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Especiais Selectus nº 6344

Argentina – Os custos ganham dos preços e debilitam a economia dos produtores de leite

Produção/AR – No primeiro bimestre do ano, o volume de leite a nível nacional desacelerou. O valor recebido pelo produtor não compensa os gastos, alerta um boletim do Instituto de Estudos sobre a Realidade Argentina e Latinoamericana (IERAL).

Fonte: Fonte: La Voz – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Imagem de Mike Cunningham por Pixabay
Argentina – Os custos ganham dos preços e debilitam a economia dos produtores de leite

Ainda que em um ritmo menor, houve crescimento de 1,1% da produção a nível nacional, em relação ao período anterior.

Os produtores de leite da Província de Entre Ríos lideram o crescimento percentual, com melhora de 3,9%, seguido por Córdoba, onde a produção cresceu 1,1%, e Santa Fe que aumentou em 0,5% o volume.

Mas, no sentido contrário, as quedas ocorreram nas produções da Província de Buenos Aires (-1,4%); de La Pampa (-2,2%) e de Santiago del Estero (-2,3%) no primeiro bimestre, na comparação interanual.

Além da desaceleração na produção, o dado em destaque – de acordo com o boletim elaborado pelo economista do IERAL, Nicolás Torre – é que os custos de produção estão ganhando a luta de preços.

“O aumento nominal do preço e o valor real do produtor de leite no primeiro bimestre de 2022 superou o ritmo de variação do índice de Preços ao Consumidor (IPC), mas não conseguiu recompor a equação econômica da fazenda leiteira”, alerta o boletim.

Segundo o estudo, em fevereiro de 2022 o produtor recebeu 37,69 de pesos pelo litro de leite (média do país), melhorando em 2,7% em termos reais em relação a igual mês de 2021. Apesar disso, os principais insumos da atividade leiteira tiveram um ritmo de crescimento superior, reduzindo o poder de compra do leite cru.

Porque diminui a taxa de crescimento da produção de leite?

Na hora de identificar as causas da menor velocidade da produção de leite no início do ano, Torre afirma que trata-se de uma atividade que está condicionada, principalmente pelo clima (determinante para a qualidade e quantidade de pastos futuros), e a equação econômica da fazenda leiteira.

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“No que se refere ao clima, o ciclo 2021/22 foi um pouco menos favorável em algumas regiões que no período anterior, como consequência do ciclo climático global conhecido como fenômeno “Niño” e Niña”). A maior predominância foi do evento ‘quase-Ninã’ durante o último verão local gerando menores volumes de chuvas do que o habitual, condicionando a quantidade e qualidade das forragens que estarão disponíveis nos próximos 12 meses”, observa o relatório do economista

Os custos ganham do preço na Equação Econômica

No que se refere à equação econômica na fazenda, o preço do leite cru exibe certa recuperação no início de 2022, depois de ter ocorrido uma queda (em termos reais) entre junho e dezembro de 2021, diz o estudo.

Que insumos subiram mais

Segundo os números analisados por Torre, a equação da fazenda se encontra muito deteriorada com a elevação do preço do milho e da soja nos últimos três meses.

“Ainda que tenha melhorado os preços internacionais dos lácteos, a transferência para os preços internos é lenta e gradual. Supondo que a indústria melhore o preço do leite aos produtores até 40 pesos por litro em março (um valor bastante realista em relação à equação exportadora do leite em pó), a relação leite/milho será de 1,20 litro de leite para cada quilo do cereal, uma das mais baixas nos últimos 6 anos”, diz o relatório.

Já a relação leite/soja seria de 0,85, também uma das mais desfavoráveis dos últimos tempos.

“Em resumo: o crescimento da produção de leite somente continuará sendo positiva se o preço recebido pelos produtores recuperar terreno frente aos principais insumos da atividade. A velocidade com que isso ocorrer será determinante para saber se a atividade será sustentável, ou se estaremos diante do início de um fase de contração da produção primária”, alerta o estudo do Ieral.

Acesse aqui a matéria na íntegra

 

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