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Especiais Selectus nº 6403

Argentina – Indústria de laticínios nega manobras oligopólicas e concentração

Leite/AR – A indústria de laticínios negou, com dados oficiais, qualquer tipo de manobra oligopólica e concentração do setor, depois das declarações feitas pelo presidente Alberto Fernández, no último fim de semana. Não é a primeira vez que um setor ligado ao agronegócio responde às afirmações do governo.

Fonte: Fonte: ámbito – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Imagem de Hans Braxmeier por Pixabay
Argentina – Indústria de laticínios nega manobras oligopólicas e concentração

Concretamente, Alberto Fernández, consultado sobre o possível futuro da Vicentin e o papel da empresa de referência no setor de alimentos, respondeu: “Que na Argentina existe uma grande indústria de laticínios, que concentra muito o mercado do leite, e como consequência foram encerrados 27.000 fazendas leiteiras. O resultado é a concentração. O leite é transportado irracionalmente por centenas de quilômetros de onde foi produzido até onde será pasteurizado, e depois para onde será consumido. É irracional. Teríamos que estar trabalhando, e estamos tentando, é um processo que comece quebrar essa lógica oligopólica”.

Estas declarações caíram como um balde de água fria no setor e por isso o Centro da Indústria Leiteira (CIL), associação que representa pequenas, médias e grandes indústrias do setor, responderam com dados sobre a situação atual da cadeia.

Em primeiro lugar, em relação ao setor primário, o CIL destaca que segundo o Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA) “hoje existem 10.446 fazendas leiteiras que geram mais de 45.000 postos de trabalho de forma direta. Cabe esclarecer que esta quantidade de unidades produtoras se mantém relativamente estável há mais de uma década, e os mesmos produziram 11.553 milhões de litros de leite em 2021, o que representou elevação de 4% em relação a 2020”.

Neste contexto, a indústria também destaca que “historicamente, as empresas de laticínios instalam suas plantas de processamento perto das fazendas leiteiras, nas principais bacias leiteiras e próximas dos centros de consumo, evitando, dentro possível, gastos desnecessários com transporte. Isto demonstra que a leiteria é uma atividade federal que promove o desenvolvimento de economias regionais e facilita a geração de emprego em diferentes localidades do país”.

Outro dado destacado é que as fazendas de leite se encontram distribuídas principalmente em três grandes bacias: Santa Fe com 34% das fazendas, Córdoba com 29% e Buenos Aires 21%. O restante das fazendas fica localizada em bacias menores.

Quanto à concentração nas mãos de poucas empresas, também levam em conta a estatística do OCLA, as empresas reunidas no CIL detalharam: “É importante destacar que a indústria de laticínios argentina está muito atomizada. Existem mais de 670 empresas registradas e 47 delas processam mais de 90.000 litros de leite por dia. Nenhuma supera 13% de participação na compra de leite e, somando as quatro primeiras, alcançam apenas 31% de participação no acumulado. A diferença disto, por exemplo, na Nova Zelândia, uma só empresa é responsável pelo processamento de 81% do leite, enquanto que, no Uruguai um só jogador recebe 68% do leite produzido”.

Fica claro pelas estatísticas que o principal player do mercado de laticínios da Argentina continua sendo a Mastellone Hnos, com participação de 12,1% do mercado em relação ao leite produzido, seguido muito de perto pela Saputo com 11,8%. Depois destas duas grandes, das 24 empresas seguintes no ranking, nenhuma tem 5% de participação em relação ao leite produzido.

Outra questão chave é que desde a queda da SanCor houve uma reconfiguração total do setor lácteo, e nas gôndolas começaram a se posicionar pequenas e médias empresas no segmento de queijos e outros produtos de alto valor agregado. Também foi o próprio governo que patrocinou as empresas menores, para também serem fornecedores do acordo de preços e terem lugar de destaque na gôndola, algo que pode ser visto claramente nos supermercados.

Por último, as empresas reunidas no CIL afirmaram: “Cabe destacar que o crescimento da produção de leite no futuro depende fundamentalmente do investimento que cada produtor realiza em tecnologia, conforto animal, sanidade e nutrição em sua propriedade, decisão que requer necessariamente rentabilidade previsível. Ainda que a demanda e os preços internacionais proporcionem valores sustentáveis para um futuro próximo, é necessário promover políticas de governo em matéria de incentivos fiscais, créditos bancários, infraestrutura viária, etc, que fomentem o crescimento da produção e, em consequência, o desenvolvimento da atividade”.

Acesse aqui a matéria na íntegra 

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