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Especiais Selectus nº 6582

EUA – Tempestades na Califórnia são ao mesmo tempo uma bênção e uma maldição

Clima/EUA – A Mãe Natureza continua chegando com força na Califórnia, provando que uma coisa boa, pode ser demais. O estado continua sendo bombardeado pelo que os meteorologistas chamam de rios atmosféricos – faixas estreitas de precipitações que concentram em pequenas áreas um volume imenso de água.

Fonte: Fonte: Dairy Herd – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Photo by Clay Banks on Unsplash
EUA – Tempestades na Califórnia são ao mesmo tempo uma bênção e uma maldição

Estas chuvas torrenciais provocam danos no estado, inclusive para a indústria de laticínios, causando inundações, perda de vidas, e cortes de energia. Ao mesmo tempo, a precipitação fez aumentar a camada de neve, recompôs o nível de água dos reservatórios e mitigou as condições de seca em todo o estado. No entanto, as preocupações com a escassez de água permanecem.

A camada de neve, um recurso hídrico essencial para a primavera, tem agora mais de 200 polegadas de altura em algumas montanhas da localidade, disse Betth Berning, analista do Daily Dairy Report. Esta é uma boa notícia.

A má notícia é que 40 dos 58 condados da Califórnia estão em estado de emergência, incluindo regiões de grandes bacias leiteiras como Tulare, Fresno, Kings, Madera, Mariposa e Merced.

“As inundações localizadas causaram atrasos no transporte e paralisações nas fábricas de laticínios”, observa Berning. “Estradas cobertas de água, incluindo vias principais e rotas alternativas, trazendo complicações para a captação de leite ou mesmo tornando impossível em algumas localidades. O leite no mercado spot estava sendo vendido a preços menores do que leite Classe uma vez que as fábricas ficaram temporariamente fechadas e as cooperativas estão tentando encontrar um destino para o leite”.

O relatório do Departamento de Agricultura (USDA) Dairy Market News aponta que a produção de leite permanece estável durante as recentes chuvas torrenciais e o nível ficou acima da produção de fevereiro de 2023. Ainda assim, a produção de leite da Califórnia está baixa em relação às expectativas iniciais, disse Berning, e a situação continua piorando. Alguns produtores de leite tiveram que deslocar suas vacas de currais e galpões inundados, enquanto outros tiveram que evacuar todo o rebanho da propriedade.

“Tudo isso levará a altas taxas de abate e aumento dos casos de mastites e contagem de células somáticas que podem aumentar ainda mais os abates técnicos uma vez que está havendo aumento dos custos com medicamentos e os produtores podem optar por não tratar os animais doentes”, acrescentou Berning. “Os danos causados aos estoques de alimentos e a redução de recrias e outras práticas de gerenciamento terão reflexo nas taxas de concepção e, eventualmente, no número de novilhas para reposição do rebanho”.

Algumas operações poderão ser desativadas permanentemente, disse ela. E parece que os problemas causados pela tempestade podem acelerar o lento declínio da produção de leite no estado, disse ela.  

“Os aspectos positivos, é que o estado vem passando por secas severas nos últimos 15 anos, e o excesso de umidade poderá reverter alguns dos impactos da seca. Embora as restrições de água para residentes, agricultores e pecuaristas façam parte da vida da Califórnia, elas podem ser reduzidas com o aumento da umidade”.

De acordo com o Sistema Nacional de Informação de Seca, no último fevereiro, a seca cobria cerca de 85% da Califórnia, e hoje, a área afetada caiu para pouco mais de 36%, e a maior parte do Vale Central não está mais na categoria seca ou seca severa.

Mas, as questões relacionadas à água estão longe de terminar, disse Berning. Os níveis de água do Lago Mead estão preocupantemente baixos, embora tenham aumentado de 1040,71 pés de 27 de julho para 1045,92 pés em 23 de março, o que significa que a água não flui mais do lago. E a 950 pés, a Represa Hoover não forneceria mais energia hidrelétrica para o Arizona, Califórnia e Nevada.

Em janeiro, os sete estados abastecidos pelo Rio Colorado não entraram em um acordo voluntário sobre como reduzir a utilização da água, conforme ordenado pelo Escritório que regula o assunto. Isso significa que o governo pode impor um plano próprio para evitar que os níveis de água nos principais reservatórios caiam a ponto de não mais poder fornecer água ou eletricidade para aqueles que dependem dela.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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