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Especiais Selectus nº 6515

Argentina – O espelho uruguaio

Produção/UR – Este artigo visa comparar a produção de leite da Argentina com a do Uruguai, país vizinho produtor e exportador de leite, para ver quais são os problemas comuns e quais são as questões domésticas.

Fonte: Fonte: Dairylando – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Photo by João Guimarães on Unsplash
Argentina – O espelho uruguaio

Para colocar em contexto, é preciso lembrar que a Argentina, veja o gráfico de Produção de leite da América do Sul, é o segundo produtor de leite, atrás do Brasil, tem as maiores fazendas leiteiras, e é o maior exportador da região e o 3º exportador de leite em pó integral do planeta. O Uruguai é o 5º produtor (atrás do Brasil, Argentina, Colômbia e Chile) mas é o 2º exportador de lácteos competindo com a Argentina no comércio internacional de leite em pó integral. Isto não é para menos pois, o Uruguai é o país que tem a maior produção de leite per capita da América do Sul, 590 litros/habitante/ano. Tem também o maior consumo per capita da região, 266 litros/habitante/ano, mas exportam 77% de tudo o que produzem.

Argentina – O espelho uruguaio

O Uruguai, com 5,6 milhões de litros de leite por dia, produz o equivalente a aproximadamente 70% do volume que sai da província de Buenos Aires, mas está muito próximo de nós na exportação de leite em pó integral.

Em 2021 exportou 28.865 toneladas para o Brasil (+17% do volume exportado pela Argentina para o mesmo destino) e em 2022 (janeiro-outubro) acumula envios de 22.216 toneladas, 35% menos do que as remessas da Argentina para o Brasil. Mas é importante observar que o exportado por ambos países para a China. A Argentina vendeu para o Gigante Asiático 3.532 toneladas de leite em pó integral de janeiro a setembro de 2022, o Uruguai já enviou 25.975 toneladas, ultrapassando a Austrália como segundo fornecedor da China desde 2021. Trabalha em competitividade há anos, inclusive, ultimamente, está em estudo um acordo de livre comércio com os asiáticos.

Argentina – O espelho uruguaio

Quanto se fala em “competitividade” pensa-se no desempenho da produção primária e da indústria de processamento. Mas quando se trata de exportar, a competitividade não envolve somente o produtor e a indústria. É preciso o Estado com seus controles, impostos e políticas públicas necessárias para facilitar a tarefa e assegurar a entrada de divisas.

Estando os dois países à mesma distância da China, infere-se que a dificuldade da Argentina em aumentar as exportações é causada pela ineficiência do Estado. A cadeia láctea argentina conta com elos de produção primária altamente competentes, pois cresce mesmo tendo os menores preços da matéria-prima do mundo, e um elo industrial local com capacidade para processar com eficiência os produtos necessários para competir e abastecer o mercado interno e externo. Mas é um ônus o pesado Estado argentino com sua pressão tributária direta como o Imposto de Exportação entre outros (9% para o leite em pó integral, o principal produto lácteo exportado), e indiretos como a defasagem cambial (no mínimo 30% e os insólitos tipos de dólares fictícios existentes) somando-se a isso, o imposto inflacionário (o da Covid e da guerra que afetam a todos, mas o Uruguai tem uma inflação anual de 9%, enquanto que na Argentina chega a 83%).

Sem dúvida, seria promissor que a Administração atual e os que vierem reconsiderassem seriamente a mudança na forma de fazer as coisas para poder gerar a esperada reativação não somente do setor lácteo argentino (representado por 10.446 fazendas leiteiras, 670 empresas processadores e 187.000 empregos), mas também de toda a economia.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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