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Especiais Selectus nº 6445

NZ - Os custos da inflação rural – da fervura para a ebulição

Custos/NZ – Os economistas Nathan Penny e Satish Ranchhod do banco Westpac da Nova Zelândia disseram que a inflação dos custos rurais transbordou e, embora saia da fervura, ainda vai fervilhar por um bom tempo.

Fonte: Fonte: interest.co.nz – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Imagem de Christoffer Borg Mattisson por Pixabay
NZ - Os custos da inflação rural – da fervura para a ebulição

A inflação dos custos do setor rural atingiu seu ponto de ebulição no ano passado, com os custos subindo mais de 13% nos 12 meses encerrados em junho.

- A expectativa é de que a inflação dos custos deverá ser mais moderada este ano, com os preços de muitos insumos importados (como combustíveis e fertilizantes) diminuindo nos últimos meses.

- Mesmo assim, os agricultores verão aumentos em seus custos operacionais nos próximos anos.

- Enquanto isso, os impulsionadores do aumento dos custos irão mudar de fatores globais para fatores locais, como preços do trabalho e da alimentação.

- De fato, com o forte crescimento da renda agrícola dos últimos anos, e a forte demanda por insumos, espera-se que a pressão sobre os custos operacionais continue.

A inflação dos custos rurais transbordou

A inflação dos custos do setor rural passou do ponto da fervura no ano passado. Os preços de todos insumos agrícolas (excluindo os custos pecuários) subiram 13,7% nos 12 meses encerrados em junho. Esse aumento veio depois do crescimento recorde de março, +9,9%.

Os custos operacionais subiram para todos os setores da economia. No entanto, o aumento dos custos nas fazendas foi particularmente elevado, com os custos dos negócios em geral chegando a “apenas’ 10% no ano passado.

A inflação foi ampla. Dos 21 insumos selecionados pela agência de estatísticas Stats NZ, exceto um (eletricidade) registraram aumentos anuais.

Os impulsionadores da inflação dos insumos no ano passado foram fertilizantes, custos de serviços, combustível e alimentação animal. Os preços dos combustíveis lideraram o aumento, disparando 70,5% em um ano. Os fertilizantes também saltaram 40% nos últimos 12 meses encerrados em junho. Os custos dos serviços da dívida elevaram 21% em termos percentuais no período, enquanto o preço da ração animal subiu 12%. Embora, percentualmente, a ração tenha subido menos, ela tem o maior peso nos custos do agricultor, e portanto, tem um forte peso nas contas.

Olhando para os diversos setores agropecuários, as fazendas leiteiras foram impactadas com o maior salto dos custos, aumento geral de 16% nos últimos 12 meses. Os criadores de ovinos, e a pecuária de corte, ficaram com o segundo percentual de aumento, 13%, enquanto o setor de horticultura teve reajuste perto de 10%.

A partir de agora, a inflação está saindo da fervura...

Em outras palavras,  esperamos que o reajuste anual de 13,7% seja o pico inflacionário desse ciclo.

Os preços de alguns dos principais responsáveis pela inflação estão cedendo. Um exemplo é o barril de petróleo, que caiu de US$ 102 em junho, para os atuais US$ 95. Além disso, os preços globais da ureia já caíram para US$ 300 a tonelada, um terço do valor negociado em abril.

... mas a temperatura deverá permanecer elevada.

No entanto, a expectativa é de que outros aumentos virão nos próximos anos. Entre junho de 2023 e junho de 2024, a expectativa é de que a inflação anual cairá, ficando entre 4% e 6%. Embora seja uma desaceleração considerável em relação aos níveis atuais, ainda assim estará bem acima das taxas de 1% e 2%, registradas antes da pandemia de Covid.

Na verdade, os impulsionadores da inflação dos custos estão mudando. De agora em diante, fatores locais irão começar a dominar o aumento de preços do setor primário, mais do que fontes externas.

Mais precisamente, a expectativa é de que os preços locais de salários e alimentação animal (pastagens, sementes, culturas, etc) terão os custos acelerados e permaneçam altos nos próximos anos.

Com os altos preços dos produtos agropecuários e hortifruticulturas, e a forte demanda por insumos, a pressão continuará sobre os custos operacionais. A demanda firme significa que os fornecedores, provavelmente, continuarão repassando os aumentos para os clientes dos insumos agricolas.

No caso da mão de obra, continuará havendo reflexo da força do mercado de trabalho. A pressão salarial foi registrada no trimestre de junho, quando ocorreram os maiores aumentos salariais desde 2008. A taxa de desemprego está em 3,3%, 0,1% abaixo do recorde de baixa. Além disso, os trabalhadores estão buscando compensação pela alta da inflação, com a maioria dos salários sendo ajustados pela inflação do último ano.

Diante desse quadro, é preciso que os agricultores e produtores sejam cautelosos em relação à gestão dos custos, pois essas pressões deverão permanecer ainda, por um período considerável.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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