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Especiais Selectus nº 6411

NZ – Lácteos, um caminho cheio de obstáculos, mas rentável

Lácteos/NZ – Os preços dos produtos lácteos chegaram a níveis recordes no primeiro semestre de 2022, fazendo com que muitos se perguntassem se não havíamos alcançado preços máximos para o pó.

Fonte: Fonte: Ocla/Farmers Weekly – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Imagem de Kobus van Leer por Pixabay
NZ – Lácteos, um caminho cheio de obstáculos, mas rentável

Ainda que a produção de leite se encontre em meio a uma desaceleração significativa, o debilitamento das expectativas da demanda está criando condições para mudança de cenário que leva a quedas moderadas dos preços dos produtos lácteos durante a segunda metade de 2022. A opinião do Rabobank é de que superamos os preços máximos do leite em pó para este ciclo na primeira metade de 2022.

Pela primeira vez, desde 2016, o crescimento da produção de leite nas principais regiões exportadoras (Nova Zelândia, Austrália, América do Sul, Estados Unidos da América (EUA) e União Europeia (UE)) tem sido menor em relação ao ano anterior durante três trimestres consecutivos. A produção mundial de leite está sendo obstaculizada pelos custos recordes dos insumos e problemas relacionados ao clima, afetando as margens. Os preços elevados do leite não estão resultando em crescimento garantido da produção de leite e, os rebanhos mundiais de leite ou estão se contraindo ou enfrentando obstáculos para crescimento, junto com os preços do milho e da soja que chegam aos máximos históricos. A recuperação da produção de leite no terceiro trimestre de 2022 será modesta.

A dinâmica chinesa de importação de produtos lácteos é chave para a perspectiva da demanda mundial e, fundamental para o rumo do preço do leite ao produtor na Nova Zelândia. A forte produção neozelandesa de leite, junto com uma demanda de consumo mais débil (devido às medidas relacionadas com o Covid) em um momento de estoques elevados, resultou em menor importação de produtos lácteos As importações totais (medidas em equivalentes litros de leite, excluído o soro de leite) já são 4% menores nos primeiros quatro meses do ano calendário de 2022.

O aumento vertiginoso da oferta doméstica de leite na China no primeiro trimestre de 2022, de 8% na comparação interanual, e os elevados estoques remanescentes das fortes importações no ano passado entraram em choque com uma demanda mais fraca devido às restrições à circulação. Os bloqueios na China exacerbaram a situação do excesso de oferta, levando em conta o crescimento da produção nacional de leite ainda forte e o crescimento contínuo das importações de leite em pó (+3% na comparação interanual) durante o primeiro trimestre de 2022. Esperamos que isto continue alimentando a pressão na cadeia de oferta para os preços do leite ao produtor dentro da China. Além de exercer pressão sobre os preços mundiais dos produtos lácteos. Com a queda do preço do leite ao produtor na China, estamos vendo que os produtos lácteos importados da Nova Zelândia se tornam menos competitivos com o leite em pó integral produzido localmente.

Na maioria das regiões, os consumidores estão sentindo o impacto significativo da inflação em seu poder aquisitivo. Nos EUA e UE a inflação chegou ao máximo dos últimos 40 anos e é um choque para o consumidor, afetando, desproporcionalmente, as famílias de baixa renda. Nos mercados emergentes, a inflação não é nova, mas a gravidade do aumento dos preços, especialmente para os países importadores de matérias primas, foi amplificado pelos efeitos da guerra na Ucrânia e um dólar estadunidense muito forte. Entretanto, os altos preços do petróleo poderão apoiar a demanda de importação de produtos lácteos para alguns países exportadores de petróleo, como vimos em ciclos anteriores. O Rabobank antecipa que o déficit da oferta será coberto com a debilidade da demanda, o que ajudará a controlar os preços, por enquanto.

Os eventos relacionados com a Covid e a geopolítica criaram situações de demanda únicas, mas a oferta restrita continuará amortecendo o efeito total destas condições da demanda, proporcionando um preço saudável do leite para os produtores da Nova Zelândia.

A rentabilidade final para o produtor kiwi na próxima temporada se resume no gerenciamento dos custos em torno da inflação. Como outros agricultores do mundo, na Nova Zelândia também estão fazendo malabarismos com pressões dos custos dos insumos mais elevados do que em temporadas anteriores. Antecipamos que os custos dos insumos (combustíveis, fertilizantes, ração e mão de obra) são chave para a produção de leite, e se manterão elevados durante 2022 e provavelmente também em 2023.

A boa notícia é que a rentabilidade parece provável para a maioria dos produtores de leite, ainda que com margens menores em comparação com a temporada anterior.

Acesse aqui a matéria na íntegra 

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