O preço do leite ao produtor foi revisado para mais, na Nova Zelândia
A cotação das commodities lácteas variaram entre os segmentos.

Em
setembro, os preços dos produtos lácteos na Oceania foram contrastantes. No
entanto, existem sinais de sustentação desse quadro, à medida que os
fundamentos do mercado lácteo mundial apontam para um melhor equilíbrio. No
curto prazo, a produção de leite da primavera na Nova Zelândia se aproxima do
pico ampliando a oferta de leite. O mercado da manteiga continua fraco, enquanto
os preços do queijo mantiveram uma certa sustentação. O mercado de proteínas
está em um momento de grande força, impulsionado, especialmente pelo leite em
pó desnatado (SMP).
De um
modo geral, os preços das commodities lácteas na Oceania estão abaixo da média
dos últimos anos, com exceção do SMP, cabendo ressaltar a fraqueza em
grande parte do complexo lácteo, apesar da melhora nos fundamentos.
A
temporada 2026/27 na Nova Zelândia iniciou forte. A produção de sólidos acumulada
de junho a agosto cresceu, embora tenha sido mais moderada em agosto, recuando
para 3,3% no aumento dos sólidos e 2,2% em volume.
A
produção de agosto é, em volume absoluto, muito acima da de junho ou julho, e é
quando a curva de crescimento da produção se estabelece. Nesses três primeiros
meses da temporada, a produção de sólidos do leite atingiu 186,9 milhões de quilos,
4,4% a mais em relação aos 179,2 milhões de kg contabilizados no mesmo período
de 2025.
O preço
do leite ao produtor na Nova Zelândia foi revisado pela Fonterra, que elevou
para NZ$ 9,50 por kg de sólidos (kgMS), NZ$ 0,25 a mais em relação aos NZ$
9,25/kgMS anteriores. O movimento foi reflexo da melhora dos preços globais das
commodities lácteas e das condições favoráveis do mercado. Para esse aumento, o
limite inferior da projeção do preço subiu de NZ$ 8,00 para NZ$ 8,50, mantendo
o limite superior em NZ$ 10,50/kgMS.
Na Austrália,
houve uma reviravolta na oferta de leite. A temporada 2025/2026 encerrou com
8,65 bilhões de litros, um aumento de 1,5% em relação ao período anterior.
Contudo, esse número mascara uma melhora significativa na dinâmica do setor. A
produção passou de uma queda de 3,1% em julho de 2025 (na comparação anual)
para um crescimento de 7% em junho de 2026, impulsionado pelo estado de
Victoria (+1,9%). A Dairy Australia revisou os dados históricos da produção à
medida que informações mais completas ficaram disponíveis, acrescentando cerca
de 200 milhões de litros à oferta registrada nas últimas temporadas. Isso
sinaliza um crescimento sólido da oferta antes do pico sazonal na Oceania.
O
mercado chinês de produtos lácteos mostra sinais de estabilização depois
de um longo período de ajustes. Isso é importante para o mercado global. O
crescimento da oferta doméstica diminuiu e a demanda melhora gradualmente. Pelas previsões do RaboResearch poderá haver um aumento do volume
de lácteos importados pela China em 2026.
Pelo
lado dos custos, é preciso ficar atento ao aumento dos custos da ração que deverá
exercer pressão sobre as margens. Os conflitos globais continuam representando
riscos elevados para os preços das comodities agrícolas, especialmente as
relacionadas à alimentação animal. Junte-se a isso as incertezas de médio prazo
sobre a provável desaceleração do crescimento da oferta, à medida que os produtores
enfrentam preços mais baixos do leite na origem e custos elevados dos insumos.
Fonte: Rabobank Tradução livre: www.terraviva.com.br
















