França – A queda livre dos iogurtes
Iogurte/França – Os franceses consomem cada vez menos iogurtes. Este produto, habitualmente privilegiado por nossas famílias, está sofrendo o impacto da inflação e não seduz mais as novas gerações de consumidores.

Em 2022 os preços dos iogurtes poderão subir mais de 15%.
O mercado de iogurte está em crise. Isso poderia parecer anedota mas, é de fato, muito sério. Quando alguém fala em iogurte pode parecer engraçado para todo mundo, mas a linha de produtos lácteos ultra-frescos, como dizem os especialistas, não é um mercado pequeno. Trata-se de um negócio de quase 5 bilhões de euros por ano. A França é praticamente a campeã do mundo. Na Holanda comem mais que na França (em torno de 185 potes por ano contra 165). Temos entre nós as maiores indústrias mundiais, como Danone, Yoplait e Lactalis que é associada à Nestlé. Hoje, todos esses atores estão perdendo o brilho. Nos primeiros cinco meses do ano, as vendas recuaram perto de 4%.
A inflação se instala na França: Quais serão as mudanças de hábitos?
Essa queda se explica por um fenômeno global que afeta todo o consumo de alimentos. As pessoas consumiram bem mais dentro de casa durante 2 anos de Covid. Hoje todos podem sair um pouco mais e existe um contexto econômico menos favorável. Se alguém não está em uma crise econômica real, existe a guerra na Ucrânia que inquieta a todos. Além disso, e sobretudo, existe a inflação. No entanto, quanto menos um produto é processado, mais seu preço aumenta quando o custo da matéria prima sobe. Isso é o que se passa com o leite. Este ano, os preços dos iogurtes podem subir mais de 15%. O consumidor opta por comprar menos iogurtes ou procurar linhas do produto com menor preço.
A prioridade é seduzir os jovens que serão os consumidores de amanhã
As indústrias francesas possuem razões para se inquietarem. É muito melhor estar em um mercado em crescimento do que um mercado em declínio. Quando o consumo cai e os custos de produção aumentam, as margens, muitas vezes, devem ser sacrificadas e reduzidas. Isso pode também favorecer as famosas marcas da distribuição, os iogurtes vendidos com o nome das grandes redes de distribuição. É menos caro e já representa um terço do mercado. Assim, existe ainda uma esperança. De fato, o mercado de iogurte é impulsionado pela oferta. A inovação não funciona, necessariamente, por longo tempo, mas funciona.
Podem ser lançados iogurtes gregos ou skyr. Podem ter receitas saborosas com frutas, chocolate ou enriquecidas com proteínas. O iogurte é um luxo acessível e isso é uma boa notícia para as indústrias. Não é preciso, necessariamente, ser muito rico para ter acesso a essa doçura. Se os tempos são um pouco mais difíceis, alguns vão se adaptar. Mas, o verdadeiro risco é geracional. Os jovens consomem cada vez menos iogurte. A faixa entre 15 e 35 anos reduziram seus consumo em 15% em quinze anos. A prioridade então é seduzir os jovens que são os consumidores de amanhã. Para isso, será necessário superar todos os produtos elaborados com leite de amêndoa, coco ou suco de arroz e encontrar alternativas aos plásticos das embalagens. Estes ajustes poderão contribuir para remodelar um pouco a indústria do iogurte.
















