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Argentina – “Apocalipse do leite”: seca e dólar soja fecharam 400 fazendas leiteiras

Produção/AR – Produtores de leite de diversos pontos do país atravessam uma situação crítica como consequência do coquetel destrutivo da seca, altos custos de produção agravados com o 'Dólar Soja 2' e defasagem cambial. O preço do leite, segundo alguns cálculos “é o mais baixo em 20 anos” retirando da atividade d as produções menores.

Fonte: Fonte: Clarin Rural – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Photo by James Coleman on Unsplash
Argentina – “Apocalipse do leite”: seca e dólar soja fecharam 400 fazendas leiteiras

A Associação de Pequenas e Médias Empresas Lácteas (Apymel), uma das entidades da indústria de laticínios, informou na semana passada em Córdoba, que 400 fazendas leiteiras já fecharam em 2022.

“A situação chegou a um limite extremo de começar a fechar as fazendas e liquidar os rebanhos, em muitos casos. Não animais de produção, mas recrias e vacas, para poder superar o momento que estão atravessando”, explicou Marisa Boschetti, uma produtora de Alicia, um povoado de menos de 4.000 habitantes localizado no Leste de Córdoba, quase no limite com Santa Fe, onde ordenha 74 vacas de um rebanho de 98 animais totais.

“A seca está causando estragos no setor produtivo, principalmente no setor lácteo onde se perdeu cultivos de forrageiras destinados a reservas, deixando os produtores, tanto pequenos como grandes e médios, em um 'apocalipse lácteo' formado pelos irrecuperáveis ​​cultivos perdidos, a venda forçada de animais pela falta de pastagens, alimentos e até água potável em certos casos, e isso se soma o aumento do custo da ração balanceada”, descreveu em uma carta pública, Fabio Schneider, pequeno produtor de Entre Rios, na localidade de Colonia Merou, a 30 km do Paraná, em uma propriedade familiar que ordena 40 vacas.

“Por causa da seca intensa que nos atinge há um ano e meio, praticamente não participamos fazer reservas, e as que participamos colher entre abril e maio foram de péssima qualidade, e muito baixo teor nutricional. É o que temos para dar aos animais, e complementamos com suplementos de milho e farelo de soja, mas hoje, com o preço desses produtos, é inviável. Assim, as vacas sofrem as consequências da má alimentação, caindo a produção e a produção”, conto Boschetti.

Ao déficit hídrico se soma o prejuízo causado pelo Programa de Incentivo à Exportação, conhecido como Dólar Soja, que em sua segunda edição oferece um valor diferenciado de 230 pesos para que a oleaginosa seja vendida até 30 de dezembro, fazendo disparar os custos de produção do leite. “O Dólar Soja 2 alterou os custos dos produtores, pois, na Argentina o arrendamento de terras é feito em sacos de soja. Então os arrendamentos e a alimentação animal ficaram mais caros”, disse Schneider.

“A segunda versão do Dólar Soja impactou fortemente nos custos dos alimentos que é quase impossível comprar para poder suplementar a alimentação do rebanho e ter uma produção normal. Isto irá impactar em cheio o setor e fará baixar consideravelmente os litros de leite produzidos no país por falta de alimentação adequada”, alertou Boschetti.

Segundo o Sistema Integrado de Gestão do Leite na Argentina (SIGLeA), o preço do leite ao produtor está em 61,59 pesos o litro. Segundo a produtora de leite cordobesa, é um valor “irrisório” diante da inflação galopante e do preço dos insumos. “O que recebemos não cobre o custo de produção. Se pensarmos na necessidade de suplementar com soja e milho, então ficamos muito longe de um número que possibilite continuar produzindo leite na Argentina”, afirma.

De acordo com Boschetti, seriam necessários no mínimo mais 25 pesos por litro de leite. “Teríamos que receber no mínimo 85 pesos para projetar e pensar em uma produção de leite sustentável, não digo a longo prazo, mas pelo menos nos próximos meses. Se não, lamentavelmente vamos começar a engrossar o número de 400 fazendas que já foram fechadas este ano e aumentar a liquidação de animais”, projetou.

“Em valores reais estamos recebendo de 58 a 60 pesos por litro de leite, Para haver equilíbrio, e ter alguma renda, teríamos que estar recebendo quase 90 pesos, ou seja, 60% mais”, considerou Schneider. “O governo vai dizer que o produtor está recebendo acima de US$ 0,35, um alto valor histórico, mas é mentira pois o dólar real não é o dólar oficial, e isto todos nós sabemos. O que compro, como capas, insumos de limpeza importados, mangueiras, etc tenho que pagar com dólar real ou então cobram em dólar oficial, mas com reajuste de preços. Hoje os produtores de leite da Argentina recebem entre US$ 0,12 e US$ 0,15 por litro de leite, em dólar real, o pior preço dos últimos 20 anos”, argumentou.

Há 25 anos que a produção de leite da Argentina se mantém entre 10.000 e 12.000 milhões de litros. “Nos anos 80’ tínhamos 5.000 produtores em Entre Ríos, hoje só são 800. Então fica claro o que está ocorrendo: a produção se concentra cada vez mais, em menos produtores”, lamentou Schnneider.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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