Em valores, as importações brasileiras de produtos lácteos crescem 166%
Balança comercial – A produção brasileira não reage ao aumento do preço do leite. Desde abril de 2021 que as comparações interanuais do leite adquirido pelas indústrias caem mensalmente.

No acumulado do primeiro semestre de 2022 a variação foi de -8,8% em relação ao primeiro semestre de 2021.
Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) até 2020, mostram que houve uma redução contínua do rebanho leiteiro a partir de 2015. A produção total de leite apresentou ligeiro aumento, sustentada pelo crescimento da produtividade animal, que saiu de 1.515 litros/animal/ano em 2014, para 2.192 litros/animal/ano em 2020 (+43,7%), ou média anual de +7,29%. No entanto, os grandes aumentos ocorreram nos três primeiros anos. Em 2018, 2019 e 2020, os percentuais foram de +4,9%; +3,3% e +2,4%, respectivamente.

A partir dessas informações, e analisando os dados do leite adquirido pelas indústrias em 2021 e 2022 até o momento, é possível supor que a produção de leite atingiu o pico de produção em 2020, e a partir de então vem caindo. É preciso aguardar dados atualizados para verificar se o aumento da produtividade não mais conseguiu compensar a redução do rebanho, ou se o rebanho parou de cair, e a produtividade ficou estagnada.
De qualquer forma, os dados sugerem que a produção de leite do Brasil está caindo de forma estrutural. Tudo está atingindo um teto. A produtividade, o rebanho, o preço do leite, o preço ao consumidor e o custo de produção.
E esse desalinhamento interno da cadeia láctea, ultrapassa as fronteiras. Nossas exportações caem e as importações sobem, com grandes oscilações provocadas pelas cotações das commodities lácteas no mercado internacional.

E, dentro deste cenário, agosto de 2022 registrou uma das maiores importações em equivalente litros de leite para o mês, e as exportações caíram aos menores volumes desde 2006, resultando em um déficit só comparável aos registrados no final de 2020 e janeiro de 2021.

Foi o maior déficit mensal, em valores, atingindo 92 milhões de dólares.
















