Novo relatório do Rabobank mostra a complexidade da redução das emissões na cadeia dos lácteos
Emissões Zero – A indústria de laticínios está diante da crescente demanda por sustentabilidade da produção e redução das emissões.

Apesar dos diferentes sistemas agropecuários, muitas das emissões têm origem na fazenda. São as emissões diretas dos produtores (Escopo 1), mas também contribuem para as emissões Escopo 3 das indústrias e dos varejistas.
Um novo relatório do Rabobank explica a complexidade de reduzir as emissões na cadeia de valor do leite e descreve algumas estratégias que ainda não foram exploradas.
As emissões nas fazendas representam a maior parte das emissões na cadeia de valor
No nível da fazenda, a combinação das emissões de metano da fermentação entérica e do esterco correspondem de 75% a 85% das emissões diretas de metano. As emissões restantes vêm em grande parte do óxido nitroso – principalmente o relacionado ao manejo do solo e ao estoque e aplicação do esterco.
“Isto sugere que a viabilidade de executar com sucesso medidas de mitigação em grandes regiões exportadoras é comparável, apesar de diferenças ambientais, climáticas e práticas agrícolas”, disse Richard Scheper, analista de lácteos do Rabobank. “Para as indústrias de processamento de lácteos isso significa que a maior parte de suas emissões está no escopo 3 e fora de seu controle direto”.
Complexidade do escopo 3 e desalinhamento complicam a fixação de metas
No entanto, as dificuldades não estão limitadas a medir e identificar as emissões escopo 3 na cadeia dos lácteos. As metas de redução variam em alinhamentos, ambições e escopo. Na prática, isso significa que os integrantes da cadeia de valor estão expostos a diferentes objetivos. Essa situação cria múltiplos graus de complexidade. As indústrias de laticínios querem estabelecer metas, pois elas recebem pressão dos consumidores para reduzir suas emissões, mas a defasagem entre os padrões nacionais de governos e das indústrias de alimentos aumenta a complexidade, o que, por sua vez, prejudica a taxa de progressão. Na ausência de uma diretriz nacional comum, muitas indústrias estabelecem, individualmente, seus parâmetros e metas.
Existem muitos caminhos para alcançar os objetivos, mas cada um deles tem seus obstáculos
Existem inúmeras medidas de redução das emissões de GEE sendo apresentadas, algumas das quais em estágios avançados de desenvolvimentos e, atualmente adotadas pelo setor lácteo. Isto inclui ganhos de eficiência e produtividade, gestão do esterco e aditivos alimentares.
Embora esses vetores, em teoria, ofereçam fortes oportunidades de mitigação, eles variam em potencial de redução técnica, assim como as taxas de adoção e comercialização, o que torna difícil projetar o potencial geral de redução nos próximos anos. Possivelmente, o maior obstáculo para a redução das emissões nas fazendas leiteiras não seja o potencial técnico, mas sim a possibilidade de adotar práticas de mitigação. Alguns vetores de mitigação requerem investimentos. Outros, com grande potencial retórico, precisam de gastos iniciais elevados ou aumento considerável dos custos operacionais, o que reduz a taxa de adoção.
Aumentar a velocidade de adoção requer a adoção de algumas providências
De acordo com o relatório do Rabobank, o primeiro passo importante é o alinhamento dos objetivos governamentais e da indústria para superar os níveis de complexidade. Ao mesmo tempo, a indústria de laticínios deve abraçar a necessidade de acelerar a redução das emissões de GEE.
“Ao aumentar as ambições e metas, a indústria já deu os primeiros passos nessa direção”, afirma Scheper.
No entanto, para aumentar as taxas de adoção de medidas de mitigação nas fazendas, é necessário que o agricultor seja incentivado pela indústria, por meio de bonificações e prêmios, além do preço do leite.
“Se a mitigação das emissões não ganhar impulso, a indústria de laticínios corre o risco de se deparar com regulamentações impostas por governos que envolvam uso intensivo de capital ou até mesmo redução do rebanho”, concluiu Scheper.
















