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Quarta, 10 Julho 2019 15:17

Câmara da Indústria de Laticínios se reuniu com a chefe da negociação para conhecer detalhes do acordo

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Mercosul x UE/Uruguai – O acordo Mercosul – União Europeia gera preocupação no setor lácteo do Uruguai.

A Câmara da Indústria de Laticínios se reuniu com a chefe da delegação Uruguaia na negociação Mercosul-UE, Valeria Csukasi, e representantes do Instituto Nacional de la Leche (Inale) para tirar dúvidas e conhecer detalhes sobre as consequências do acordo para o setor lácteo.

O acordo comercial firmado no dia 28 de junho passado estabeleceu outorga recíproca de cotas para acesso sem tarifas a 10.000 toneladas de leite em pó, 30.000 de queijos, e 5.000 de fórmulas infantis, que serão aplicadas, paulatinamente, em dez anos.

O gerente do Inale, Gabriel Bagnato, explicou no programa Tiempo de Cambio da Rádio Rural que ao longo da negociação conseguiu baixar as cifras iniciais que a UE pretendia no início, e que conseguiram proteger determinados produtos (por indicações geográficas e denominações de origem) com a cláusula denominada granfather, por exemplo, para o queijo parmesão. Quem já o está produzindo, poderá continuar.

A tarifa que protege os produtos do Mercosul é a Tarifa Externa Comum-TEC de 28%, mas, existem tarifas especiais para cada produto. Elas serão desgravadas em 10 anos e as cotas aumentando em partes iguais, disse Bagnato. Assim, ao final de 10 anos se convergirá para tarifa zero e as cotas máximas de cada um dos produtos.

Para a indústria uruguaia existe uma preocupação importante quanto à entrada de queijos, mas, a muçarela foi excluída do acordo, disse o gerente do Inale. Que tipo de queijo interessaria à UE? Provavelmente os de maior sofisticação, produtos de nichos, mas, não uma invasão de queijos “mais baratos”, disse.

O volume de leite em pó foi limitado. “O grande problema nosso é a competitividade distorcida”, disse, perguntando o que ocorrerá com setores de intervenção ou custo de produção subsidiados que entrarão mais baratos no Mercosul? Sobre esse ponto destacou que um país não pode exportar um produto abaixo do seu custo, existindo cláusulas e mecanismos pelos quais isso poderá ser evitado. “Mas, ainda existe preocupação, também quanto à competição desleal ou distorcida que foi proposta”, disse ele.

Nas fórmulas infantis, disse que o Uruguai, hoje, não tem presença forte nesse item, mas, a Alimentos Fray Bentos e a Conaprole fizeram investimentos para a produção deles. “ incertezas e preocupações para o setor lácteo”, mencionou.

Ficaram por negociar alguns aspectos menores, como a desgravação tarifária da manteiga para um percentual sugerido de 30%, que permita a entrada na UE e também no Mercosul, além de negociações sobre doce de leite e sorvetes.

“O Uruguai não negociava sozinho, negociava com os três sócios, cujos interesses prevaleceram. Internamente o Uruguai precisa de trabalhar para manter a competitividade pelo mercado brasileiro”, disse.

Outro aspecto ressaltado por Bagnato foi a dificuldade de entrar lácteos do Mercosul na UE, pela reputação. Depois de entrar em vigor poderá haver dificuldades para a entrada de lácteos na UE, e o acordo deverá ser revisado. “Esse foi um tema proposto pelo Mercosul junto à UE”, disse.

O Uruguai é um dos quatro países que tem o maior número de indústrias habilitadas para exportar para a UE. “Temos condições de ingressar na UE com alguns produtos, devendo observar preços e o momento adequados”, disse

Cada um dos parlamentos dos quatro países do bloco terá que aprovar o acordo, separadamente. Uma vez que o Uruguai o tenha aprovado, e a UE também, já entrará em vigor as cláusulas do acordo. Existe a expectativa de quando um sócio do Mercosul aprovar, os outros também o farão.

Ainda não está definido como serão distribuídas as cotas dos lácteos dentro dos países do Mercosul.

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  • Fonte da Notícia: Blasina y Asociados – Tradução livre: Terra Viva
  • Data: Quarta, 10 Julho 2019
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