Argentina – Custos elevados colocam, novamente, o produtor de leite à beira do prejuízo
Preços/AR – Em breve os produtores argentinos receberão o pagamento pelo leite fornecido às indústrias no mês de abril.

Em março, o valor médio foi de 40,69 pesos por litro, segundo levantamento mensal do Departamento Nacional do Leite, 7,2% acima do valor de fevereiro, acumulando alta de 17,7% no trimestre, e de 54,9% na comparação com março de 2021. Para este mês, a expectativa é de que haja alta mensal entre 4 e 6%.
Esses números, olhados de forma isolada, parecem configurar um cenário positivo para o setor lácteo, mas o boletim do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA) e do Consórcio Regional de Pesquisa Agrícola (CREA), mostram que o copo está muito mais vazio do que parece.
OCLA
A OCLA elabora todos os meses um relatório de rentabilidade das fazendas leiteiras argentinas, e o último boletim mostra que em março apenas conseguiram superar por centavos o custo de produção: AR$ 40,69 recebido contra AR$ 40,65 gastos.
Desta forma, a rentabilidade sobre o capital ficou em apenas 0,4%, a mais baixa em 12 meses. Para chegar a uma rentabilidade de 5%, que é o ideal e dar sustentabilidade ao negócio, o preço deveria ser de AR$ 46,41 o litro, um valor que nem sequer será alcançado em abril, e sem computar a alta dos custos ocorridas no mês passado.
Além do mais, o percentual anual de 54,9% de aumento ao produtor ficou abaixo do índice oficial de inflação medida pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (INDEC): 55,1%. A alta de 17,7% no preço do leite no primeiro trimestre deste ano, é inferior ao aumento dos custos no mesmo período, 19,4%.
“Estas variações indicam claramente que os custos de produção tiveram uma aceleração no primeiro trimestre do ano e sobretudo no último mês pela elevação dos preços dos concentrados, fertilizantes, agroquímicos e combustíveis, entre outros”, resume o relatório.
CREA
O relatório atual sobre o agro distribuído pelo CREA entre seus associados, também foca nos múltiplos problemas enfrentados pelo setor lácteo.
Por exemplo, menciona que o índice de Custo (IC) aumentou 8,8% em março, contra 1,6% de incremento do Índice de Preço (IP). “A relação IP/IC ficou em 0,81, sendo a mais baixa do último ano. Desta forma, se acentua a tendência para baixo, e continua deteriorando-se a rentabilidade das empresas leiteiras”, destacou o documento.
Outro aspecto que revela o estudo é a piora em termos de troca: hoje são necessários 17% mais litros de leite para se comprar milho, 12% mais para adquirir soja, e 50% mais para comprar fertilizante. Em relação a anos anteriores, a comparação é ainda muito pior.

Para o CREA, o setor lácteo enfrenta um horizonte complicado, por todos os lados. Por isso, acredita que acendeu a luz “amarela”.
Textualmente, o boletim destaca:
Sinais internos – No curto prazo, se espera uma leve queda nas produções individuais devido às condições climáticas ocorridas durante o verão. É preciso observar a evolução, levando em conta as estratégias produtivas adotadas pelos produtores em um contexto de menor disponibilidade de reservas e custos de produção crescentes.
2022 começou com números negativos para a demanda interna (em faturamento), dado que diminuiu o volume de vendas, os preços cresceram abaixo da inflação, e o poder de compra do salário se deteriorou em relação à cesta de produtos lácteos.
Sinais externos – Ainda que as exportações de lácteos argentinas tenham começado o ano com queda no volume comercializado, esta situação foi compensada pelos maiores preços recebidos. Para os próximos meses, os valores futuros do leite em pó diminuíram, mas são mantidos acima dos preços históricos (US$ 4.300 x US$ 3.000 a tonelada).
Permanece uma interrogação sobre a dimensão do impacto do conflito Rússia x Ucrânia sobre o desempenho das exportações argentinas nos próximos meses.
















