França – SNIA vê grande ameaça de descapitalização maciça na cadeia de ruminantes
Produção/França – A conjuntura econômica preocupante deverá colocar a pecuária no centro das prioridades, estima o Sindicato Nacional das Indústrias de Nutrição Animal (SNIA). este último enfrentando uma queda histórica da atividade, temendo que a sucessão de crises desestimule os pecuaristas, particularmente os da cadeia de ruminantes.

Depois das interrupções nas cadeias de suprimentos ligadas à crise sanitária em 2020, houve um grande reajuste nos preços de matérias-primas em 2021, aos quais foram adicionados os aumentos de 2022 como consequência da guerra na Ucrânia e da seca. E, as indústrias de nutrição animal estão sendo submetidas a um severo teste. Se as autoridades públicas estiverem dispostas a ouvir, “a conjuntura é alarmante”, destaca Ludovic Michel, vice-presidente do SNIA.
Apreensão em relação à disponibilidade de matérias-primas
Desde janeiro de 2020, o preço das matérias-primas aumentaram mais de 80%, e elas representam 85% dos custos do produto final. As indústrias devem também incluir o elevado preço da energia.
O impacto da guerra na Ucrânia e as sanções europeias sobre a Rússia ameaçam o abastecimento: “Ficamos apreensivos e preocupados com a possível indisponibilidade de certas matérias-primas no inverno, especialmente aquelas que dependem do custo da energia para a produção, como as tortas, ou as polpas desidratadas”, explicou Ludovic Michel, justamente agora que um racionamento de energia poderá ser adotado para as empresas.
Queda de volumes relacionada à contração da cadeia animal
Entre o 1º semestre de 2021 e o 1º semestre de 2022, a produção de alimentos compostos caiu -5,7%: -4% para o setor de ruminantes, -4,3% para o setor de suínos, e -8,2% para o setor de aves (relacionadas à influenza aviária). Essa redução corresponde a 550.000 toneladas nos seis primeiros meses do ano, e o total para 2022 deverá chegar a 1,2 milhões de toneladas. Dessas 1,2 milhões de toneladas, 700 mil toneladas estarão diretamente ligadas à influenza aviária, mas 500 mil toneladas correspondem à contração da cadeia de animais.
“Eu conhecia a França consumindo 24 milhões de toneladas de alimentos, e agora vamos ficar abaixo de 19 milhões de toneladas”, explica François Cholat, presidente do SNIA, que está preocupado com as consequências da seca. “Prevemos uma descapitalização parcial para o setor de ruminantes. Os pecuaristas irão reduzir o tamanho de seus rebanhos, retendo os melhores animais. Seremos capazes de produzir integralmente as necessidades de leite, especialmente? É uma resposta difícil”. “As crises levam alguns profissionais a encerrarem suas atividades, razão pela qual a pecuária deve ser considerada como essencial”, pelo poder público, acrescenta ele. Especialmente porque a pirâmide etária não favorece uma inversão da tendência.
Um “vasto plano de investimento”
Ainda assim, a SNIA está convencida de que a pecuária francesa dispõe de muitos ativos e pede “um grande plano de investimentos” para sustentar a cadeia diante dos elevados custos.
“Serão necessárias medidas de urgência: lutar contra a descapitalização, valorizar mais a produção, garantir o acesso às matérias-primas”, explica François Cholat. No médio e longo prazo, a SNIA pede um trabalho de valorização da profissão, modernização das fazendas e ferramentas industriais, a recolocação de certos componentes (como os oligoelementos, aminoácidos ou vitaminas), e a otimização dos recursos naturais e de energia para o setor.
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