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Especiais Selectus nº 6407

Uruguai – Produtores de leite exigem que se deixe crescer o setor primário

Conflito/UR – Reunidos em sessão extraordinária, os produtores integrantes do Conselho dos 29 e as entidades dos produtores de leite manifestaram nesta quarta-feira seu “total e absoluto repúdio” às “irresponsáveis” medidas tomadas e anunciadas pelo sindicato dos empregados da Conaprole, e recomendaram à diretoria da cooperativa estudar e colocar em execução “todas as medidas legais" que possam coibir os excessos do direito ao trabalho, que “buscam deliberadamente causar danos à atividade produtiva e comercial”.

Fonte: Fonte: El País - Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Imagem de Wolfgang Ehrecke por Pixabay
Uruguai – Produtores de leite exigem que se deixe crescer o setor primário

Finalizada a Assembleia, que por alguns momentos apresentou um ambiente tenso, o presidente da Conaprole, Gabriel Fernández, disse a El País que o primeiro objetivo foi informar sobre o conflito. “Nos parecia correto uma instância formal para explicar as decisões da cooperativa da CILU”.

No encontro, Fernández destacou que os produtores manifestaram suas preocupações com algo que “gera perdas e destrói o valor agregado em um setor que vem sendo castigado há muitos anos”. “Quando começava a melhorar a renda, aparece uma reivindicação econômica para toda a cooperativa e esse é um problema fundamental”, lamentou.

Para Fernández, o sindicato sabe que estão chegando a um acordo onde 98% dos trabalhadores do Uruguai concordariam. É por isso, explicou que “não estão dispostos a rever tudo porque não é justo, nem razoável. Estamos dispostos a conversar o que for necessário em um ambiente de ganhar-ganhar. Não temos porque revisar os salários a cada dez anos e fazê-lo crescer sem motivo”.

Os salários nos últimos 10 anos foram negociados com recuperações: no total, foram 39 acordos firmados e houve, asseguram, um diálogo permanente.

Os produtores concordaram com a atuação da diretoria da Conaprole até o momento, em relação ao gerenciamento do conflito. “Somos produtores, somos seus representantes e o que nossos pares dizem é fundamental”, sustentou.

Os produtores disseram que querem ser ouvidos durante as audiências no Ministério do Trabalho e também da Economia, porque “os números são muito eloquentes sobre a evolução do preço do leite e dos salários da Conaprole”.

“Quem quer que veja, se dá conta de que hoje é o momento de deixar crescer o setor primário”, assegurou Fernández.

O diálogo entre a cúpula da Conaprole e o sindicato é tenso, mas asseguram ter as portas abertas, para falar com franqueza “porque estamos seguros do que estamos pleiteando e hoje todos estão perdendo. O que queremos é gerar valor para todos, para que estejamos melhor, incluindo os trabalhadores, mas com uma negociação razoável”.

Cláusula de paz

Por sua parte, Fabián Hernández, presidente da Sociedade dos Produtores de Leite de Florida, mencionou que foi solicitado à diretoria que se mantenha esta postura, porque “o único que pedimos é uma cláusula de paz para não ficarmos em situações desgastantes para o produtor, porque assim perde toda a cadeia láctea”.

O sindicalista acredita que todos precisam defender a cadeia, para o setor avançar.

“Não acredito que sejam diferentes os pontos de vista e não estamos buscando ganhadores nem perdedores, mas sim um acordo para todos”, afirmou.

Para explicar o cenário, ilustrou: “Se como produtor a indústria me propõe um aumento de 4% no leite acima do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) tenho que firmar, mas assim perdem todos os trabalhadores e queremos que todos ganhem”.

Além disso, propôs uma multa econômica para qualquer uma das partes que não respeite a cláusula de paz, “porque queremos trabalhar e ficar tranquilos”.

Vender ou terceirizar a Conaprole

Por sua parte, Leandro Galarraga, presidente da Associação Nacional dos Produtores de Leite, expressou que, depois de seis meses de conflito, apela para “a razão”.

“Esperamos que se apele para a razão para chegar a um acordo. Precisamos de garantias, porque já houve um acordo firmado quatro anos atrás e que não foi cumprido. Temos que melhorar a relação para superar isto e que se respeite o acordo”, afirmou

E Acrescentou: “Existem exemplos, como o caso da Ecolat, que levantam o capital e se vão. Mas, somos uma cooperativa, o que é mais preocupante, pois é uma luta de trabalhadores contra trabalhadores, já estamos cansados e não queremos mais estas ações”.

Ao ser consultado sobre o mal estar entre os produtores, assegurou que estão estudando terceirizar ou até vender a Conaprole. “São opções em estudo que estão na mesa. Esperamos não chegar a esse ponto porque defendemos o âmbito cooperativo”, concluiu.

Apoio, desconhecimento e injustiças: a proclamação dos produtores de leite

As entidades dos produtores de leite manifestaram seu “total e absoluto repúdio" às “Irresponsáveis” medidas tomadas e anunciadas pelo sindicato da Conaprole, e apoiaram as decisões da diretoria da cooperativa em busca de um diálogo “honesto e construtivo” que vem sendo estabelecido até o momento.

Por outro lado, disseram que o sindicato dos trabalhadores tem “total desconhecimento” da situação econômica e financeira do setor primário, lembrando que há mais de sete anos o setor lácteo atravessa uma duríssima crise, que provocou o fechamento de fazendas leiteiras (mais de 500) e um importante endividamento que está longe de ser solucionado.

Destacaram também, através de um comunicado à opinião pública, que os funcionários da Conaprole “ostentam condições de trabalho estáveis e remunerações francamente superiores à massa trabalhadora do país, e que não foi prejudicada nem durante os últimos anos da pandemia”.

Desta forma, declararam que estarão em alerta permanente e pediram reuniões urgentes com o Ministério da Pecuária, Economia e Trabalho, assim como com a PIT CNT, a fim de compartilhar sua posição diante deste “injusto e desproporcional” conflito.

A Assembleia apoia a proposta do Ministério que implica uma recuperação salarial em dois anos, mantendo o IPC durante quatro e uma cláusula de paz durante a vigência do acordo.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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