercado iria se acalmar no ajuste dos preços ao produtor, no entanto, o tempo se antecipou. 

A matéria prima produzida em julho, que começa ser paga agora, não trás boas notícias. A maioria das indústrias interrompeu os reajustes, sobretudo as que estavam pagando acima de 15 pesos. A novidade é ainda mais complexa se for levado em consideração a desvalorização do peso desta semana. A conta no campo, onde os insumos são comprados em dólar, começa não fechar. Uma vez mais o produtor é o primeiro da cadeia que perde e não há compensação possível.

Quando os produtores foram alertados de que era hora de negociar, e encorajados a fechar contratos, é porque o horizonte mostrava essa tendência. Mas, as nuvens chegaram mais cedo do que o esperado. Deve-se entender que a formalização do setor lácteo deve começar pelas partes, já que a política não tem intenção de solucionar os conflitos. Foram poucos os que se atreveram e tiveram sucesso. Com um valor de referência real, terão em mãos os valores futuros e maior segurança em seus negócios.

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  • Fonte da Notícia: Portalechero – Tradução livre: Terra Viva
  • Data: Terça, 13 Agosto 2019
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"plano de saúde"